Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação
 

Ocupação inteligente de edifícios: o que Nova York, Londres e São Paulo estão ensinando ao Facilities Management?

Vacância elevada, metas de carbono e uso real abaixo de 60% pressionam gestores a transformar espaço em performance mensurável

Por Redação

Foto: Deposit | mandritoiu


Durante décadas, eficiência predial significava densidade. A pergunta era objetiva: quantas pessoas cabem por metro quadrado?


Em 2024 e 2025, os dados mostram outra prioridade. O debate passou a considerar uso real do espaço, intensidade energética, integração tecnológica e capacidade de adaptação ao trabalho híbrido.

Nova York, Londres e São Paulo ilustram essa virada. Em contextos diferentes, as três cidades revelam a mesma tendência: o metro quadrado precisa performar.

Nova York: Regulação acelera a inteligência operacional

A taxa de vacância de escritórios em Manhattan permaneceu acima de 20% ao longo de 2024. Segundo a CBRE, o índice fechou o ano próximo de 22%, refletindo a consolidação do modelo híbrido e a perda de competitividade de edifícios menos eficientes.

De acordo com a JLL, milhões de pés quadrados estão sendo direcionados para conversão residencial, especialmente em ativos Classe B e C. O mercado passou a diferenciar claramente edifícios de alta performance dos que exigem retrofit pesado.

A pressão regulatória ampliou essa divisão. A Local Law 97 impõe limites obrigatórios de emissão para edifícios acima de 25 mil pés quadrados. Segundo a prefeitura de Nova York, as multas podem chegar a US$ 268 por tonelada de CO₂ excedente. Estimativas oficiais indicam que cerca de 60% dos edifícios precisarão realizar melhorias até 2030 para evitar penalidades.

O impacto para o Facilities Management é direto:

  • Monitoramento contínuo de consumo energético
  • Integração de BMS e sensores de ocupação
  • Recalibração de HVAC conforme uso real
  • Manutenção preditiva orientada por dados

Em Nova York, ocupação inteligente virou questão de conformidade e de valuation.


Londres: Eficiência energética como critério de liquidez

Londres apresenta uma vacância menor, próxima de 9% no fim de 2024, segundo a JLL. Mas o número isolado não explica o cenário. A absorção está concentrada em edifícios com melhor desempenho ambiental.

Segundo o governo britânico, imóveis comerciais precisarão atingir classificação energética EPC B até 2030. Estimativas indicam que grande parte do estoque atual exige retrofit para cumprir essa meta.

A pressão também vem do mercado financeiro. De acordo com o GRESB, mais de 2.000 portfólios globais participaram da avaliação ESG em 2024, representando mais de US$ 8 trilhões em ativos sob gestão. Fundos passaram a exigir comprovação objetiva de intensidade energética e governança operacional.

Isso mudou a lógica contratual. Crescem acordos de FM vinculados a metas mensuráveis de:

  • kWh por metro quadrado
  • Redução de emissões
  • Conforto térmico comprovado
  • Uso efetivo do espaço

Em Londres, ocupação inteligente é critério de investimento.


São Paulo: O ajuste fino do modelo híbrido

São Paulo encerrou 2024 com vacância próxima de 18% nos principais eixos corporativos, segundo a Cushman & Wakefield. Regiões premium mantiveram maior resiliência, enquanto áreas secundárias enfrentaram maior pressão.

De acordo com a KPMG Brasil, mais de 70% das grandes empresas operam com modelo híbrido estruturado. A redução média de área locada desde 2022 varia entre 15% e 30%.

Estudos globais da CBRE mostram que escritórios híbridos frequentemente operam abaixo de 60% de ocupação média diária. Esse dado altera decisões de layout, contratos de serviços e planejamento de CAPEX.

O movimento mais visível inclui:

  • Redução de posições fixas
  • Ampliação de áreas colaborativas
  • Sistemas de reserva de estações
  • Ajuste de limpeza e manutenção à ocupação real

No contexto paulistano, o metro quadrado precisa justificar custo imobiliário elevado com uso mensurável.


Convergência global: FM como articulador de performance

Apesar das diferenças regulatórias e econômicas, os dados convergem em três pontos:

  • A vacância tornou-se variável estratégica.
  • ESG saiu do relatório e entrou na operação.
  • Decisões passaram a ser baseadas em uso real, não em projeção histórica.

Relatórios da CBRE, JLL e Cushman & Wakefield mostram que ativos flexíveis, energeticamente eficientes e tecnologicamente integrados concentram maior absorção.

O papel do Facilities Management se amplia. O gestor deixa de atuar apenas na execução contratual e passa a influenciar desempenho energético, eficiência espacial e governança de dados.

A pergunta que emerge é direta: a ocupação do seu edifício está sendo medida com precisão ou ainda operada por suposição?

Nos principais mercados globais, o edifício que aprende rápido preserva valor. O que não mede tende a perder competitividade na mesma velocidade em que o mercado evolui.


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

Refeições compartilhadas é indicador global de conexão e bem-estar

World Happiness Report 2025 reforça que conexões humanas, confiança e atos de cuidado têm impacto direto no bem-estar

Carreira

A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Operações

Compostagem acelerada ganha protagonismo como solução estratégica para resíduos orgânicos e eco...

Estudos internacionais apontam que tecnologias avançadas de compostagem podem transformar resíduos orgânicos em ativo ambiental

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Mercado

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking