Por Léa Lobo

Prédios não tomam decisões. Não assinam operações financeiras, não escolhem estratégias e não respondem pelos atos de quem ocupa suas salas. Prédios recebem pessoas. Guardam conversas, projetos, ambições, encontros e despedidas.
Mas um endereço não é autor da história que abriga, e sim da história de quem o construiu. E talvez seja justamente agora, com seus ambientes silenciosos e cuidadosamente preservados, que o Auri Faria Lima possa ser observado pelo que realmente é, um edifício construído a partir de um sonho, não apenas para impressionar na inauguração, mas para continuar funcionando, amadurecendo e mantendo seu valor ao longo do tempo. Não é sobre um prédio, não é só engenharia ou arquitetura, é sob legado familiar e um presente para a cidade paulista.
Construir pensando no dia seguinte da operação
Visito muitos edifícios corporativos. Poucos, no entanto, revelam de maneira tão clara a diferença entre construir para entregar e construir para permanecer. Essa diferença começa na trajetória dos irmãos Renato e Guilherme Auriemo, idealizadores do projeto.
Antes de se dedicar à incorporação imobiliária, Renato acumulou décadas de experiência em construção, manutenção e gestão predial. Essa vivência contribuiu para que o Auri fosse pensado a partir de uma pergunta que nem sempre aparece nas pranchetas: como este edifício será operado quando a obra terminar?
No Auri, a operação predial não entrou no projeto depois que tudo estava desenhado. Ela participou das decisões. Em determinado momento, por exemplo, a equipe técnica alertou que um forro especialmente desenvolvido para o empreendimento seria difícil de remover e substituir no futuro. O sistema precisou ser revisto. É um pequeno episódio, quase invisível para quem caminha pelos andares, mas que traduz uma filosofia inteira, de que beleza que não pode ser mantida acaba se tornando um problema operacional.
O conhecimento acumulado na gestão de edifícios aparece também na distribuição dos fluxos, nos acessos independentes, nos elevadores destinados a diferentes públicos, na logística do restaurante, nos camarins do acolhedor teatro, nas áreas de eventos e até nas condições de trabalho das equipes que permanecem nos bastidores.
O conforto, nesse caso, não foi pensado apenas para presidentes e visitantes. Chega ao ciclista, ao técnico de som, ao profissional da cozinha, à equipe de manutenção e a quem diariamente faz o prédio funcionar.

Sustentabilidade que pode ser sentida
Renato Auriemo resume o projeto em quatro pilares: sustentabilidade, qualidade de vida, flexibilidade e exclusividade. No Auri, esses conceitos não aparecem apenas nas especificações técnicas ou nas placas de certificação. Eles podem ser percebidos na luminosidade dos ambientes, na circulação do ar, na amplitude dos pavimentos e na possibilidade de sair por alguns minutos de uma sala climatizada para respirar em um espaço aberto.
Diferentemente de grande parte dos edifícios corporativos contemporâneos, o Auri não foi concebido como uma caixa de vidro totalmente selada. Seus pavimentos contam com quatro terraços distribuídos ao redor do edifício, permitindo ventilação natural, circulação de ar e a possibilidade de utilizar os espaços externos como ambientes de trabalho, reunião ou pausa.
Durante a implantação, o prédio chegou a atravessar meses, inclusive um verão, sem depender integralmente do sistema de ar-condicionado, mantendo ventilação e condições ambientais adequadas para as equipes presentes. A experiência demonstrou que a ventilação natural não era apenas um recurso estético do projeto, mas uma característica efetivamente funcional. Esse é um ganho de imensurável valor, em momentos de altas temperaturas climáticas.
Essa abertura para o exterior trabalha em conjunto com um sistema avançado de renovação do ar. Por meio de rodas entálpicas, parte da energia térmica do ar que deixa o edifício é reaproveitada para auxiliar no tratamento do ar novo que entra. A solução busca equilibrar dois desafios que frequentemente entram em conflito, como qualidade do ar interno e eficiência energética. É uma arquitetura que, literalmente, respira.
Essa combinação entre desempenho ambiental, eficiência operacional, qualidade do ar, uso racional de recursos e bem-estar dos usuários ajudou o empreendimento a alcançar algumas certificações, entre elas a LEED Platinum, o mais elevado nível da certificação internacional de construções sustentáveis.
A dimensão do espaço e um pé-direito generoso
Há também uma sensação de amplitude difícil de traduzir apenas por fotografias. Nos pavimentos corporativos, o pé-direito livre chega a 3,15 metros entre o piso e o forro, enquanto a distância do piso à laje alcança 3,98 metros. Alguns andares foram projetados com pé-direito duplo, justamente para ampliar a percepção espacial e criar ambientes mais abertos e generosos.
Em um mercado que, durante décadas, buscou comprimir áreas, reduzir alturas e calcular a eficiência quase exclusivamente pela quantidade de pessoas acomodadas por metro quadrado, o Auri segue por outra direção. O espaço não é tratado apenas como uma metragem a ser ocupada, mas como parte da experiência das pessoas e livre de pilares nas áreas de trabalho.
O resultado aparece na entrada abundante de luz natural, na relação com os terraços, na sensação de respiro e na possibilidade de adaptar os ambientes a diferentes maneiras de trabalhar. É uma amplitude que não se mede apenas em centímetros, mas na forma como o corpo percebe o lugar.
Uma fachada que também comunica
A fachada do Auri não é apenas a face externa do edifício. Ela também funciona como uma plataforma de comunicação. Painéis de LED instalados em diferentes pontos podem operar de forma individualizada ou integrada, permitindo que uma empresa receba seus colaboradores, se comunique com visitantes, anuncie um evento ou conecte o conteúdo exibido no teatro e nas áreas internas à identidade visual do negócio.
Essa comunicação acontece de maneira limpa, tecnológica e incorporada à arquitetura, sem competir com ela. O sistema de iluminação da fachada possui cerca de 256 módulos programáveis, com inúmeras possibilidades de cores, movimentos e combinações. Assim, o edifício pode se apresentar de maneiras distintas de acordo com o momento, a empresa, uma celebração ou uma ação especial. Nas palavras de Renato Auriemo, é como se o prédio pudesse “se vestir” para cada ocasião.
Mais do que produzir efeitos visuais, essa capacidade oferece algo especialmente valioso às empresas contemporâneas, que é a possibilidade de transformar o próprio endereço em um canal de comunicação, pertencimento e expressão de marca.
Flexibilidade preparada para o uso
Os diferenciais do Auri não estão apenas nos equipamentos. Estão nos terraços presentes em todos os pavimentos, nas lajes livres de pilares internos, nos espaços de convivência, no restaurante, no rooftop, no teatro e nas áreas que podem mudar de configuração conforme a necessidade de cada ocupante. Estão, sobretudo, na possibilidade de uma empresa chegar e começar a ocupar o edifício com rapidez, sem atravessar longos meses de obras, adaptações e improvisações.
Parte importante da infraestrutura instalada está pronta. Os espaços passaram por checklists, correções e uma cuidadosa desmobilização. Alguns pavimentos sequer chegaram a ser utilizados. Na visão de Auriemo, o prédio está hoje em uma condição rara, novo, mas já tendo atravessado o período inicial de ajustes e estabilização comum a qualquer grande empreendimento. É, de certa maneira, um edifício melhor do que novo.
Durante a visita, uma frase foi repetida diante de um pequeno ajuste que ainda precisava ser feito. “Mesmo vazio, tem que cuidar.” Talvez essa seja uma das declarações mais importantes sobre o Auri.
Um edifício não conserva seu valor apenas por ter mármore, tecnologia ou uma fachada reconhecível. Ele conserva valor quando existe alguém observando os detalhes, testando os sistemas, verificando os ambientes e impedindo que o tempo transforme pequenas falhas em grandes problemas. Hoje disponível, o Auri parece estar "em uma breve pausa".
O próximo capítulo com ocupação imediata
Originalmente concebido para receber uma única grande organização, o edifício também pode ser ocupado por diferentes empresas. A mudança amplia sua vocação. Tecnologia, finanças, entretenimento, serviços profissionais, escritórios de advocacia e companhias que valorizam ambientes de colaboração podem compartilhar as áreas comuns sem perder identidade e privacidade. Essa possibilidade talvez seja particularmente simbólica.
Depois de ter sua imagem associada durante algum tempo a um único ocupante, o Auri pode agora se tornar um lugar de encontros, diversidade e novas conexões. Para uma empresa que procura um endereço representativo, flexível, tecnologicamente preparado e capaz de apoiar a atração de talentos, a oportunidade não está em ocupar a antiga sede de uma instituição. Está em inaugurar o próximo capítulo do Auri Faria Lima.
Os ocupantes passam. As marcas mudam. As organizações crescem, encolhem, prosperam ou desaparecem. A boa arquitetura permanece. E edifícios realmente bem construídos e mantidos por profissionais experientes, como as equipes de Eduardo Brandão e João Ricardo Guarino da Silva, têm uma maneira silenciosa de sobreviver às histórias provisórias, pois continuam respirando, continuam funcionando e aguardam locatários, que mais do que um escritório, procuram por um ambiente pronto com inúmeras tecnologias incorporadas e inúmeras possibilidades para ancorar negócios de valor.
Quer conhecer? Veja o vídeo:
