Roubo de cargas é um desafio logístico também para Facility Management

Afinal, segurança de insumos, produtos e infraestrutura crítica faz parte do escopo de gestão


Roubo de cargas é um desafio logístico também para Facility Management

Foto Deposit


O roubo de cargas voltou a ocupar o centro das discussões sobre segurança e eficiência logística no Brasil. O Panorama do Roubo de Cargas – Edição 2025, elaborado pelo Hub de Inteligência da ICTS Security, mostra que o país registrou 10.478 ocorrências em 2024, uma queda de 11% em relação a 2023. Porém, o dado que acende o alerta é o aumento de 21% no valor financeiro subtraído, totalizando R$ 1,217 bilhão.

Mais do que um problema da cadeia de transportes, o tema deve ser encarado como parte da agenda estratégica de Facility Management. Afinal, os Facilities Managers são responsáveis por garantir a continuidade operacional das empresas, e isso inclui a segurança de insumos, produtos e infraestrutura crítica.

A nova geografia do crime logístico
O estudo revela que o Sudeste ainda concentra 83,6% dos prejuízos com roubos, especialmente no triângulo SP–RJ–MG, que responde por quase 80% das perdas nacionais. No entanto, o Nordeste cresce aceleradamente, passando de 8,3% para 11,7% da participação nacional — um salto de mais de 40%.
A mudança na “mancha criminal” mostra que o crime organizado busca novas rotas, explorando corredores estratégicos como a BR-101, BR-116 e BR-232. O cenário se agrava em períodos de alta sazonalidade, como Natal e Black Friday, quando a circulação de mercadorias aumenta.


Impactos diretos no FM

Gestores de FM lidam diariamente com três dimensões críticas que o roubo de cargas afeta:

- Abastecimento de insumos – De alimentos a medicamentos, falhas na logística comprometem operações hospitalares, escritórios corporativos e indústrias;
- Armazenagem e segurança patrimonial – Instalações de distribuição, galpões e centros logísticos tornam-se alvos de quadrilhas, exigindo maior integração entre segurança predial e monitoramento de frotas;
- Continuidade de negócios – O aumento do roubo de cargas pressiona custos operacionais (seguros, escoltas, rastreamento), que impactam diretamente o OPEX das empresas.


Estratégias e tecnologias em pauta

O estudo recomenda práticas que dialogam diretamente com a realidade do FM:
- Rastreamento em tempo real e bloqueio remoto de veículos e cargas;
- IoT e inteligência artificial preditiva, capazes de antecipar rotas de risco e horários críticos (5h–12h concentram mais da metade dos ataques);
- Governança interna: auditorias periódicas, controle de acesso a informações e combate ao aliciamento de funcionários;
- Integração público-privada: compartilhamento de dados entre empresas, polícias e órgãos reguladores.


Protagonistas da prevenção

Na minha visão, o Facility Management tem papel central nesse debate porque atua como ponte entre operação logística e gestão corporativa. Se antes a segurança logística era uma preocupação isolada do transporte, hoje ela deve ser tratada como um tema multidisciplinar, envolvendo compliance, tecnologia, ESG e bem-estar organizacional.

Ignorar esse elo é abrir espaço para prejuízos milionários e riscos de imagem corporativa. Empresas que conseguem transformar dados em inteligência operacional saem na frente, protegendo ativos e garantindo eficiência.

Se o crime se reorganiza e expande sua geografia, por que ainda tratamos a segurança logística como um apêndice da operação? O futuro do Facility Management exige que sejamos curadores da continuidade, antecipando riscos e integrando soluções. Afinal, em um cenário onde até o tempo da entrega pode definir a competitividade, perder carga é perder mercado.

Para conhecer o estudo complete, baixe aqui:


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