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Método de incorporação dos critérios ESG nos processos decisórios

Apesar de convergências, ainda não há consenso sobre o que priorizar nos critérios de ESG. Leia o segundo artigo da série "A corda bamba do ESG".

Por George Barcat

Método de incorporação do critérios ESG nos processos decisórios

Imagem: Canva.com/ Khaosai Wongnatthakan 


Os critérios ESG servem para orientar uma empresa na arte de avaliar as consequências (impactos positivos e negativos) de suas ações e inações sobre o meio ambiente, a sociedade e a própria empresa.

A avaliação deve ser arquitetada e concretizada de tal forma que os seus resultados sejam simultaneamente úteis para a própria empresa (definição de diretrizes, metas e práticas) e para seus stakeholders, em especial, acionistas, clientes e agentes financeiros.

Confira artigo anterior: Qual é a corda bamba do ESG?


Atualmente, existem centenas de frameworks ESG ; isto revela que, apesar de algumas convergências, ainda não há consenso sobre o que priorizar e tampouco sobre como avaliar o que está sendo feito.

É fácil ver que analisar tudo isso e decidir o que fazer é como caminhar em um denso e extenso cipoal sem ter um facão afiado. Pois bem, o método que apresentamos aqui foi concebido para ser este facão.

A seguir descrevemos os passos do método e, ainda que óbvio, reforçamos que eles devem ser conduzidos pela alta direção:
- O primeiro passo é reunir as diretrizes ambientais, sociais e de governança da empresa em uma única política, chamada, por exemplo, de Política de Desenvolvimento Sustentável.
- O segundo passo é escolher pelo menos dois ou três frameworks para criar uma Escala de Avaliação constituída de Índices e Indicadores que possibilitem a avaliação do cumprimento das Diretrizes a partir dos critérios ESG selecionados.  
    Esta Escala é a espinha dorsal do método e, no próximo artigo, daremos detalhes de sua estrutura e operação.
    Também mostraremos como ela possibilita que uma empresa efetue um único programa para integrar o ESG com o GRC (Governança, Risco e Compliance).

- O terceiro passo, é elaborar um questionário para realizar o 1º Ciclo de Medição dos Índices e Indicadores. 
- O quarto passo é avaliar os Índices e Indicadores a fim de verificar em que medida as diretrizes da Política de Desenvolvimento Sustentável estão sendo cumpridas. 
- O quinto passo é usar os resultados da avaliação para aperfeiçoar a Política e as Metas de Desenvolvimento Sustentável bem como as práticas destinadas a materializar tais diretrizes e metas. 
    Sendo assim, a Escala de Avaliação das ações de Desenvolvimento Sustentável funciona como um GPS, isto é, um Guidelines Positioning System.
- O sexto passo é distribuir os passos anteriores em um Ciclo PDCA do Processo Decisório do Conselho e da Diretoria.

Este método, além de propiciar a integração do ESG com o GRC, propicia:
- A organização holística de todos os indicadores da empresa, diminuindo o número de dashboards, BIs etc. e, também, de reuniões.
- A transformação do Relatório de Sustentabilidade em um artefato de desenvolvimento de estratégias e planejamentos, o que faz dele algo ainda mais importante do que um documento de prestação de contas.

Por fim, o método também inclui procedimentos e ferramentas, baseados na abordagem comportamental. Essa abordagem parte do seguinte princípio: os processos decisórios não são puramente lógicos e racionais, pois são intensamente afetados por fatores psicológicos, cognitivos e sociais, geralmente ocultos (ou varridos para debaixo do tapete): emoções, vieses, atalhos mentais, autointeresse, pressões etc. Falaremos sobre isso no quarto e último artigo desta série.


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