Google transforma prédio dos anos 1940 em centro de IA

Instalação para até 400 profissionais mostra como localização, infraestrutura existente e capacidade de adaptação podem pesar mais que a idade do ativo

Por Redação

Google transforma prédio dos anos 1940 em centro de IA

Projeto arquitetônico do Brasil Arquitetura, com execução da Racional Engenharia, adaptou o Edifício Adriano Marchini para receber o novo Centro de Engenharia do Google em São Paulo. Foto: Divulgação


O novo Centro de Engenharia do Google em São Paulo começou a operar em um endereço pouco associado à imagem convencional de uma empresa que trabalha na fronteira da tecnologia. A instalação ocupa o Edifício Adriano Marchini, prédio 1 do campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), construído na década de 1940 e adaptado para receber até 400 profissionais dedicados a inteligência artificial, privacidade, segurança digital e acessibilidade.

A companhia não escolheu apenas uma estrutura disponível para instalar mais um escritório. O projeto foi concebido como reuso adaptativo, preservando a história e os traços arquitetônicos externos do edifício enquanto reorganizava seus ambientes internos para uma nova ocupação. Ao anunciar o início da revitalização, em 2024, o Google apresentou o imóvel como parte de sua expansão da engenharia no Brasil.

A decisão colocou uma operação dedicada ao desenvolvimento de tecnologias contemporâneas dentro de uma estrutura criada quando inteligência artificial, computação em nuvem e redes digitais ainda não faziam parte do programa de um edifício corporativo. O interesse do caso está justamente nessa distância entre a idade do ativo e as funções que ele passou a receber.


Foto: Divulgação


Por que o Google escolheu um prédio dos anos 1940

Parte da resposta está fora das paredes do Edifício Adriano Marchini. A unidade integra o IPT Open, programa de inovação aberta que aproxima empresas, centros de pesquisa, startups e universidades. O ecossistema reúne 14 parceiros e oferece acesso a 28 laboratórios, distribuídos em 113 mil metros quadrados de infraestrutura de pesquisa.

Instalado dentro da Cidade Universitária e ao lado da Universidade de São Paulo, o centro fica próximo de pesquisadores, engenheiros, estudantes e laboratórios. Em vez de tratar o endereço somente como uma decisão imobiliária, a parceria o insere em uma rede de pesquisa e desenvolvimento que já existia no campus. O IPT descreve a instalação como uma ampliação das conexões entre ciência, empresas, formação de talentos e desenvolvimento tecnológico.

Esse componente territorial ajuda a explicar por que a idade do edifício não encerrou a análise do ativo. Um empreendimento novo poderia oferecer menos restrições construtivas, mas não reproduziria automaticamente a proximidade com a USP, os laboratórios do IPT e as organizações reunidas pelo programa de inovação aberta.

Em mercados urbanos consolidados, localização, acesso a talentos e conexão com instituições de pesquisa podem pesar tanto quanto a idade ou a configuração original de um imóvel. No caso do Google, a escolha pelo campus mostra que o edifício e o ecossistema ao redor foram considerados como partes de uma mesma infraestrutura.

Google transforma prédio dos anos 1940 em centro de IA

 Foto: Divulgação

Como o edifício foi transformado
A adaptação preservou a estrutura existente, mas alterou o modo como o edifício utiliza energia, água e condições ambientais. Entre as soluções implantadas estão painéis fotovoltaicos, captação e tratamento de águas pluviais para uso em banheiros e irrigação, sensores inteligentes para acionamento do ar-condicionado e estratégias de aproveitamento da iluminação, da ventilação e do sombreamento naturais.

Esses recursos fazem parte de uma intervenção que precisava conciliar duas condições: manter elementos associados à identidade do edifício e criar ambientes aptos a receber uma operação de engenharia. A modernização, portanto, não se limitou à aparência ou à reorganização dos postos de trabalho. Ela alcançou sistemas que permanecerão vinculados ao consumo e à operação cotidiana do ativo.

O programa interno também ultrapassa o de um escritório convencional. Além das equipes de engenharia, o complexo recebeu o Google Safety Engineering Center (GSEC), espaço integrado a uma rede internacional dedicada à colaboração com autoridades, especialistas e representantes da indústria em assuntos relacionados à segurança digital.

Outra frente é o primeiro Accessibility Discovery Center do Google na América Latina. O ADC foi anunciado como um espaço de aproximação entre desenvolvimento tecnológico e acessibilidade. A unidade possui cinco estações interativas dedicadas a jogos, audição, visão, cognição e mobilidade, nas quais tecnologias assistivas podem ser apresentadas e avaliadas com a participação de pessoas com deficiência.

O que esse projeto revela sobre os ativos existentes
A escolha do Google acompanha um movimento que vem ganhando espaço em diferentes mercados: olhar para edifícios existentes como ativos capazes de receber novas funções, em vez de tratá-los apenas como estruturas destinadas à substituição. O chamado reuso adaptativo parte da ideia de preservar parte da construção enquanto sua infraestrutura é atualizada para atender exigências que não existiam quando o imóvel foi concebido.

No caso do Centro de Engenharia do Google, essa transformação não ocorreu apenas dentro do edifício. A operação passou a fazer parte de um ambiente que conecta empresas, universidades, pesquisadores e startups, ampliando o papel do imóvel para além de um espaço corporativo tradicional. A cafeteria aberta ao público, instalada no térreo, segue essa mesma lógica ao criar um ponto de encontro entre a companhia e a comunidade que circula diariamente pelo campus do IPT.

O projeto também se conecta ao debate sobre o impacto ambiental das construções existentes. A Built by Nature aponta que estratégias de renovação e reuso adaptativo podem reduzir as emissões de carbono incorporadas quando comparadas à demolição e construção de um novo edifício equivalente. Os resultados variam conforme as condições de cada projeto, mas ajudam a explicar por que a reutilização de estruturas existentes passou a integrar discussões sobre sustentabilidade no setor imobiliário.

O caso mostra que a avaliação de um ativo vai além de sua idade. Localização, acesso à infraestrutura urbana, proximidade com centros de pesquisa, disponibilidade de talentos e capacidade de adaptação passaram a influenciar decisões que antes eram analisadas principalmente sob a perspectiva da construção em si.

O Edifício Adriano Marchini continua sendo um prédio da década de 1940. O que mudou foi sua função. A estrutura que durante décadas fez parte da história da pesquisa tecnológica paulista agora abriga atividades voltadas ao desenvolvimento de inteligência artificial, segurança digital e acessibilidade. Mais do que recuperar um edifício antigo, o projeto mostra como um ativo existente pode ser inserido em um novo ciclo tecnológico sem perder sua identidade arquitetônica nem sua conexão com o ambiente em que está inserido.

Como construímos este material
Esta matéria foi elaborada com informações públicas do Google e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), complementadas por referências sobre reuso adaptativo e modernização de edifícios existentes. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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