Por Redação

Com mais de 25 anos de experiência em manutenção, obras e Facilities, o técnico em edificações e eletrotécnico Albanizio Farias atua há oito anos na Roche, onde liderou a criação de uma horta orgânica em um espaço que antes era subutilizado. “O espaço tinha 230 metros quadrados e não era usado para nada. A ideia era transformar aquilo em um ambiente mais vivo, mais útil para o dia a dia das pessoas”, explica.
A proposta inicial surgiu de forma simples, com rega manual feita com baldes e dez pequenas caixas que serviram de base para o cultivo das primeiras mudas. O projeto ganhou apoio de Leicy Rosa, especialista em segurança do trabalho. “A Leicy foi a primeira pessoa que acreditou. Ela comprou as primeiras mudas quando tudo ainda era só uma ideia. Começamos literalmente aguando no balde”, lembra Albanizio.
Depois da fase piloto, o projeto foi apresentado à diretoria, que aprovou sua expansão. Hoje, a horta fornece temperos frescos ao restaurante da empresa e permite que os colaboradores levem mudas para casa. “Eles pedem mudas, pedem ervas pra usar na hora. Às vezes é babosa, alecrim, manjericão. A gente colhe e entrega para a pessoa levar.”
Com o tempo, a estrutura do espaço evoluiu. Foram instaladas cisternas para captação de água da chuva, sistema de reuso, placas solares, colmeias de abelhas sem ferrão e comedouros para pássaros. “A gente queria criar um ecossistema. Hoje, a horta vai além dos temperos. Virou um espaço de visita, de pausa, de atividade educativa.”

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Para Albanizio, a horta também é um vetor de bem-estar, engajamento e sustentabilidade. Foto: InfraFM
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A integração com os colaboradores também se fortaleceu. Visitas ao espaço são livres, e os funcionários participam das ações de plantio e cuidado. No Dia Mundial do Meio Ambiente, por exemplo, caixas de EPS, antes usadas para transporte de medicamentos, foram adaptadas como vasos. “Furamos, impermeabilizamos e pintamos as caixas. Foram doze no total. Quem plantou foram os funcionários. Eles se inscreveram, participaram e agora ajudam a cuidar.”
Com o crescimento da horta, o projeto passou a ocupar também o deck do terceiro andar, dentro do espaço ESG da Roche. O ambiente reúne iniciativas como coleta de cápsulas de café, descarte de medicamentos vencidos, pilhas e lixo eletrônico. Os móveis, por sua vez, foram feitos com papelão prensado e reciclado, em um processo artesanal realizado por um artista de Minas Gerais.
“A gente já tinha alguns móveis sustentáveis espalhados pelo prédio. Fizemos uma curadoria e reunimos tudo nesse espaço. A ideia era criar um lugar que mostrasse o que é ESG na prática”, conta Albanizio.
IA e Power BI na manutenção: diagnósticos mais rápidos e precisos
O projeto da horta foi um dos vencedores de uma iniciativa interna da Roche que reconhece boas práticas. Com isso, Albanizio passou a atuar também como embaixador de ESG. Paralelamente, ele foi nomeado embaixador de Inteligência Artificial, aplicando IA no desenvolvimento de relatórios, revisão de projetos e automação de processos: “criei uma equipe virtual com engenheiro, arquiteta, analista e coordenador. Com isso, consigo estruturar melhor as entregas, com mais agilidade.”
Atualmente, a Roche está em fase de testes com indicadores automatizados via Power BI. A ideia, de acordo com Albanizio, é aplicar IA nos diagnósticos preventivos e corretivos de manutenção. A adoção dessas soluções tem permitido maior agilidade na revisão de dados e melhoria na tomada de decisão.
“O tempo que eu levava para escrever um memorial técnico, que antes podia durar quatro horas, hoje consigo fazer em meia hora. Às vezes até menos”, conta. Segundo ele, o uso da IA tem ajudado a acelerar entregas e melhorar a qualidade técnica do que é produzido. Além disso, ele enfatiza que a equipe virtual não substituiu ninguém. Na verdade, ela potencializou o trabalho e liberou tempo para pensar estrategicamente.
Facilities como conector entre pessoas, espaços e cultura
Para além da operação, Albanizio defende que Facilities ocupa um papel estratégico na cultura da empresa. “Facilities é muito mais do que infraestrutura. É quem garante que tudo funcione, mas também quem cria espaços que acolhem e refletem os valores da organização”, afirma.
Ele exemplifica com a horta, os móveis recicláveis do espaço ESG e as ações educativas realizadas com os colaboradores. “Os ambientes comunicam. Seja uma copa com chás naturais, um espaço com bancos de papelão reciclado ou um mural com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Tudo isso reforça a cultura de sustentabilidade e cuidado”, afirma.
Na visão de Albanizio, o futuro de Facilities será moldado por três eixos principais: tecnologia, propósito e bem-estar. A área, para ele, já está deixando de ser apenas operacional e se tornando estratégica dentro das empresas: “a integração entre ESG, IA, eficiência energética e qualidade de vida não é mais complementar. É estruturante.”
Do campo à concepção: o papel de Facilities no projeto K6
Essa visão também se traduziu no projeto K6, um dos marcos recentes da Roche. Albanizio acompanhou o desenvolvimento desde a concepção e defende que o envolvimento da área técnica nesse estágio inicial foi fundamental. “É ali que se garantem soluções mais eficientes a longo prazo”, afirma.
Entre as escolhas estratégicas está a adoção de chillers a propano, tecnologia que utiliza gás natural com baixo impacto ambiental. A solução trouxe ganhos operacionais claros, com menor consumo de energia e maior estabilidade. “Foi uma decisão ousada, mas os resultados confirmaram que era o caminho certo”, observa.
Assim como na horta, o K6 representa a interseção entre eficiência, sustentabilidade e experiência. A conexão entre os espaços técnicos e os espaços de convivência reflete uma abordagem integrada, em que Facilities contribui para o ambiente físico e para a cultura que nele se manifesta.