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Network não é quem eu conheço, mas quem me conhece

Gesse Campos Camargo, membro da IFMA, fala sobre como ser lembrado pelos clientes como profissional que sempre busca melhores soluções.

Por Gesse Campos Camargo

Network não é quem eu conheço, mas quem me conhece

Sou o caçula e caipira de uma família de 17 filhos e, por isso, fui brindado com uma das principais felicidades da vida: crescer, viver e conviver com gente. Da família para o colégio, depois para a universidade, e então para o trabalho, gente sempre foi o meu ambiente. Assim, olho para o meu passado profissional e me lembro de quanto o convívio no trabalho foi o que mais me marcou ao longo dos últimos quase 60 anos. Se tenho a honra de participar desta comemoração, o que mais quero destacar foi o relacionamento amigo e enriquecedor com tanta gente em Facilities e Properties Management.

O primeiro grupo de amigos, pequeno, mas verdadeiros heróis da resistência, era composto por Altair Belling, Eduardo “Bo”, Celina Antunes, Thomaz Catunda e Sandra Ralston. E, me penitenciando antecipadamente, se esqueço alguém, tínhamos uma missão quase impossível: convencer as empresas de que estávamos prontos para assumir a gestão de toda sua infraestrutura, otimizando os resultados, melhorando a performance de instalações e processos e deixando mais satisfeitos todos os usuários. Pouco antes, eu tinha sido desafiado por dois grandes amigos da IBM, Remi Kaiber e Luiz Felipe, que querendo trazer a experiência internacional da IBM, simplesmente jogaram em minhas mãos uma pilha de contratos de terceiros, com uma frase mais ou menos assim: “não queremos mais cuidar disto, faça por nós o melhor que puder”. Ao mesmo tempo, o Vice-presidente da Brascan, um de nossos acionistas, numa reunião estratégica, colocou outro desafio: “Construímos edifícios e não podemos operar, controlar e satisfazer os ocupantes. Assuma este projeto”!

Como numa Olimpíada, esses dois desafios soaram como: “Estão abertos os Jogos Olímpicos...”.

Na época, quando chamávamos a atividade de “Quarteirização”, criamos a INFRA 4, para nomear um modelo gerencial de quarta geração, em que os terceiros ofereciam sua expertise na operação de todas as atividades sob a nossa batuta de gestores e integradores de serviço de infraestrutura.

Naquele instante, iniciamos um trabalho intenso de visitas a decisores estratégicos de grandes organizações, apresentar o novo conceito, realizar diagnósticos detalhados (quase uma Due Diligence) da infraestrutura para avaliar o perímetro, a qualidade, os recursos, as pessoas, os usuários, os processos, os materiais, as tecnologias, os sistemas de gestão, os custos e a satisfação geral. A responsabilidade gerencial era dividida pelo RH, Jurídico, Adm. Financeiro, Engenharia, um setor segmentado, sem sinergia, sem sistemas informatizados de gestão, modelo muito antigo, com pequenas variações de empresa para empresa. Esta desintegração causava, entre outras coisas, aumento de custos, perda de controle e insatisfação e uma luta renhida entre gestores e prestadores de serviços, para reduzir os custos.

Aquilo era um campo de batalha ao qual nos alistamos e vencer significava um esforço insano, mas persistente com pessoas, muitas, de diferentes níveis decisórios desde presidente até o mais simples prestador de serviço. Era preciso ouvi-los, ver seu trabalho, conviver por dias com as atividades, checar o comportamento de servidores e usuários, registrar seu grau de satisfação, vê-los se movimentando, usando as instalações, as máquinas e utensílios de trabalho, consumindo bens e descartando resíduos, o conforto e segurança das áreas de trabalho burocrático ou “chão de fábrica”, almoçando ou jantando com eles, avaliando as áreas verdes, o nível de sustentabilidade do meio ambiente, debruçando-se sobre relatórios, custos, investimentos, lucros e perdas.

Que guerra santa, com o privilégio de sair vivos e, ao contrário de uma batalha cruel, saímos vitoriosos cheios de amigos, muitos deles com os quais convivemos até hoje, e dos quais nos lembramos com muito carinho de momentos desafiantes que vivemos juntos, clientes, fornecedores, diretores, gente simples, do dia a dia.

Derrotamos muitos inimigos, sim. Os custos desnecessários, as insatisfações com serviços de terceiros ou próprios, os contratos leoninos e desequilibrados, os lucros perdidos, os riscos operacionais, os agressores do meio ambiente, os atrasos e ausência de atendimentos, os espaços inúteis e caros, processos antiquados, produtos ineficientes, as cobranças injustas, a falta de treinamento dos operacionais, a falta de mecanização e inteligência operacional, a pouca confiabilidade entre demandas e soluções, a baixa perenidade dos contratos.

Em meio a tudo isto, nestes tantos anos, guardo um carinho especial ao Nelson e Léa e toda a equipe InfraFM. Que seria de nós, soldados, batalhando sem um trompete soando a todos os lados a boa nova, o novo negócio, a nova solução e nos reunindo durante vários anos para discutir as táticas, as novas armas, os novos comandos desta batalha.

Que seria de todos nós sem toda a mídia e os eventos, sem a informação divulgada, sem o debate, sem a troca de experiências, a busca do novo, a convocação dos novos soldados, o envolvimento de novas empresas, o desbravamento de novas fronteiras nacionais para o Facility Management.

A missão continua, nos dias de hoje, e convido a todos os Facilities Managers, da velha guarda aos neófitos a lutarem contra inimigos à solta. E cito um a um: o setor de infraestrutura que não figura entre os níveis estratégicos, os profissionais que não se preparam para serem verdadeiros Facilities Managers, as empresas que não investem em tecnologia de gestão, a manutenção perversa de espaços imobiliários inúteis e caríssimos, e serviços desnecessários, os braços no lugar de inteligência, as informações inúteis, desatualizadas e inconsistentes, e relações belicosas e “espertas” entre tomadores e prestadores de serviços.

E as armas, são as mesmas que usamos no início: RELACIONAMENTO, SINERGIA, PARCERIA.

A ISO centra nosso negócio em processos, espaços e pessoas, mas são estas pessoas o início e o fim. É com elas que vamos ver o modus operandi, e com elas que vamos sentir as demandas, e delas que vamos ouvir as expectativas e as necessidades, é com elas que vamos construir as soluções e para elas que vamos entregar o resultado.

Por isso, me convenci há muito tempo de que NETWORK NÃO É QUEM EU CONHEÇO, MAS QUEM ME CONHECE, pois no meu dia de trabalho, construo relações duradouras de colaboração, mantenho-me atento e me antecipo no apoio, no entendimento de suas novas demandas, de tal forma que a toda e qualquer necessidade ou dúvida que ocorra ao seu cliente ele se lembre imediatamente de você. Você que pode não ter a resposta ou a solução, mas ele sabe que você sairá em busca delas, no mais rápido tempo e na melhor forma de entrega.

Finalizo enviando um abraço fraterno a inúmeros amigos que ganhei, sejam entre os clientes ou entre os prestadores de serviço, com quem tive a honra de construir juntos as melhores soluções para os mais desafiantes problemas do Facility Property Management.

Que os novos militantes desta grandiosa e maravilhosa missão que a atividade nos reserva entendam que o patrimônio principal a ser conquistado SÃO OS AMIGOS.

Grande abraço, caros Altair Beling, Eduardo, “Bo”, Thomas, Celina, Sandra, Jorge Lima e todos os amigos que granjeamos em tantas empresas com as quais trabalhamos, cujos nomes não caberiam neste espaço, e que foram fundamentais para a construção deste mercado e desta comunidade de profissionais.

Emprestando o sentido dos versos de Gil, e fazendo frente à ameaça do mundo digital, despersonalizando as relações, desprezando os abraços e substituindo gente por robôs, sinto saudade, dos amigos de tantos anos, cantando:
“Poetas, seresteiros, namorados, correi, é chegada a hora de escrever e cantar talvez as derradeiras noites de luar”.


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