Pesquisa europeia aponta que 85% dos entrevistados já trabalharam doentes

Levantamento com mil profissionais destaca dificuldades para desconectar e provoca uma reflexão sobre cobertura das equipes, expectativas das lideranças e continuidade operacional

Encerrar o expediente nem sempre significa abandonar o trabalho. Mensagens, e-mails e tarefas continuam ocupando o tempo de descanso de parte dos profissionais, inclusive durante férias e períodos de doença. É o que aponta o Relatório dos Profissionais Sempre Disponíveis 2026, divulgado pela plataforma meuCurrículoPerfeito.

Realizada em junho de 2026 com mil profissionais empregados na Espanha, Itália, França e Alemanha, a pesquisa identificou que 85% dos entrevistados já trabalharam enquanto estavam doentes, em vez de tirar licença médica. Desse total de participantes, 30% disseram fazer isso frequentemente e 55%, ocasionalmente. Os resultados se referem à amostra consultada e não representam um retrato do mercado de trabalho brasileiro.

O expediente termina, mas a conexão permanece
Responder a demandas profissionais fora do horário contratado também aparece no levantamento. Entre os participantes, 29% afirmaram verificar e-mails, responder mensagens ou realizar tarefas de trabalho diariamente após o expediente. Outros 29% disseram fazer isso algumas vezes por semana. Somadas essas duas categorias, 58% mantêm atividades profissionais fora da jornada algumas vezes por semana ou mais. Considerando também as respostas “algumas vezes por mês” e “raramente”, o percentual chega a 88%. Essa distinção é importante: o número mais amplo reúne frequências bastante diferentes de conexão com o trabalho.

Durante as férias, 63% relataram algum acompanhamento de assuntos profissionais. A maior parcela, correspondente a 47% da amostra, afirmou conseguir desconectar na maior parte do tempo, mas conferir e-mails ocasionalmente. Outros 14% verificam mensagens regularmente, enquanto 2% continuam trabalhando ou atendendo ligações. A dificuldade também envolve o descanso mental. Segundo o relatório, 78% têm dificuldade para parar de pensar no trabalho pelo menos às vezes, e 53% sentem culpa ou ansiedade ao solicitar uma folga, também pelo menos às vezes.

Cobertura das equipes e expectativas das lideranças
Entre as barreiras relatadas para desconectar, destacam-se a falta de cobertura da equipe, citada por 30%; as expectativas dos chefes, por 28%; e o excesso de trabalho, por 27%. O medo de ser substituído foi mencionado por 14%. Ao mesmo tempo, 87% afirmaram que suas empresas respeitam o direito à desconexão. A coexistência dessas respostas sugere uma distância entre a percepção de respeito ao descanso e as condições práticas para se afastar das demandas. O levantamento, porém, não permite estabelecer relações de causa e efeito entre esses fatores.

Embora a pesquisa não apresente um recorte específico de Facilities, seus resultados oferecem um ponto de partida para discutir como organizar equipes responsáveis pela continuidade dos serviços. Em operações que funcionam além do horário comercial, vale avaliar se responsabilidades, escalas, substituições e canais de emergência estão suficientemente claros. Quem assume uma demanda quando o responsável está de férias? Quais situações justificam um acionamento fora do expediente? Que informações precisam estar disponíveis para que outra pessoa consiga dar continuidade ao atendimento?

Uma medida possível é estabelecer critérios para diferenciar emergências de solicitações que podem aguardar o próximo período de trabalho. Outra é documentar procedimentos, contatos e históricos de atendimento, reduzindo a dependência de informações concentradas em um único profissional. O planejamento de cobertura merece a mesma atenção. Férias, folgas e afastamentos precisam ser considerados na organização da operação, com responsáveis definidos e condições para que a equipe mantenha os serviços. Para Facilities, a discussão conecta cuidado com as pessoas e resiliência operacional. Uma equipe capaz de assegurar a continuidade do atendimento durante a ausência de seus integrantes também oferece melhores condições para que eles possam descansar.

Como interpretar os resultados
A metodologia publicada informa que foram utilizadas perguntas de resposta única e de múltipla escolha. Entretanto, não detalha o recrutamento dos participantes, a distribuição da amostra entre os países ou a margem de erro. Os percentuais devem, portanto, ser apresentados como relatos dos entrevistados, sem generalização para todos os trabalhadores europeus ou brasileiros.
O relatório completo está disponível no site do meuCurrículoPerfeito.


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