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Retorno ao escritório: produtividade acompanha a presença?

Levantamento da EDC revela alta adesão às políticas presenciais, mas percepção limitada de desempenho no escritório

Retorno ao escritório: produtividade acompanha a presença?

Foto: https://depositphotos.com/653370806


Uma pesquisa realizada pela EDC Group, multinacional brasileira de consultoria e outsourcing de RH, ouviu 274 profissionais em todo o país para entender como estão sendo vividas as políticas de retorno ao trabalho presencial.

O levantamento aponta que 80% dos respondentes afirmam cumprir integralmente as exigências de presença impostas pelas empresas, como número mínimo de dias no escritório, horários definidos e registro formal de ponto. No entanto, quando a pergunta é sobre produtividade exclusivamente no regime presencial, apenas 16% dizem se sentir “muito produtivos”. Outros 42% se consideram “produtivos”, enquanto 38% afirmam ser “pouco produtivos” e 4% “nada produtivos”.

O contraste se aprofunda quando 72% declaram que seriam mais produtivos se pudessem escolher quantos dias trabalhar presencialmente e quantos remotamente. O estudo também replicou metodologia aplicada nos Estados Unidos pela Resume Builder, permitindo comparação entre os dois mercados.

Produtividade no trabalho presencial: o que explica o baixo rendimento no Brasil?

Os dados mostram um cenário peculiar no Brasil: alta disciplina no cumprimento das políticas e baixa percepção de rendimento no presencial. Mesmo no modelo híbrido de 1 a 3 dias por semana, o índice de adesão é alto, chegando a 73%, mas isso não se traduz automaticamente em ganho de produtividade.

Nos Estados Unidos, 78% dizem cumprir integralmente as regras de retorno. Porém, a percepção de produtividade é mais elevada: 45% se consideram muito produtivos e 44% produtivos nos dias presenciais. No Brasil, esse patamar cai significativamente.

A diferença é atribuída, em parte, ao ambiente trabalhista norte-americano, marcado pelo vínculo at-will, que permite maior mobilidade profissional. No Brasil, a rigidez contratual e os custos de desligamento tendem a tornar o profissional mais cauteloso diante de políticas impostas.

O resultado é um ambiente onde presença não necessariamente significa engajamento.

Escritório corporativo: espaço de colaboração ou ambiente de concentração?

Os fatores apontados pelos brasileiros ajudam a desenhar o problema:

- 58% citam interrupções de colegas ou líderes
- 52% apontam cansaço do deslocamento
- 47% mencionam ruídos no ambiente
- 45% indicam distrações sociais
- 28% relatam dificuldade de foco

Com exceção do deslocamento, os demais fatores são organizacionais ou comportamentais, e podem ocorrer tanto no presencial quanto no remoto. Nos EUA, a lógica é semelhante, mas com percentuais mais elevados: interrupções (72%) e ambiente barulhento (69%) lideram as queixas.

O dado pode parecer apenas comportamental, mas revela uma questão estrutural para quem gere espaços corporativos.


​Retorno ao trabalho presencial exige nova métrica de performance

Quando 8 em cada 10 profissionais cumprem a política de presença, mas apenas 16% se sentem altamente produtivos, a discussão deixa de ser sobre adesão e passa a ser sobre propósito.

Para gestores de facilities, workplace e property, o alerta é claro: o desafio não está mais em trazer as pessoas de volta, mas em justificar o motivo pelo qual elas devem estar ali.

A própria pesquisa aponta caminhos práticos:

- Definir regras claras de etiqueta e colaboração
- Estruturar reuniões com pauta e duração definida
- Separar dias de colaboração e dias de foco
- Criar zonas silenciosas e áreas de deep work
- Mapear picos de ruído e ajustar layout
- Flexibilizar horários para reduzir desgaste de deslocamento

A proposta de um piloto de quatro semanas com indicadores simples, como interrupções por hora, tempo médio de foco contínuo e nível de ruído, aponta para uma abordagem baseada em dados, não em percepção.


A nova métrica do presencial

O que emerge do estudo é uma mudança de paradigma. O debate sobre retorno ao escritório não pode mais ser binário, presencial versus remoto. O cenário aponta que a próxima fronteira está na qualidade da experiência.

Para o gestor de facilities, property e workplace, a pergunta é objetiva: o escritório está gerando performance ou apenas cumprindo política? Num mercado que exige eficiência operacional, retenção de talentos e uso estratégico do metro quadrado, manter pessoas presentes sem elevar a produtividade pressiona custos, desgasta equipes e compromete resultados.

É exatamente esse tipo de discussão que ganha profundidade no Congresso InfraFM, o maior evento do setor no Brasil, onde líderes compartilham práticas, indicadores e decisões que estão redefinindo o papel do ambiente corporativo na estratégia das organizações.

Nota editorial: Conteúdo elaborado com base na pesquisa “Políticas de Retorno ao Trabalho Presencial no Brasil”, realizada pela EDC Group em fevereiro de 2026, com 274 respondentes em todo o País, além de dados comparativos do estudo conduzido nos Estados Unidos pela Resume Builder. As fontes estão indicadas ao longo do texto. Para relatar inconsistências ou sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].

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