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BIM na operação predial ainda avança mais na teoria do que na prática no Brasil

Estudo revela que falhas de interoperabilidade e integração limitam o potencial do BIM na gestão predial

Por Redação

BIM na operação predial ainda avança mais na teoria do que na prática no Brasil

Foto: https://depositphotos.com/475176592


Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica Ambiente Construído reforça um ponto que ainda passa despercebido no mercado brasileiro: o Building Information Modeling (BIM) permanece subutilizado justamente na fase de operação e manutenção, onde se concentra a maior parte do custo e do potencial estratégico de um ativo imobiliário.

Embora o BIM tenha avançado de forma significativa nas etapas de projeto e obra, sua integração à rotina de Facilities ainda é limitada. O estudo mapeou mais de 4 mil publicações sobre BIM aplicado à operação e manutenção, filtrando cerca de mil artigos relevantes para análise aprofundada.

Os resultados mostram um cenário claro. Há crescimento consistente da produção acadêmica, mas predominam modelos teóricos e estruturas conceituais. São raros os casos documentados de integração contínua entre BIM e sistemas de gestão de manutenção. Além disso, persistem dificuldades na transição entre a entrega da obra e o início da operação.

Esse descompasso ajuda a explicar por que o potencial do BIM ainda não se traduz plenamente em ganhos operacionais.

A falta de interoperabilidade e o uso do BIM na operação

A dificuldade de integrar informações entre projeto, obra e operação já foi analisada em diferentes contextos internacionais. O National Institute of Standards and Technology publicou o relatório Cost Analysis of Inadequate Interoperability in the U.S. Capital Facilities Industry, demonstrando o impacto econômico da falta de interoperabilidade ao longo do ciclo de vida das instalações.

O estudo evidenciou que falhas na integração de dados geram retrabalho, ineficiência e perda de valor.

No contexto brasileiro, o efeito é semelhante. Quando o modelo BIM é entregue ao final da obra sem estrutura para atualização contínua e conexão com sistemas de manutenção, cria-se uma quebra informacional. O modelo deixa de ser ferramenta de gestão e passa a funcionar apenas como registro estático.

Onde está o potencial estratégico para Facilities

É justamente nessa lacuna que reside o potencial ainda pouco explorado.

A literatura aponta aplicações concretas do BIM na operação predial:

- Estruturação da gestão de ativos ao longo do ciclo de vida;

- Planejamento de manutenção preventiva com base em dados técnicos confiáveis;

- Rastreabilidade de intervenções e histórico de componentes;

- Integração com sensores IoT e sistemas de monitoramento.

Relatórios e benchmarks da International Facility Management Association (IFMA) reforçam que desempenho operacional está diretamente ligado à qualidade das informações e à padronização de processos. O modelo digital, quando conectado a indicadores e rotinas estruturadas de manutenção, pode se tornar um ativo estratégico de decisão.

No entanto, a maturidade do BIM na operação depende menos da tecnologia disponível e mais da governança estabelecida. Sem atualização contínua, integração com sistemas de Facility Management e alinhamento entre projeto, obra e operação, o ganho potencial se dilui.

Em um cenário de pressão por eficiência, previsibilidade de custos e ampliação da vida útil dos ativos, a integração entre modelo digital e operação tende a assumir papel cada vez mais relevante. A produção acadêmica já aponta o caminho. O desafio agora está em transformar conhecimento acumulado em prática operacional consistente dentro das edificações.


Como construímos este material
Esta matéria se baseia no estudo “BIM para gerenciamento, operação e manutenção de instalações: revisão cientométrica e sistemática”, publicado em 2024 na revista Ambiente Construído. Além disso, o conteúdo conta com o amparo de dados de relatórios de bechmarks disponíveis no site do IFMA. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. 


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