Condomínio sobe acima da inflação e pressiona custo de morar em São Paulo

Levantamento do Índice Superlógica mostra que taxas condominiais cresceram 50% acima da inflação em 2025, refletindo aumento de custos operacionais e pressionando o orçamento das famílias

Por Redação

Condomínio sobe acima da inflação e pressiona custo de morar em São Paulo

Foto: https://depositphotos.com/14999048


O custo de morar em grandes cidades brasileiras continua pressionado por despesas que vão além do aluguel ou financiamento imobiliário. Entre elas, a taxa de condomínio tem ganhado peso crescente no orçamento das famílias. Um levantamento do Índice Superlógica, baseado em dados de mais de 130 mil condomínios e 6,3 milhões de unidades residenciais no país, mostra que as taxas condominiais cresceram em ritmo superior à inflação em 2025.

Em São Paulo, a taxa média de condomínio registrou alta de 6,40% no ano, enquanto o IPCA fechou em 4,26%, segundo dados oficiais. A diferença representa um crescimento 50,2% acima da inflação.

No Brasil, a pressão foi ainda maior. A taxa condominial subiu 6,8%, o que representa avanço de 59,6% acima do índice inflacionário do período.

Condomínio já consome parcela relevante da renda

O levantamento mostra que o valor médio da taxa de condomínio em São Paulo chegou a R$ 629,15 em 2025. Esse valor corresponde a 41,4% do salário mínimo vigente naquele ano (R$ 1.518). Mesmo considerando o mínimo atual, de R$ 1.621, o condomínio ainda representa 38,8% da renda mensal.

Esse peso crescente reforça uma mudança importante na estrutura do custo de morar nas grandes cidades. Além das despesas com habitação propriamente dita, os custos de operação e manutenção dos edifícios passaram a ocupar espaço significativo no orçamento doméstico.

“A alta da taxa de condomínio acima da inflação reflete uma combinação de fatores: juros elevados, inflação pressionando itens do dia a dia e custos operacionais que pesam no orçamento, especialmente folha de pagamento e investimento em tecnologia e segurança”, disse João Baroni, diretor de crédito do Grupo Superlógica.

Despesas com funcionários, contratos de serviços, manutenção predial e segurança estão entre os itens que mais impactam os orçamentos dos condomínios. Em muitos casos, esses custos acompanham aumentos salariais, reajustes de contratos terceirizados e investimentos adicionais em tecnologia e monitoramento.

Inadimplência permanece controlada em São Paulo
Mesmo com o aumento das taxas, o índice de inadimplência condominial em São Paulo permaneceu relativamente baixo em 2025. Segundo o levantamento, 3,91% das unidades registraram atraso superior a 90 dias no pagamento da taxa, percentual abaixo da média nacional, que ficou em 6,28%.

O indicador também apresentou leve melhora em relação ao ano anterior, com queda de 0,28 ponto percentual.

Ao longo do ano, o maior nível de inadimplência no estado foi registrado em junho, com 7,19%, enquanto o menor ocorreu em dezembro, quando o índice caiu para 3,46%.

Diferenças regionais no país
A análise nacional mostra que o comportamento da inadimplência varia significativamente entre as regiões.

Em 2025, a região Norte registrou a maior média de inadimplência condominial do país, com 7,86%, seguida pelo Nordeste (6,09%) e Sudeste (5,93%).

Na sequência aparecem o Centro-Oeste (5,70%) e o Sul (4,74%), que apresentou o menor índice.

O levantamento também mostra diferenças relevantes no valor das taxas. As maiores médias foram registradas no Nordeste (R$ 885,08), Norte (R$ 868,79) e Sudeste (R$ 848,47).

Inadimplência é maior em condomínios de menor valor

Outro dado relevante do estudo aparece na análise por faixa de valor da taxa condominial.

Condomínios com taxas mais baixas apresentam os maiores níveis de inadimplência, enquanto os empreendimentos com taxas mais altas registram os menores índices.

No último trimestre de 2025:

- Condomínios com taxas até R$ 500 registraram inadimplência de 9,96%;
- Empreendimentos com taxas entre R$ 500 e R$ 1.000 tiveram índice de 6,03%;
- Condomínios com taxas acima de R$ 1.000 apresentaram inadimplência de 4,53%

Entre todas as faixas, o pico ocorreu em setembro de 2025, quando a inadimplência em condomínios de menor valor chegou a 11,46%.A inadimplência condominial tem efeitos diretos tanto para moradores quanto para a gestão dos edifícios.

Quando o pagamento das cotas diminui, os condomínios podem enfrentar dificuldades para manter contratos de serviços, realizar manutenções ou executar melhorias estruturais. Segundo estimativas do setor, a inadimplência condominial gera prejuízo anual de aproximadamente R$ 7 bilhões aos condomínios brasileiros.

Nesse cenário, a gestão financeira passa a ser um fator central para garantir previsibilidade no caixa e continuidade das operações prediais.

Verticalização amplia relevância da gestão condominial
O avanço das taxas de condomínio também ocorre em um contexto de transformação da forma de morar nas grandes cidades. Em São Paulo, a verticalização tem ampliado rapidamente o número de famílias vivendo em edifícios residenciais.

Estudos do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, mostram que a produção habitacional em São Paulo nas últimas décadas passou a ser dominada por edifícios residenciais, consolidando a verticalização como padrão predominante na expansão imobiliária da cidade.Com mais moradores vivendo em condomínios verticais, despesas coletivas como manutenção predial, segurança, energia e folha de funcionários passam a ocupar uma parcela cada vez maior do custo de moradia.

Nesse cenário, a gestão condominial deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a integrar o debate mais amplo sobre custo de vida urbano, organização das cidades e sustentabilidade financeira da moradia nas metrópoles.

Como construímos este material
Esta matéria se baseia em dados do Índice de Inadimplência Condominial da Superlógica, levantamento realizado com aproximadamente 130 mil condomínios e 6,3 milhões de unidades residenciais no Brasil. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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