Segurança privada amplia atuação no combate à violência contra a mulher

Campanha coordenada pela Polícia Federal mobiliza o setor de segurança privada para transformar vigilantes em pontos de acolhimento e encaminhamento de mulheres em situação de violência, ampliando o papel desses profissionais em edifícios, hospitais, bancos e centros comerciais

Por Redação

Segurança privada amplia atuação no combate à violência contra a mulher

A atuação da segurança privada no Brasil começa a incorporar uma nova dimensão, que vai além da proteção patrimonial. Nesta quarta-feira (5), a Polícia Federal lança, em parceria com a Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) e diversas entidades do setor, a campanha Segurança Privada: Por Elas, Para Elas. A iniciativa pretende capacitar vigilantes para reconhecer sinais de violência contra a mulher, oferecer acolhimento inicial e acionar a rede oficial de proteção.

A proposta representa uma ampliação da função exercida diariamente por milhares de profissionais distribuídos em shoppings, edifícios corporativos, hospitais, bancos, universidades e outros espaços de grande circulação. Além das atividades tradicionais de controle de acesso, prevenção de incidentes e proteção do patrimônio, esses profissionais passam a integrar uma estratégia nacional voltada à proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Uma rede presente onde as pessoas estão
A capilaridade da segurança privada ajuda a explicar a relevância da iniciativa. Segundo a Polícia Federal, o Brasil possui centenas de milhares de vigilantes autorizados, distribuídos em praticamente todos os estados. Pela natureza da atividade, esses profissionais permanecem durante toda a jornada em locais onde circulam milhares de pessoas, tornando-se, muitas vezes, um dos primeiros pontos de contato diante de situações de risco.

Segundo o presidente da Fenavist, Flávio Sandrini, a campanha pretende transformar os profissionais de segurança em uma rede de apoio preparada para identificar situações de violência e encaminhar as vítimas aos canais oficiais. "Não estamos falando apenas de segurança, estamos falando de dignidade humana e de responsabilidade social compartilhada", afirmou. O foco não é substituir a atuação das forças de segurança pública, mas ampliar a capacidade de identificação de situações de violência e agilizar o encaminhamento aos serviços competentes.

Um cenário que exige novas formas de apoio
A iniciativa surge em um contexto no qual os indicadores de violência contra a mulher continuam preocupando. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que os registros de violência doméstica e feminicídio permanecem elevados, enquanto os canais de denúncia registram crescimento contínuo na procura por atendimento. Especialistas apontam que ampliar os pontos de acolhimento pode facilitar o acesso das vítimas à rede de proteção, especialmente em situações nas quais o pedido de ajuda precisa ocorrer de maneira discreta.

Essa lógica tem sido adotada também em outros países, onde profissionais que mantêm contato permanente com o público recebem capacitação para identificar comportamentos de risco e acionar protocolos previamente definidos, sem assumir funções de investigação ou atendimento especializado.

Reflexos para as operações dos edifícios
Para operações de Facilities e gestão predial, a campanha reforça uma tendência de integração entre segurança física, experiência do usuário e responsabilidade social. Em empreendimentos corporativos, hospitais, centros comerciais e instituições de ensino, a equipe de segurança costuma ser a primeira a receber ocorrências envolvendo colaboradores, visitantes ou clientes.

Esse movimento amplia a importância de protocolos claros, integração entre vigilância, administração predial e canais públicos de atendimento, além de treinamentos voltados à identificação de sinais de violência e à condução adequada dessas situações. A iniciativa também dialoga com programas corporativos relacionados à diversidade, bem-estar e proteção das pessoas, temas que vêm ganhando espaço nas estratégias de gestão dos ambientes de trabalho.

Além da Fenavist, participam da campanha entidades como Febraban, ABCFAV, ABESE, ABSEG, ANSEGTV, GRISTEC, CONTRASP, CNTV, FENAVAL, FETRAVESP e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), buscando disseminar as diretrizes da Polícia Federal em todo o território nacional.

Embora o impacto da iniciativa dependa da adesão das empresas e da efetividade da capacitação, o lançamento da campanha sinaliza uma mudança importante na forma como a segurança privada passa a ser percebida. Sem abandonar sua função de proteção patrimonial, o setor amplia sua participação em uma rede de apoio que conecta infraestrutura, operação e proteção às pessoas, evidenciando que os espaços onde circulam milhões de brasileiros diariamente também podem desempenhar um papel relevante no enfrentamento da violência contra a mulher.

Como construímos este material
Esta matéria foi elaborada a partir das informações da campanha "Segurança Privada: Por Elas, Para Elas", divulgadas pela Fenavist e pela Polícia Federal, complementadas por dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e documentos públicos sobre violência contra a mulher. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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