Quando a carreira parece parar, aprender pode abrir novos caminhos

Da gestão de Facilities à reestruturação de dívidas, a trajetória de Lucas Iak mostra como a disposição para desenvolver novas competências pode ampliar possibilidades sem apagar a experiência construída



Há períodos em que a carreira parece perder o movimento. A promoção não acontece, as responsabilidades se repetem e o próximo passo fica pouco claro. São momentos difíceis, especialmente quando o profissional sente que tem mais a oferecer, mas não encontra espaço para avançar. Nem sempre, porém, uma mudança começa com um novo cargo. Ela pode surgir de uma responsabilidade diferente, de uma conversa ou da disposição para aprender algo que, até então, parecia distante da própria especialidade.

A trajetória de Lucas Iak oferece uma reflexão sobre esse processo. Em conversa com a InfraFM, ele contou como sua atuação em Facilities se ampliou para a gestão de ativos imobiliários e, posteriormente, para a reestruturação de dívidas. Seu relato não descreve uma carreira sem obstáculos, nem estabelece uma receita para superar períodos de estagnação. Mostra, sobretudo, como novas competências podem abrir caminhos que não estavam no planejamento inicial.

Novas responsabilidades como portas de entrada
Lucas reúne experiência em Property, Real Estate e Facilities, além de atividades como professor e palestrante. Essa combinação ajuda a compreender uma trajetória em que o conhecimento da operação passou a dialogar com outras dimensões do negócio. Durante a entrevista, ele explicou que, ao trabalhar no setor bancário, começou a incorporar responsabilidades relacionadas a ativos recebidos em operações de crédito. O contato com esses bens ampliou sua atuação para além da infraestrutura dos espaços utilizados pela organização. “Eu sempre encarei isso na minha vida como uma oportunidade de ter mais aprendizados”, afirmou.

A aproximação com o mercado imobiliário exigiu desenvolver uma visão comercial, compreender o valor dos ativos e participar de decisões que envolviam outras áreas. Mais tarde, segundo seu relato, essa experiência abriu espaço para trabalhar com a reestruturação de dívidas de clientes do segmento de atacado num banco. A passagem não representou abandonar tudo o que sabia. Parte do repertório construído com imóveis, operação e resolução de problemas continuou útil, mas precisou ser complementada.

Avançar também exige voltar a estudar
A mudança de atuação trouxe uma exigência concreta, o de aprender a analisar informações financeiras com maior profundidade. “Eu tive que me reinventar muito e começar a analisar balanço. Não era meu mundo”, contou.

Compreender a situação de uma empresa, sua capacidade de pagamento e as possibilidades de uma negociação passou a fazer parte de seu trabalho. Conhecimentos que haviam ficado distantes da rotina precisaram ser retomados e aplicados a novos problemas. O desenvolvimento também envolveu comunicação, relacionamento e preparação para reuniões. Ampliar a atuação exigia tanto domínio técnico quanto capacidade de conversar com diferentes interlocutores e compreender seus interesses.

Para quem enfrenta um período de pouca movimentação na carreira, essa experiência oferece uma pergunta útil, quais conhecimentos podem conectar o que já sei a desafios que ainda não consigo assumir? A resposta pode envolver finanças, tecnologia, gestão de pessoas, negociação ou uma compreensão mais profunda do negócio. Aprender não garante uma promoção imediata ou uma nova contratação, mas pode ampliar as condições para reconhecer e aproveitar oportunidades.

Facilities continua presente
Apesar da mudança de foco profissional, Lucas mantém o vínculo com Facilities por meio das aulas e da troca com profissionais do setor. Seu LinkedIn registra a atuação em programas de formação que conectam teoria, mercado e experiências práticas. Na entrevista, ele também contou que passou a oferecer mentorias de carreira. Entre as situações que acompanha está a de uma profissional que assumiu uma equipe de 40 pessoas sem experiência anterior em liderança.

A iniciativa permite manter uma atividade de que gosta, que é apoiar o desenvolvimento de outras pessoas. “Eu gosto de resolver problemas. Eu gosto de lidar com pessoas e também com infraestrutura”, explicou. Essa identificação permanece mesmo em uma função diferente. Para Lucas, a curiosidade sobre como os ambientes e as operações funcionam continua fazendo parte de seu olhar. Sua trajetória sugere que mudar de área pode ampliar uma identidade profissional, preservando competências e interesses que continuam relevantes.

Lucas chama a atenção para uma visão ainda recorrente nas redes sociais, que apresenta o Facility Management como uma área de suporte, quase invisível. Para ele, é preciso superar essa mentalidade, compreender as organizações de forma sistêmica e reconhecer como as decisões de FM contribuem para os resultados do negócio. Essa mudança de perspectiva é fundamental para ampliar a participação da área nas decisões estratégicas.

Aprender tecnologia sem abrir mão do julgamento
A inteligência artificial também apareceu na conversa. Lucas relatou estar cursando um MBA voltado à aplicação de IA nos negócios e defendeu uma aproximação baseada em curiosidade e uso consciente. Seu cuidado está na adoção automática das respostas produzidas pelas ferramentas, sem análise ou compreensão do contexto. “Pensa e use isso a seu favor”, orientou.

Na sua avaliação, a tecnologia pode ajudar a simplificar tarefas e liberar tempo, mas o profissional precisa continuar entendendo o negócio e avaliando o que entrega. Para Facilities, essa reflexão aproxima o aprendizado tecnológico da prática, mais do que conhecer uma ferramenta, é preciso identificar qual problema ela ajuda a resolver, quais informações utiliza e como verificar seus resultados.

Uma pausa não define toda a trajetória
Períodos de estagnação podem estar relacionados a fatores que ultrapassam a vontade individual, como mudanças nas empresas, estruturas com poucas possibilidades de crescimento ou condições do mercado. Reconhecer esses limites evita transformar toda dificuldade de carreira em responsabilidade exclusiva do profissional. Ainda assim, dentro do espaço possível de ação, manter o interesse por novos conhecimentos pode ajudar a construir alternativas.

A experiência de Lucas mostra que o próximo passo nem sempre é uma posição acima na mesma estrutura. Pode ser uma atuação diferente, na qual a bagagem anterior se combina com competências recém-adquiridas.
Para os profissionais de Facilities, Property e Workplace, fica a reflexão de conhecer bem a operação é uma base valiosa. Compreender também as decisões financeiras, as pessoas e os objetivos de uma organização podem ampliar o alcance dessa experiência. Quando o avanço parece distante, aprender algo novo pode ser uma forma de começar a construir o próximo movimento.


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