Turnover desacelera, mas empresas ainda enfrentam disputa por talentos

Pesquisa da Robert Half mostra que mobilidade profissional, carreira e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal continuam influenciando a rotatividade

Por Redação

Turnover desacelera, mas empresas ainda enfrentam disputa por talentos

Foto: https://depositphotos.com/644596412

Depois de anos marcados por transformações no mercado de trabalho, muitas empresas brasileiras parecem ter conseguido estabilizar um indicador que vinha preocupando líderes e áreas de recursos humanos: o turnover voluntário.

Uma sondagem realizada pela Robert Half, consultoria global especializada em soluções em talentos, mostra que parte relevante das organizações registrou níveis relativamente controlados de rotatividade em 2025. Entre as empresas consultadas, 37% relataram turnover inferior a 5%, enquanto 29% registraram taxas entre 5% e 10%. Ainda assim, 25% das organizações indicaram rotatividade superior a 10%, o que mostra que a retenção continua sendo um desafio para uma parcela significativa do mercado.

Na comparação com o ano anterior, a pesquisa indica um cenário de estabilidade: 49% das companhias afirmaram que o turnover em 2025 foi igual ao de 2024, enquanto 24% registraram aumento e 13% apontaram redução.

“Os resultados indicam que muitas empresas entraram em um momento de maior controle da rotatividade, mas ainda existe um grupo relevante que enfrenta desafios para reter profissionais”, disse Lucas Nogueira, diretor regional da Robert Half.

Mercado aquecido muda dinâmica da retenção
Mesmo com sinais de estabilidade, especialistas apontam que a retenção de talentos continua diretamente influenciada pela dinâmica do mercado de trabalho.

Quando há maior circulação de oportunidades e mobilidade profissional, os colaboradores tendem a avaliar com mais frequência alternativas de carreira. Nesse cenário, o turnover deixa de ser apenas um indicador operacional e passa a refletir também o nível de competitividade entre empresas na atração e retenção de profissionais qualificados.

O que está levando profissionais a pedir demissão
A pesquisa da Robert Half mostra que os pedidos de desligamento voluntário continuam fortemente ligados às oportunidades oferecidas pelo mercado.

O principal fator apontado pelas empresas foi a oferta de oportunidades mais atrativas em outras companhias, citada por 70% dos respondentes.

Na sequência aparecem:
- Falta de oportunidades de crescimento (32%);
- Salários abaixo da média do mercado (28%).

Além dos fatores tradicionais de carreira e remuneração, aspectos relacionados à qualidade de vida passaram a ganhar mais peso nas decisões profissionais.

O retorno ao trabalho presencial foi mencionado por 19% das empresas como motivo de saída de profissionais. O mesmo percentual foi registrado para benefícios pouco competitivos.

dificuldades na conciliação entre trabalho e vida pessoal apareceram em 16% das respostas, sinalizando que questões relacionadas ao equilíbrio entre trabalho e rotina pessoal continuam influenciando decisões de carreira.

Desenvolvimento de carreira ganha peso na retenção
Diante desse cenário, muitas empresas têm buscado estratégias mais estruturadas para reduzir a perda de talentos.

A pesquisa indica que as iniciativas mais utilizadas para conter o turnover estão relacionadas ao desenvolvimento profissional e à evolução de carreira.

Entre as principais ações adotadas pelas organizações estão:
- Programas estruturados de desenvolvimento de carreira (39%);
- Treinamentos e capacitações (35%);
- Treinamento de lideranças (33%).

Medidas relacionadas ao ambiente de trabalho também aparecem com frequência, como melhorias nas condições organizacionais e aprimoramento da gestão de desempenho.

Outro movimento que vem ganhando espaço nas empresas é a análise mais sistemática das entrevistas de desligamento, utilizadas para identificar padrões e compreender melhor as razões por trás das saídas voluntárias.

Pressão sobre retenção também aparece no cenário internacional

O comportamento observado no Brasil também aparece em pesquisas globais sobre o mercado de trabalho. Mesmo com níveis de rotatividade mais estáveis em alguns setores, a disposição dos profissionais para mudar de emprego continua elevada.

O relatório Work Trend Index 2025, da Microsoft, mostra que cerca de 52% dos profissionais no mundo afirmam estar abertos a novas oportunidades de trabalho. O estudo aponta que fatores como flexibilidade, oportunidades de crescimento e qualidade de vida seguem entre os principais motivadores de mobilidade profissional.

Outro levantamento global, o State of the Global Workplace 2024, produzido pela Gallup, indica que mais da metade dos trabalhadores no mundo está aberta ou procurando ativamente novas oportunidades profissionais. O estudo destaca que engajamento no trabalho, perspectivas de desenvolvimento e qualidade do ambiente profissional são fatores decisivos para retenção.

Já a pesquisa Global Workforce Hopes and Fears Survey 2024, da PwC, mostra que 28% dos profissionais pretendem mudar de emprego nos próximos 12 meses, reforçando o cenário de mobilidade elevada no mercado de trabalho global.

Os dados ajudam a contextualizar o movimento identificado na pesquisa da Robert Half no Brasil. Mesmo quando a rotatividade efetiva se estabiliza, a intenção de mudança continua alta, o que mantém a retenção de talentos como um tema central na estratégia das organizações.

​Como construímos este material
Esta matéria se baseia em dados de uma sondagem proprietária da Robert Half, realizada em novembro de 2025 com 300 profissionais responsáveis por recrutamento e gestão de pessoas. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Data Center

BNDES amplia aposta em data centers nacionais com novo projeto de arquitetura modular

Financiamento de R$ 10,18 milhões para a ALGcom busca desenvolver uma solução brasileira capaz de reduzir em até 50% o tempo de implantação de data centers, em um momento de expansão da infraestrutura digital no país

Workplace

Licença-paternidade ampliada: o que essa mudança revela sobre os ambientes de trabalho?

A ampliação da licença-paternidade coloca um tema tradicionalmente tratado pelo RH dentro de uma discussão mais ampla sobre ocupação, experiência do colaborador e adaptação dos ambientes corporativos às novas formas de trabalho

Operações

CVM revê exigência para relatórios ESG e desloca discussão para a governança corporativa

Mudança na regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários retira a obrigatoriedade da divulgação de informações de sustentabilidade a partir de 2026, mas pressão de investidores, financiadores e cadeias globais de valor tende a manter a agenda ESG no centro das estratégias empresariais

Workplace

Itaú amplia trabalho presencial para três dias. O híbrido está entrando em uma nova fase?

Nova política amplia a presença física para parte dos colaboradores e reforça uma tendência observada em grandes empresas: a discussão sobre trabalho híbrido começa a migrar da quantidade de dias no escritório para a gestão da cultura, da colaboração e da experiência dos times

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea