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Sede própria ou escritório alugado: o que está por trás da decisão imobiliária do Santander?

A decisão do banco de investir em um terreno para sua nova sede reacende o debate sobre estratégia imobiliária corporativa, flexibilidade e gestão de portfólio de escritórios

Por Redação

Sede própria ou escritório alugado: o que está por trás da decisão imobiliária do Santander?

Foto: Divulgação/ Carol Silveira Assessoria de Comunicação


Nos últimos anos, muitas empresas passaram a reduzir a exposição a ativos imobiliários e priorizar contratos de locação para suas sedes corporativas. A lógica é simples: manter flexibilidade em um cenário marcado por transformações no trabalho, reorganização das equipes e expansão do modelo híbrido.

Por isso, a decisão do Santander de comprar um terreno avaliado em cerca de R$ 1,7 bilhão para construir sua nova sede em São Paulo chamou a atenção do mercado imobiliário corporativo. Em entrevista concedida à revista Exame, executivos do banco explicaram as razões financeiras e estratégicas por trás da escolha pela aquisição do terreno em vez da locação de um edifício já existente.

A partir dessa entrevista, ampliamos a discussão para entender o que esse movimento revela sobre a gestão de portfólio imobiliário corporativo e sobre o papel do escritório na estratégia das organizações.

O mercado de escritórios ainda está em ajuste
A decisão ocorre em um momento de reorganização do mercado corporativo. Segundo levantamento da consultoria CBRE no relatório MarketView Brasil 2024, a taxa de vacância de escritórios de alto padrão em São Paulo ficou em torno de 19%, refletindo os ajustes que muitas empresas fizeram em suas áreas após a pandemia.

Mesmo assim, o relatório aponta uma tendência clara: edifícios mais novos, localizados em regiões consolidadas e com infraestrutura moderna continuam concentrando a maior parte da demanda corporativa.

Isso ajuda a explicar por que algumas empresas optam por desenvolver sedes próprias. Em vez de adaptar operações a prédios existentes, elas passam a desenhar o espaço corporativo desde o início de acordo com suas necessidades operacionais.


O controle do espaço corporativo
Ao comprar o terreno e desenvolver sua própria sede, o Santander passa a ter controle direto sobre o projeto e a evolução do edifício ao longo do tempo.

Isso inclui decisões relacionadas à arquitetura corporativa, infraestrutura tecnológica, eficiência energética e possibilidades de expansão futura. Em imóveis locados, boa parte dessas mudanças depende de negociação com o proprietário do ativo.

Para áreas de facilities e corporate real estate, esse controle pode trazer ganhos operacionais relevantes. Edifícios projetados para uso próprio costumam incorporar desde a concepção sistemas integrados de automação predial, estratégias de eficiência energética e layouts mais adaptados à dinâmica da organização.

Consolidação de equipes e simplificação da operação
Outro fator frequentemente considerado nesse tipo de decisão é a consolidação de equipes que antes estavam distribuídas em diferentes prédios. Empresas que operam em múltiplos escritórios precisam gerenciar contratos distintos de manutenção, segurança, limpeza e serviços prediais. Ao centralizar parte da operação em um único complexo corporativo, a gestão de facilities tende a ganhar maior previsibilidade.

Essa consolidação também pode influenciar a experiência dos colaboradores e a integração entre áreas, temas que passaram a ganhar peso nas discussões sobre workplace nos últimos anos.

Um ativo imobiliário dentro da estratégia da empresa
​Além das questões operacionais, a propriedade do imóvel também pode ser vista como um ativo estratégico de longo prazo.

Instituições financeiras e grandes corporações frequentemente trabalham com horizontes de décadas em suas decisões patrimoniais. Nesse contexto, o imóvel corporativo deixa de ser apenas um custo operacional e passa a integrar o portfólio de ativos da companhia.

Regiões consolidadas de escritórios em São Paulo continuam apresentando valorização consistente ao longo do tempo, especialmente em áreas próximas a eixos empresariais e infraestrutura de transporte.

Por isso, embora muitas empresas tenham migrado para modelos mais flexíveis de ocupação de escritórios, a decisão entre comprar ou alugar continua dependendo de fatores como estabilidade da operação, horizonte de permanência e estratégia patrimonial.

O caso do Santander ilustra como essas decisões continuam sendo parte central da estratégia corporativa, e não apenas uma escolha imobiliária.

Como construímos este material
Esta matéria baseia-se em informações publicadas em entrevista concedida pelo Santander à revista Exame sobre a decisão de compra de um terreno para construção de sua nova sede em São Paulo. O conteúdo também utiliza dados do relatório MarketView Brasil, da consultoria CBRE, sobre o mercado de escritórios corporativos. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail


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