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Precisamos rever o conceito de "escritório"?

Mesa Redonda da MIllerKnoll discutiu o impacto do ambiente de trabalho no psicológico dos colaboradores.

Por Mateus Murozaki

Espaços para humanos: Design With Impact

Foto: Divulgação/MillerKnoll

Muitas são as questões que afetam o conceito de "escritório" hoje. No cenário pós-pandemia, de um cenário híbrido e com a forte presença da Geração Z, cada vez mais consciente e exigente em relação ao próprio ambiente de trabalho, como fazer com que este seja não só adequado para as tarefas necessárias, mas também motive os trabalhadores através do bem-estar.

Em 30 de janeiro de 2024, a MillerKnoll organizou uma mesa redonda voltada justamente para essa discussão. Estavam presentes os colaboradores Andrea Soria, Diretora de Estratégia de Ambiente de Trabalho para a América Latina e Caribe; Mario Espinosa, Vice-Presidente da empresa para a América Latina e Caribe e a psicóloga Myrt Thânia Cruz, Vice-Diretora da FEA/PUC-SP, com a mediação conduzida por Flavio Palauso, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da companhia no Brasil.

Cruz aponta que as pessoas, do ponto de vista de saúde física e mental, necessitam de uma percepção clara e objetiva de que estão se sentindo bem, o que torna os ambientes em que habitam essenciais. Trata-se de uma sensação objetiva e não subjetiva, como se pode acreditar num primeiro momento.

Nessa busca, Soria apontou duas coisas como primordiais: o conforto, que, para ela, envolve acústica, iluminação natural e biofilia, e a felicidade, que, para ela, engloba a questão de pessoas introvertidas e extrovertidas. Enquanto um ambiente amplo e cheio de contato pode trazer conforto a um colaborador mais aberto, outro mais quieto pode se incomodar. Ela menciona algo presente no México, seu país natal, chamado "quiet spaces", espaços que simulam a dinâmica de uma biblioteca: todos juntos, mas ninguém faz ruídos altos ou conversa entre si excessivamente.

Outro tema presente foi o de conexão entre as pessoas e como é algo crucial em um ambiente de trabalho, principalmente numa era em que o trabalho remoto está se fortalecendo. Os participantes concordaram que o home office traz benefícios, mas não pode ser a única opção, pois não pode substituir o contato humano.

Espinosa comparou uma empresa a um organismo, com cada um de seus colaboradores representando células que vão absorvendo conhecimento um dos outros e, para que isso aconteça, os espaços devem ser pensados de forma a facilitar a socialização, ao mesmo tempo em que também devem prover espaços eficientes onde as pessoas possam realizar seus trabalhos após uma conversa ou um café.

A psicóloga apontou, inclusive, que após o digital, as pessoas estão mudando a forma de se relacionar, valorizando mais as relações que têm em ambientes compartilhados: "As pessoas estão mudando a sua forma de se relacionar em amizades, relacionamentos amorosos, relacionamentos no ambiente de trabalho e levando em consideração que o ambiente de trabalho é um dos lugares em que a pessoa passa mais tempo de vida. Portanto, é um lugar em que, provavelmente, você encontrará o amor da sua vida, e isso é muito, muito significativo."

Em suma, as lições a serem aprendidas giram em torno da verdade de que escritórios são projetados por e para seres humanos, logo, é essencial que se pense no "conceito" com um olhar mais caloroso. "Hoje, quem está tomando as decisões são o RH e os Facility Managers."

“Hoje, quem toma as decisões são o RH e os Facility Managers”

Andrea Soria

Em conversa com Andreia Soria, a profissional comentou sobre o papel do Facility Manager em meio à transformação dos espaços de trabalho que vem acontecendo. De acordo com ela, pelo fato de estarem sempre acompanhando o comportamento humano dos escritórios, eles são os que podem ter mais impacto dentro de uma empresa. Exemplifica com o fato de que os FM's sabem o que é e o que não é utilizado em um escritório. Assim, quando ideias de arquitetos ou da diretoria chegam, eles podem filtrar o que seria útil e o que seria um gasto leviano.

A profissional também falou sobre a importância do aprendizado orgânico, que costuma ser mais marcante por facilitar o entendimento do propósito por trás de cada informação sendo passada. Uma consequência da importância disso, de acordo com ela, é que cada vez mais temos salas de reuniões projetadas para trocas um a um, voltadas para a interação entre duas pessoas.

Por fim, quando questionada sobre a diferença entre escritórios no Brasil e no México, ela apontou que não viu muitas diferenças por não ter trabalhado tanto por aqui, mas a principal é que, no México, ela vê mais liberdade para utilizar os espaços, enquanto o Brasil parece um pouco mais restritivo nesse quesito. "Sabemos que o Brasil tem esse desafio de ter mais espaços de concentração individual dentro desses metros quadrados do que em outras partes da América Latina", explica.


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