Por Léa Lobo

A Fracttal, empresa especializada em soluções para gestão de manutenção e ativos, ampliou em 300% sua infraestrutura no Brasil após uma rodada global de investimentos de R$ 185 milhões, liderada pela Riverwood Capital. O movimento acompanha o crescimento da carteira de clientes e da equipe brasileira, com a expectativa de que a operação dobre de tamanho ainda em 2026.
Até julho deste ano, a companhia havia preenchido dez novas vagas e planejava contratar mais oito profissionais até o fim de 2026. Segundo a empresa, parte das admissões será destinada a funções inéditas, criadas para responder às novas necessidades do mercado e à evolução do negócio.
Para Jorge Sestini, Country Manager da Fracttal no Brasil, a expansão reflete o protagonismo da operação brasileira na estratégia global da companhia.
“O Brasil tem papel estratégico nesse cenário, sendo uma das regiões mais relevantes para o crescimento da empresa, tanto pelo amplo volume de organizações quanto pela demanda crescente por digitalização e eficiência operacional”, afirma.
Atualmente, a Fracttal atende aproximadamente 300 clientes no Brasil, distribuídos por setores como manufatura, alimentos e bebidas, energia, óleo e gás, hotelaria, varejo e facilities. Entre as organizações que utilizam suas soluções estão Nubank, Embraer, 3M, EssilorLuxottica, Maracanã, Hotéis Iberostar, ISS, Syngenta e Roca Brasil. Apesar das diferenças entre os segmentos, essas operações enfrentam desafios semelhantes, como a necessidade de reduzir paradas não planejadas, aumentar a disponibilidade dos ativos, melhorar a produtividade das equipes e assegurar compliance e rastreabilidade dos processos.
A estratégia de crescimento da companhia está baseada em um ecossistema de manutenção inteligente que reúne gestão centralizada de ativos e ordens de serviço, sensores de Internet das Coisas (IoT) para monitoramento contínuo e recursos de inteligência artificial voltados à antecipação de falhas e ao suporte à tomada de decisão. Sestini destaca que uma parcela significativa das empresas ainda controla os processos de manutenção por meio de documentos em papel ou planilhas. Nesse contexto, a proposta da empresa é facilitar a digitalização das operações e oferecer resultados mensuráveis.
De acordo com dados divulgados pela companhia, os clientes podem alcançar até 30% de aumento na disponibilidade dos ativos, 50% de crescimento na produtividade das equipes de manutenção e redução de até 42% nos custos de inventário. A empresa também informa que o retorno sobre o investimento pode chegar a 750% em dois anos, conforme as características de cada operação. “Seguimos avançando para transformar a gestão da manutenção em uma operação cada vez mais autônoma, preditiva e orientada a dados, convertendo a eficiência operacional em vantagem competitiva”, explica o executivo.
Entre as principais tendências identificadas está a evolução da inteligência artificial de uma ferramenta voltada à análise de informações para uma camada operacional capaz de auxiliar na coordenação, na priorização e na execução das atividades de manutenção. Nesse modelo, agentes de IA podem contribuir para antecipar falhas, organizar informações, apoiar decisões e reduzir tarefas operacionais repetitivas. O Country Manager ressalta, entretanto, que a participação dos profissionais continua essencial. “O fator humano permanece imprescindível. A tecnologia deve funcionar a serviço da equipe, e não o contrário”, salienta Sestini.
Outra tendência apontada pela empresa é o avanço das arquiteturas abertas e interoperáveis, que permitem a comunicação entre diferentes sistemas. Como parte desse movimento, a empresa anunciou recentemente a integração do software Fracttal One com o Model Context Protocol (MCP). A novidade permite que a plataforma interaja, de maneira sincronizada e segura, com dados processados por ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Claude e Gemini. Com a ampliação da estrutura e dos investimentos em tecnologia, a empresa pretende consolidar sua presença no mercado brasileiro e alcançar a liderança do segmento de sistemas computadorizados de gestão da manutenção (CMMS) no país nos próximos cinco anos.