Horário de consumo do café: resposta pode fazer diferença para a sua saúde

Estudo publicado no European Heart Journal analisou o padrão de consumo de café em mais de 40 mil adultos e sugere que o horário da bebida pode influenciar seus efeitos no organismo

Por Redação

Horário de consumo do café: resposta pode fazer diferença para a sua saúde

Foto: https://depositphotos.com/9880800


O café faz parte da rotina de milhões de pessoas. Ele abre o dia, acompanha reuniões, resolve a sonolência do meio da tarde e muitas vezes vira motivo para uma pausa rápida no trabalho.

Mas um estudo publicado em 2025 pela Sociedade Europeia de Cardiologia, em sua publicação científica European Heart Journal,  indica que não é apenas a quantidade de café que importa, o horário em que ele é consumido também pode fazer diferença para a saúde.

Esse estudo analisou dados de 40.725 adultos acompanhados por quase dez anos e identificou dois padrões principais de consumo: pessoas que concentram o café pela manhã e pessoas que bebem café ao longo de todo o dia.

Os resultados apontaram uma diferença relevante. Quem toma café principalmente pela manhã apresentou menor risco de mortalidade geral e de doenças cardiovasculares quando comparado a quem não bebe café. Já o grupo que consome café ao longo de todo o dia não apresentou o mesmo benefício.

Em outras palavras: beber café pode estar associado a efeitos positivos, mas estender o consumo até o fim do dia pode neutralizar parte dessas vantagens.

Café o dia inteiro: hábito comum no trabalho
Para muita gente, a rotina de café segue um padrão previsível. Uma xícara ao acordar, outra ao chegar ao escritório, mais uma depois do almoço e talvez outra no meio da tarde.

Em ambientes corporativos, o café também tem um papel social. Ele aparece em pausas rápidas entre reuniões, na conversa informal com colegas e até como um pequeno ritual para retomar o foco.

Essa cultura não é exclusiva de um país. No entanto, no Brasil ela tem uma dimensão particular. O país está entre os maiores consumidores de café do mundo, e a bebida faz parte tanto do cotidiano doméstico quanto do ambiente profissional.

A expressão “vamos tomar um café?” raramente significa apenas consumir a bebida. Muitas vezes ela representa um convite para conversar, negociar ou simplesmente fazer uma pausa mental.

O que o estudo observou sobre o horário do café
Os pesquisadores classificaram o consumo de café em três períodos do dia:

- Manhã (4h às 11h59);
- Tarde (12h às 16h59);
- Noite (17h às 3h59).

A partir dessas informações, eles identificaram dois comportamentos predominantes:

Padrão “matinal”
- Consumo concentrado nas primeiras horas do dia;
- Pouco ou nenhum café à tarde e à noite.

Padrão “ao longo do dia”
- Café distribuído entre manhã, tarde e noite.

Segundo os resultados do estudo, apenas o primeiro padrão, o consumo concentrado pela manhã, apresentou associação consistente com menor risco de mortalidade geral e cardiovascular.

Por que o horário pode fazer diferença?
Uma das hipóteses levantadas pelos autores está ligada ao ritmo biológico do corpo, conhecido como ritmo circadiano.

O consumo de café no final do dia pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono. Um outro ensaio clínico citado nesse mesmo estudo indica que ingerir café mais tarde pode reduzir a produção noturna desse hormônio em cerca de 30%.

Quando o sono é afetado, outras variáveis do organismo também podem ser impactadas, como pressão arterial, metabolismo e processos inflamatórios.

Por isso, mesmo que o número de xícaras seja semelhante, o momento do consumo pode alterar os efeitos da bebida no organismo.

Quantidade ainda importa, mas não é tudo
Diversos estudos anteriores já haviam indicado que o consumo moderado de café pode estar associado a menor risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Esse novo estudo acrescenta outra variável à equação: o horário.

Entre os participantes que bebiam café principalmente pela manhã, até três xícaras por dia continuaram associadas a menor risco de mortalidade. Já entre os que distribuíam o consumo ao longo do dia, essa relação não apareceu com a mesma consistência.

Isso não significa que tomar café à tarde seja necessariamente prejudicial, mas sugere que o hábito de beber café continuamente durante todo o dia pode não trazer os mesmos efeitos observados em quem concentra o consumo pela manhã.

No escritório, talvez valha repensar a última xícara
​No ambiente de trabalho, o café costuma funcionar como um pequeno impulso de energia entre tarefas. Ainda assim, a pesquisa levanta uma reflexão simples: talvez o momento da última xícara do dia seja tão importante quanto o número total de xícaras consumidas.

Para muitas pessoas, a pausa para o café da tarde pode ser mais um hábito cultural do que uma necessidade real de energia.

E, ao que indicam os dados mais recentes, antecipar esse consumo para as primeiras horas do dia pode ser uma forma mais equilibrada de manter o prazer do café sem comprometer o descanso noturno.

Como construímos este material
Este conteúdo foi editado a partir do estudo “Coffee Drinking Timing and Mortality in US Adults”, publicado em 2025 no European Heart Journal, publicação científica da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

Refeições compartilhadas é indicador global de conexão e bem-estar

World Happiness Report 2025 reforça que conexões humanas, confiança e atos de cuidado têm impacto direto no bem-estar

Carreira

A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Operações

Compostagem acelerada ganha protagonismo como solução estratégica para resíduos orgânicos e eco...

Estudos internacionais apontam que tecnologias avançadas de compostagem podem transformar resíduos orgânicos em ativo ambiental

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Mercado

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking