Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Por Léa Lobo


Quando cultura, facilities e negócios falam a mesma língua na educação

A G4 Educação nasceu com uma ambição clara de profissionalizar a gestão das pequenas e médias empresas brasileiras e acelerar o crescimento sustentável dos negócios por meio de educação prática, aplicada e orientada a resultado. Em pouco mais de cinco anos, a empresa saiu do estágio de “startup promissora” para o de organização em escala, com números que falam por si: mais de 55 mil clientes atendidos, faturamento de R$ 500 milhões em 2025, crescimento anual acima de 50% e impacto direto na geração de centenas de milhares de empregos.

Mas por trás desses indicadores há um elemento que, à primeira vista, costuma ser invisível e que, no G4, virou diferencial competitivo, a integração radical entre cultura, pessoas, espaços e operação. Para entender como isso acontece na prática, a Revista InfraFM conversou com Thays Borin, gerente de Talent Management, Cultura & Inovação, e com Rafael Alves, gerente de Facilities, Operações, Manutenção e Obras. O resultado é um retrato raro de maturidade organizacional para uma empresa jovem e uma aula prática de Facility Management conectado ao negócio.

Quando cultura, faciities e negócio falam a mesma língua na educação

Rafael Alves; gerente de Facilities, Operações, Manutenção e Obras e Thays Borin; gerente de Talent Management, Cultura & Inovação

Facilities nasce estratégico porque não pode falhar

Quando Rafael Alves chegou ao G4, em março de 2022, o cenário era típico de empresas em rápido crescimento, uma operação funcionando, mas sem estrutura dedicada de Facilities. O escritório ficava em um coworking com cerca de 70 posições. O desafio era claro e grande. “Precisávamos sair de um espaço pequeno para um prédio que comportasse 250 pessoas, estruturar a área do zero e, ao mesmo tempo, garantir que a empresa não parasse”, relembra.

Além da mudança e da reforma completa do novo prédio, Rafael foi responsável por criar a área de Facilities, estruturar processos, montar equipe, internalizar parte da manutenção e transformar o que antes era apenas execução reativa em gestão inteligente e antecipação de riscos. Hoje, a operação soma cerca de 5 mil m², incluindo escritório administrativo para cerca de 450 pessoas; dois grandes espaços de eventos, com auditórios para 150 e 60 pessoas; salas de mentoria, reuniões, coworking para membros da comunidade G4; estúdio de podcast e áreas multifuncionais; e uma operação que funciona de domingo a domingo, praticamente 24 horas por dia, com ocupação média de 95%.

“Se eu erro, eu travo o negócio. Não existe margem para falha. Facilities aqui não acompanha o negócio, ele se antecipa, porque sem isso a operação não acontece”, resume.

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Workplace com ambientação, rituais e experiências que colocam todo mundo no mesmo ‘mood’ do negócio

Cultura não é discurso
Essa visão encontra eco direto na área de Pessoas. Para Thays Borin, cultura organizacional só existe quando vira comportamento cotidiano e o ambiente físico é uma poderosa ferramenta para isso. “A gente usa o escritório como extensão da estratégia. Não é só comunicação interna ou discurso da liderança. São telas, layouts, ambientação, rituais e experiências que colocam todo mundo no mesmo ‘mood’ do negócio”, explica.

Quando o G4 enfrentou períodos de pressão por metas, por exemplo, o espaço físico foi ativado como elemento de mobilização coletiva. Em uma reta final de ano especialmente desafiadora, com a necessidade de gerar R$ 53 milhões em cerca de 50 dias, o escritório virou uma verdadeira vitrine de engajamento, com camisetas personalizadas, bandeiras, ambientação temática, música e comunicação visual reforçando o objetivo comum. “Todo mundo vende. Somos uma empresa só, um time só. O espaço ajuda a materializar isso”, conta Rafael.

Agilidade que vira exemplo, inclusive para os alunos

A conexão entre Facilities, cultura e negócio ficam ainda mais evidente nos momentos de crise. Em um grande evento presencial, uma falha externa de energia deixou um dos espaços de eventos indisponível por horas. A solução? Transformar o próprio escritório em auditório, em tempo recorde.

“Desmontamos o refeitório, montamos palco, som, iluminação, tudo em poucas horas. O evento aconteceu. E o mais interessante foi o feedback dos alunos, pois eles viram na prática o que o G4 ensina, que é agir rápido, resolver problemas e não terceirizar responsabilidade”, relata Rafael. Nesse modelo, Facilities deixa de ser bastidor e vira case vivo de aprendizagem.

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Crescimento anual acima de 50% e impacto direto na geração de centenas de milhares de empregos

Terceiros como parte do time, e não como custo

Outro ponto que chama atenção é a forma como o G4 integra equipes terceirizadas de limpeza, segurança e apoio. Antes, o turnover era alto: em um time de cerca de 20 pessoas, perdia-se uma ou duas por mês. A virada veio com uma decisão simples e poderosa. 
“Passamos a tratar essas pessoas como parte do G4. Elas participam dos rituais, das reuniões, das celebrações. Pagamos um pouco acima do mercado, oferecemos benefícios e, principalmente, mostramos o impacto do trabalho delas no negócio”, explica Rafael.

O resultado foi imediato, com queda drástica no turnover, redução de custos indiretos e aumento significativo da qualidade do serviço. Hoje, a área “gasta menos pagando mais”, porque elimina perdas, retrabalho e improvisos.

O gesto mais simbólico? A liberação de acesso gratuito aos cursos online do G4 para todos os terceiros. Um investimento relevante, mas totalmente alinhado ao propósito da empresa. “Educação transforma. Não importa se a pessoa está na limpeza, na segurança ou na liderança. Ela pode empreender, crescer, mudar de vida”, afirma Thays.

Facilities com métricas, inteligência e visão de futuro

Quando cultura, facilities e negócio falam a  mesma língua na educação

Gestão de FM com indicadores claros, planejamento financeiro detalhado e métricas per capita

Nada disso acontece sem método. A área de Facilities do G4 opera com indicadores claros, planejamento financeiro detalhado e métricas per capita: consumo de água, energia, manutenção, descartáveis e custos operacionais são calculados por pessoa, considerando colaboradores e alunos. 

Esse modelo permite planejar crescimento sem expansão imediata de infraestrutura, um desafio central para uma empresa que busca crescer 50% ao ano mantendo eficiência máxima. “O meu maior desafio hoje é crescer sem aumentar espaço físico. Com 95% de ocupação, qualquer erro custa caro. Então tudo é pensado com antecedência, cenários, layouts flexíveis, expansão modular e muita criatividade”, explica Rafael.

Se a eficiência operacional passa cada vez mais por tecnologia e automação, ambos concordam que o diferencial humano seguirá central. “Estou estudando muito inteligência artificial para ganhar eficiência, criar indicadores e automatizar análises. Esse é o ano da IA para Facilities”, diz Rafael. Thays complementa com uma visão estratégica: “A IA dá base, acelera, organiza. Mas o valor real continua vindo das relações humanas, da colaboração, do repertório, da capacidade de conectar áreas e pessoas. Isso nenhuma tecnologia substitui”.

Um recado claro para o mercado de Facilities

A experiência do G4 Educação deixa um recado direto para o setor: Facilities não é custo, é motor de crescimento. Quando conectado à cultura, à estratégia e ao negócio, vira vantagem competitiva real. “Facilities precisa parar de olhar só para ar-condicionado e contrato. Precisa entender o negócio, antecipar riscos, criar soluções e ter voz na decisão”, afirma Rafael.

No G4, essa voz existe. E faz diferença. Educação que vira resultado. Cultura que vira prática. Facilities que vira estratégia. O resto, de fato, é discurso.


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Mercado

Woba lança agentes de IA para gestão imobiliária corporativa e aposta em nova fase do workplace

Plataforma apresentada durante a Expo InfraFM promete apoiar decisões ligadas a custos, operação e experiência dos colaboradores por meio de inteligência artificial aplicada ao real estate corporativo

Mercado

Congresso InfraFM 2026 começa com imersões em operações de referência

Primeiro dia do Congresso InfraFM foi marcado por visitas técnicas em empresas e operações de diferentes segmentos, proporcionando aos participantes uma visão prática sobre gestão de infraestrutura, manutenção, tecnologia, segurança, sustentabilidade e eficiência operacional

AstraZeneca traduz crescimento, bem-estar e brasilidade em novo escritório em São Paulo

Com 2.300 m² na Torre Jatobá, o novo escritório da AstraZeneca em São Paulo foi projetado para apoiar o modelo híbrido, priorizando colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar dos colaboradores, com elementos de brasilidade e gestão por

Operações

Perder o prazo do LEED pode adiar certificações estratégicas até 2027

Cronograma do GBCI mostra que projetos que buscam certificação antes da Greenbuild ou até o fim do ano precisam antecipar documentação, pagamento e análise técnica

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea