Congresso Abrafac 2026 conecta pertencimento e inteligência na gestão dos ambientes

Encontro realizado em São Paulo reuniu discussões sobre experiência das pessoas, maturidade operacional, inteligência artificial e o papel estratégico do Facility Management.

Congresso Abrafac 2026 conecta pertencimento e inteligência na gestão dos ambientes

Foto: Divulgação


Como transformar ambientes que funcionam em espaços onde as pessoas se sentem consideradas? E como incorporar inteligência artificial à operação sem perder de vista os fundamentos da gestão? Essas questões atravessaram a programação do Congresso Abrafac & Expo FM 2026, realizado nos dias 5 e 6 de outubro, no Sheraton São Paulo WTC Hotel.

Com o tema “FM: Cultivando o pertencimento por meio dos ambientes construídos”, o evento aproximou desafios humanos e operacionais do ecossistema de Property, Workplace e Facility Management. A agenda reuniu debates sobre resiliência, gestão da mudança, contratação de serviços, liderança, descarbonização e uso de dados para apoiar decisões.

Na abertura, Lívia Lourenço, presidente da entidade, destacou a responsabilidade dos profissionais do setor na criação de condições para que as pessoas possam trabalhar, colaborar e se desenvolver. Em sua última abertura do congresso à frente da presidência, apresentou um balanço da gestão e reforçou a importância da participação dos associados, dos comitês técnicos e da aproximação entre entidades.

Congresso Abrafac 2026 conecta pertencimento e inteligência na gestão dos ambientes

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Pertencimento se constrói nas decisões do cotidiano
Na palestra de abertura, Maristella Iannuzzi, fundadora e CEO da CMI Business Transformation, trouxe uma provocação que sintetizou a discussão: “estar não é pertencer”. A partir de experiências de sua trajetória profissional, mostrou como ambientes e processos podem desconsiderar necessidades de quem os utiliza. Entre os exemplos, mencionou a ausência de infraestrutura adequada para mulheres em obras, barreiras de acessibilidade, condições de conforto térmico e falta de espaços de apoio para trabalhadores.

Sua abordagem conectou pertencimento às atribuições de FM. Iluminação, qualidade do ar, temperatura, circulação, copas, vestiários e áreas de descanso fazem parte da experiência diária e precisam ser avaliados considerando diferentes perfis de usuários.

A reflexão alcançou também os profissionais responsáveis por manter os ambientes em funcionamento. Reconhecer pelo nome quem atua na limpeza, na segurança, na recepção e na manutenção, ouvir suas percepções e oferecer condições adequadas de trabalho foram apresentados como práticas coerentes com uma gestão que pretende gerar pertencimento.

Maristella defendeu a escuta antes da implantação de projetos e mudanças. Além de observar se os espaços são utilizados como previsto, o gestor precisa perguntar como as pessoas vivenciam esses ambientes. O cuidado com a experiência, nessa perspectiva, integra a gestão e sua relação com os resultados do negócio.

Inteligência operacional começa pela qualidade da gestão
Hugo Pereira, diretor geral da Orion Engenharia, abordou o tema “IFM: Intelligent Facility Management” propondo uma reflexão sobre os fundamentos necessários para tornar uma operação mais inteligente.

A inteligência artificial esteve presente na discussão, mas sua aplicação foi associada à existência de dados confiáveis, processos estruturados e conhecimento sobre a realidade de cada instalação. Saber sobre operação predial de forma genérica é diferente de conhecer os equipamentos, o histórico e as particularidades de um edifício. Hugo destacou cinco fundamentos para orientar a gestão: o valor das pessoas, as consequências de adiar a manutenção, a dependência de energia, a preservação da memória operacional e a importância de uma rede de apoio.

Ao tratar da manutenção, chamou a atenção para os efeitos do adiamento de intervenções sobre custos, confiabilidade e vida útil dos ativos. Na gestão do conhecimento, apontou os riscos de deixar informações concentradas na memória dos profissionais: quando alguém sai da operação, podem desaparecer registros de intervenções, configurações, garantias e decisões técnicas.

A discussão também questionou a expectativa de que um único gestor domine todas as disciplinas necessárias ao funcionamento de uma instalação. A complexidade de FM exige equipes, parceiros e competências complementares, com responsabilidades bem definidas. O uso de tecnologia foi apresentado como parte desse amadurecimento. Medir, conectar informações e construir um histórico consistente são etapas que dão sustentação à análise e à tomada de decisão.

Uma agenda entre pessoas e resultados
As demais sessões ampliaram esse olhar para diferentes dimensões da gestão. No primeiro dia, a programação incluiu a reconstrução de organizações mais resilientes e humanas, com Levy Patriani, do Grupo Fleury, e Elida Rafachine, da Vale; o uso da IA para aproximar FM das decisões da diretoria, com Pedro Vasconcellos, da Woba; e o papel do Change Management em projetos de workplace, com Reynaldo Naves, da Olivia Brasil, e Rita Souza, da BeBrain.

No segundo dia, a pergunta “O seu escritório vale o deslocamento?”, tema da participação de Thais Trentin, da Workplace Arquitetura Corporativa, colocou em pauta o valor da experiência presencial.

A agenda também contemplou a evolução das solicitações de proposta e das relações de contratação em FM, com Alessandra de Azevedo Domingues, da FNA Advogados, e Isabela Vidal, da JLL. Liderança, engajamento e performance integraram a sessão com André Bresciani, da FATHO Gestão e Consultoria, e Oswald Berlinck, da Embraer.

A relação entre workplace e edifícios de baixo carbono esteve na programação com Marcelo Poli, do Grupo Carrefour Brasil, e Fernando Crespo, do SENAI São Paulo. Já Michael Augusto, do Grupo Verzani & Sandrini, e William Tatsch, da Midax Holding, participaram da sessão sobre inteligência artificial na gestão de facilities.

O encontro colocou em discussão uma responsabilidade que atravessa a rotina de FM, passando por conectar a qualidade da operação à experiência de quem utiliza e mantém os ambientes. Para os gestores, isso envolve tanto organizar dados e preservar ativos quanto ouvir pessoas e incorporar suas necessidades às decisões sobre espaços, serviços e investimentos.


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