Por Redação

O avanço da inteligência artificial e a consolidação do trabalho híbrido levaram muitas empresas a reavaliar o papel dos escritórios. Em alguns casos, a resposta veio na forma de redução de áreas e maior flexibilidade de ocupação. No QuintoAndar, a estratégia seguiu outra direção. Ao mesmo tempo em que anunciou um investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia para os próximos dois anos, a companhia inaugurou uma nova sede em São Paulo com mais de 7 mil metros quadrados, ampliando significativamente sua presença física.
A decisão chama atenção porque parte de uma das empresas mais associadas à digitalização do mercado imobiliário brasileiro. Fundado com a proposta de simplificar processos de locação e compra de imóveis por meio da tecnologia, o QuintoAndar aposta agora em uma combinação que tem ganhado força entre organizações intensivas em conhecimento: ampliar capacidades digitais sem abrir mão dos espaços dedicados à colaboração presencial.
Batizada de Vila QuintoAndar, a nova sede está localizada na Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista, dentro do complexo Arquipeo. Segundo a empresa, o espaço mais que dobrou em relação ao escritório anterior e foi projetado para apoiar a construção coletiva de projetos, a troca de conhecimento e a integração entre equipes distribuídas em diferentes países.
O escritório muda de função
Mais do que ampliar área, a empresa parece responder a uma discussão que vem ganhando espaço no universo corporativo: qual deve ser a função do escritório em uma era marcada por ferramentas digitais, automação e inteligência artificial?
A configuração da nova sede oferece pistas sobre essa resposta. Em vez de priorizar posições fixas de trabalho, o projeto foi estruturado para favorecer encontros, interação e colaboração multidisciplinar. A infraestrutura para reuniões foi triplicada e passou a contar com 230 assentos. O espaço inclui ainda dez salas colaborativas destinadas a sessões de trabalho intensivo, um auditório com capacidade para até 300 pessoas e áreas desenhadas para estimular interações espontâneas.
A opção por uma laje única também segue uma tendência observada em diversos projetos corporativos recentes. Ao reduzir barreiras físicas entre departamentos, empresas buscam acelerar a circulação de informações e aproximar profissionais que antes trabalhavam de forma mais isolada.
“A nova sede reforça nossa visão de uma cultura híbrida, global e conectada. Flexibilidade e colaboração presencial podem coexistir. E esse espaço foi feito para abrigar todos os nossos colaboradores e parceiros espalhados pelo mundo”, afirmou Deborah Abi-Saber, CHRO do QuintoAndar.

Tecnologia e espaço físico deixam de competir
Durante os anos de consolidação do trabalho remoto, uma das interpretações mais comuns era que os investimentos em tecnologia inevitavelmente levariam à redução da importância dos escritórios. A experiência de muitas organizações, porém, mostrou um cenário mais complexo.
O relatório global Gensler Global Workplace Survey aponta que os ambientes de trabalho com melhor desempenho são aqueles que equilibram atividades individuais, colaboração, aprendizagem e interação social. A edição mais recente do levantamento identificou que funcionários que trabalham em ambientes considerados de alto desempenho apresentam níveis significativamente maiores de inovação, engajamento e intenção de permanência na empresa.
A mesma discussão aparece em estudos da CBRE. Em sua pesquisa global sobre ocupação corporativa, a consultoria identificou que a colaboração presencial continua entre os principais fatores que levam profissionais a se deslocarem até o escritório, especialmente em empresas ligadas a inovação, tecnologia e serviços especializados.
Já a Leesman, referência global em experiência dos ambientes de trabalho, vem registrando uma mudança consistente nas expectativas dos usuários. Os dados mostram que atividades relacionadas à interação social, construção de relacionamentos, aprendizagem e trabalho em equipe apresentam desempenho superior nos escritórios quando comparadas ao trabalho remoto.
Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser vista como substituta do escritório e passa a atuar como complemento. Enquanto plataformas digitais ampliam produtividade, automação e acesso à informação, os ambientes corporativos assumem um papel cada vez mais relacionado à construção de relacionamentos, cultura organizacional e desenvolvimento de soluções complexas.
Uma nova geografia corporativa
A escolha da Vila Leopoldina também chama atenção. Historicamente, os principais polos corporativos de São Paulo se concentraram em regiões como Faria Lima, Berrini, Chucri Zaidan e Paulista. Nos últimos anos, entretanto, novos eixos vêm atraindo empresas em busca de maior flexibilidade imobiliária, espaços mais amplos e projetos capazes de acomodar modelos contemporâneos de ocupação.
Ao optar por uma localização fora dos circuitos corporativos mais tradicionais, o QuintoAndar reforça uma tendência observada em parte do mercado: a busca por regiões capazes de oferecer maior flexibilidade para expansão, novos formatos de ocupação e custos potencialmente mais competitivos.
A própria empresa relaciona a decisão à identidade do negócio. “A nova casa foi pensada para refletir a nossa personalidade como empresa, mantendo o caráter disruptivo de inovação em um ambiente de transformação local, fora do circuito óbvio da Faria Lima ou da Avenida Paulista”, afirmou Deborah Abi-Saber.
Crescimento da operação sustenta expansão física
A inauguração da nova sede ocorre em um momento de expansão acelerada da companhia. Segundo o QuintoAndar, a receita da empresa cresceu quinze vezes desde 2020. A plataforma já ultrapassou a marca de três milhões de pessoas atendidas, sendo um milhão apenas nos últimos 18 meses.
Paralelamente, a companhia anunciou um investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia para os próximos dois anos. Segundo Gabriel Braga, CEO do QuintoAndar, o objetivo é ampliar o uso de inteligência artificial e acelerar o desenvolvimento de soluções capazes de transformar a experiência de compra, venda e locação de imóveis.
“Temos uma visão muito clara para o futuro do mercado imobiliário. Acreditamos que a tecnologia e a inteligência artificial vão redefinir a forma como as pessoas encontram, negociam e vivem em seus lares. Estamos investindo para resolver problemas reais para milhões de pessoas”, afirmou o executivo.
O que a nova sede sinaliza para o mercado
O anúncio simultâneo do investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia e da inauguração da Vila QuintoAndar reforça uma percepção que vem ganhando espaço no mercado corporativo. A discussão já não gira em torno da substituição do escritório pela tecnologia, mas da combinação entre ferramentas digitais avançadas e ambientes físicos desenhados para potencializar colaboração.
O projeto da nova sede foi concebido justamente para esse cenário. A preferência por uma laje única, a ampliação da capacidade para reuniões, a criação de espaços colaborativos e a integração com áreas compartilhadas do empreendimento refletem uma visão de escritório voltada menos para atividades individuais e mais para construção coletiva de conhecimento.
Em vez de competir, tecnologia e espaço corporativo passam a desempenhar funções complementares. Para empresas que dependem de inovação contínua, o desafio deixa de ser escolher entre trabalho presencial ou remoto e passa a envolver a construção de experiências capazes de integrar pessoas, conhecimento e tecnologia de forma mais eficiente.
Como construímos este material
Esta matéria foi desenvolvida a partir das informações divulgadas pelo QuintoAndar sobre a inauguração da Vila QuintoAndar e o anúncio de investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia, complementadas por estudos sobre ambientes corporativos produzidos pela Gensler, CBRE e Leesman. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].