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Durante a mudança, o que é feito com o mobiliário? Confira soluções de economia circular

Especialistas apontam benefícios e desafios da implementação do modelo circular nas empresas.

Por Natalia Gonçalves

Durante a mudança de escritório, o que é feito com o mobiliário? Confira soluções de economia circular

Foto: Canva.com/Navamin studio


Diante dos novos modelos de trabalho e o aumento da relevância de diretrizes de ESG, o mobiliário é uma peça fundamental dentro das corporações. Esta afirmação é da Fernanda Mourão, especialista em modelos e espaços de trabalho sustentáveis e fundadora do Futuro Labs. “É preciso primeiro considerar a gestão de mobiliário na estratégia, o que ainda se vê pouco”, afirma Fernanda.

Para a especialista, no contexto de escritórios com fluxos dinâmicos, assim como, do uso e contratação de espaços de trabalho sendo ressignificados, é fundamental conscientizar a alta gestão das empresas do impacto financeiro que a gestão de mobiliário pode trazer. Desta forma, ela ressalta a importância da economia circular na estratégia de sustentabilidade e otimização de recursos. Isso significa, na gestão de mobiliário, planejar o ciclo de vida dos móveis, desde a aquisição até o repasse, considerando opções de reutilização, reciclagem e recondicionamento.

Apesar de pouco mencionado, conforme Marcos Albuquerque, co-fundador da Katalisar, o descarte de móveis usados possui grande impacto nas cidades. “Eles são difíceis de serem coletados e descartados devido ao seu volume, peso e estrutura. Por outro lado, existem várias pessoas de baixa renda, ou até mesmo ONGs, que precisam de móveis no seu dia a dia, mas não tem condições financeiras de comprar um móvel novo. Ambos os problemas podem ser solucionados juntos”, aponta Albuquerque.

Neste sentido, Fernanda observa a doação do mobiliário das empresas para instituições de caridade como uma prática louvável. “A demanda dos móveis no universo corporativo é bem diferente do residencial e utilitário, então mesmo que um produto pareça não servir mais aos escritórios, pode ter sua vida útil estendida ainda em casas, comércio e instituições de caridade, que por sua vez também devem ser incluídos nos programa de descarte consciente, pois há peças nos móveis que ainda podem ter uma ‘terceira, quarta vida’”, explica.
 
Além disso, em relação ao descarte dos móveis, a especialista comenta sobre a alta durabilidade dos produtos - uma vez que fabricantes do mercado oferecem garantias de sete, 10, e até 12 anos. Assim, as soluções dentro do conceito de economia circular podem incluir:

- Reutilização de móveis através de programas de transferência entre empresas;
- Repaginação de tecidos e peças de móveis antigos para que possam ser utilizados novamente para a mesmo ou outra finalidade; 
- Criação de mercados de segunda mão para móveis de escritório, promovendo a venda e até troca desses itens ao invés de descartá-los.
 
“Existem algumas empresas que vendem móveis para colaboradores e até mesmo outras empresas, justamente para que esse mobiliário tenha novas chances de uso antes do descarte total, pois podem ser produtos que duram mais de 20 anos. O fato é que ainda estamos engatinhando nessa conscientização e ecossistema de fornecedores desse serviço com foco em empresas, que precisam de qualidade para alto fluxo e uso, com características diferentes do residencial”, acrescenta Fernanda.

De acordo com estudo realizado pela Ellen MacArthur Foundation, a economia circular pode gerar US$ 4,5 trilhões em novos negócios até 2030. Segundo Mourão, contudo, um dos maiores problemas no Brasil está relacionado a falta de conscientização sobre os benefícios econômicos a longo prazo e a necessidade de investimentos iniciais: “já que ainda não temos uma cadeia de revitalização bem estruturada, o que podem ser obstáculos significativos”.

Deste modo, o maior desafio para a adoção da economia circular nas empresas está desde a mudança de mentalidade, à transformação dos modelos de trabalho e dos negócios tradicionais. “Muitas empresas ainda estão presas a uma mentalidade linear, onde extraem recursos, produzem, usam e descartam, sem considerar possibilidades além desse fluxo, o que torna difícil a transição para um modelo circular que valoriza a reutilização, reciclagem e a minimização de resíduos”, conclui Fernanda.

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