Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação
 

Empresas passam a usar orçamento, crédito e mentoria para ampliar liderança feminina

Iniciativas de Zurich e Sicredi mostram como remuneração, acesso a capital e formação têm sido usados para acelerar a presença de mulheres em posições de decisão

Por Redação

Empresas passam a usar orçamento, crédito e mentoria para ampliar liderança feminina

Foto: https://depositphotos.com/713902084


A presença feminina no mercado de trabalho avançou nas últimas décadas, mas o ritmo de progressão para cargos de liderança continua desigual. O relatório Global Gender Gap Report 2025, do World Economic Forum, aponta que o mundo fechou cerca de 68,8% da lacuna global de gênero, mas o avanço na dimensão econômica ainda ocorre de forma lenta. A diferença aparece principalmente em remuneração, acesso a capital e presença em posições executivas.

No Brasil, o cenário apresenta um contraste. O país tem mais de 15 milhões de mulheres à frente de negócios, segundo dados do Sebrae divulgados, ao mesmo tempo em que o avanço para cargos de liderança nas organizações segue gradual.

Esse contexto ajuda a explicar por que empresas e instituições financeiras passaram a tratar a pauta com instrumentos mais concretos, como políticas de remuneração, crédito direcionado e programas estruturados de desenvolvimento.

Os movimentos recentes da Zurich Seguros e do Sicredi mostram como essa agenda tem sido incorporada a estratégias de gestão.

Zurich conecta remuneração e carreira
Na Zurich Seguros, a estratégia de equidade foi incorporada diretamente à política de remuneração e progressão profissional. O programa Equal Pay determinou que 56% do orçamento anual de mérito, equivalente a R$ 2,5 milhões, fosse destinado a mulheres com desempenho destacado. A iniciativa foi estruturada ao longo de 2024 e aplicada no ciclo de promoções e ajustes salariais de 2025.

Como resultado, 58% das mulheres da companhia receberam aumento salarial por mérito ou promoção, e 60% das movimentações de carreira foram direcionadas a mulheres. Segundo a empresa, o gap salarial de gênero recuou de –5,94% para –5,49%.

“A equidade precisa ser tratada com método, orçamento e acompanhamento executivo. Quando vinculamos a agenda a governança, indicadores e metas claras, conseguimos transformar intenção em resultado concreto”, disse Mônica Matias, superintendente de Talento & Cultura da Zurich Seguros.

A companhia também estruturou o programa de mentoria feminina ElaZ, que reuniu 65 participantes entre mentorias individuais e coletivas. Após o ciclo, 16% das participantes foram promovidas. “Participar de um programa estruturado ampliou minha visão de carreira e trouxe clareza sobre meus próximos passos”, disse Elisangela Barbosa de Paiva Brito, gerente executiva de negócios da Zurich Seguros.

A evolução aparece também na composição da liderança. Em 2026, a Zurich registrou 37% de participação feminina em posições de liderança no Brasil e América Latina, com 10 mulheres em cargos estratégicos de decisão.


Sicredi amplia crédito e presença feminina na governança
No Sicredi, o avanço aparece por outra via: o acesso a crédito e a ampliação da presença feminina na governança das cooperativas. A instituição encerrou 2025 com mais de R$ 17,5 bilhões em carteira de crédito destinada a empresas lideradas por mulheres, crescimento de mais de 12% em relação ao ano anterior, quando o volume era de R$ 15,6 bilhões.

Parte desse movimento é viabilizada por captações internacionais. Nos últimos cinco anos, o Sicredi informa ter captado R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 1,13 bilhão em 2025, com recursos de instituições como o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), direcionados ao financiamento de negócios liderados por mulheres.

Além do crédito, a instituição desenvolve iniciativas voltadas à formação e liderança. O Comitê Mulher, que atua em cooperativas do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e parte de Santa Catarina, reúne atualmente mais de 4 mil participantes. Desde a criação da iniciativa, em 2017, a participação feminina nos conselhos de administração dessas cooperativas passou de 6% para 25%.

Na área de formação, o Curso Mulher Empreendedora, criado em 2023, já contou com 1.600 participantes na modalidade on-line e mais de 300 no formato presencial. “Entendemos que cada empreendedora tem uma trajetória única e, ao oferecer as ferramentas certas e o suporte necessário, ajudamos a transformar a realidade econômica e a promover a equidade nas regiões onde atuamos”, disse Stella Trabulsi Fraiha Franca, superintendente de Negócios PJ do Sicredi.

O que os dados indicam sobre liderança feminina?
​A ampliação da presença feminina em posições de decisão tem sido acompanhada com atenção por consultorias e organismos internacionais. O estudo Women in the Workplace 2025, produzido por McKinsey e LeanIn.Org, aponta que a progressão feminina para cargos de gestão continua sendo um ponto crítico nas organizações. Segundo o levantamento, a diferença começa logo na transição para o primeiro cargo gerencial, o que reduz o número de mulheres disponíveis para posições executivas anos depois.

Outro relatório da consultoria, Diversity Wins: How Inclusion Matters, indica que empresas com maior diversidade de gênero na liderança executiva apresentam maior probabilidade de desempenho financeiro acima da média de seus setores.

Nesse cenário, iniciativas que combinam remuneração, acesso a capital e desenvolvimento de carreira tendem a ganhar espaço nas estratégias corporativas.

Como construímos este material
Esta matéria baseia-se em informações institucionais divulgadas pela Zurich Seguros e pelo Sicredi sobre iniciativas voltadas à liderança feminina. O conteúdo também utiliza dados de estudos e relatórios internacionais sobre participação feminina no mercado de trabalho. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação

Líderes de audiência

Operações

BIM na operação predial ainda avança mais na teoria do que na prática no Brasil

Estudo revela que falhas de interoperabilidade e integração limitam o potencial do BIM na gestão predial

Carreira

Desgaste entre gestores liderou queda global de engajamento, aponta Gallup

Dados do State of the Global Workplace 2025, publicado pela Gallup, indicam que a queda do engajamento nas empresas esteve concentrada em cargos de liderança, com impacto direto sobre produtividade e desempenho organizacional

Carreira

Washington Botelho é o novo CEO da JLL para o Brasil

Nomeação de liderança estratégica fortalece posição no mercado e integração regional

Carreira

Início da nova Reforma Tributária gera incertezas e acende alerta no setor de facilities services

Modelo de IVA Dual deve impactar custos, contratos, sistemas e estratégia das prestadoras de serviços, avalia a Febrac

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa