Fusões e Aquisições

Chegou mesmo a hora da consolidação dos serviços especializados no Brasil?

Por Marcelo Nakamura* 

Pesquisas recentes apontam que as operações de fusão, aquisição e abertura de capital devem ter crescimento até 2021. É o que mostra uma pesquisa do escritório de advocacia Baker McKenzie em parceria com a Oxford Economics (OE).

De acordo com o estudo, a expectativa é que nos próximos dois anos ocorra uma alta de cerca de 6% nos valores das transações de fusões e aquisições no Brasil. Também é esperado um aumento de cerca de 8% no volume financeiro movimentado pela Oferta Pública Inicial ações (IPOs). A expectativa positiva é impulsionada pelo aquecimento da economia.

O setor de serviços especializados, incluindo o de Facilities Management, vem chamando cada vez mais a atenção de grupos financeiros, fundos de investimentos e empresas consolidadoras do mercado, ainda que timidamente pela dimensão e valores envolvidos neste mercado e acreditamos que são duas as principais razões deste fato: (1) “imaturidade” do mercado no que diz respeito à capacidade de crescimento dos negócios para outros patamares; e (2) elevada pulverização de empresas, principalmente familiares neste setor. Não podemos generalizar, é claro, mas considerando que a grande maioria das empresas que atuam ainda hoje no mercado de serviços são oriundas de grupos familiares, cujos fundadores e/ou segunda e terceira gerações ainda estão no comando dos negócios, esse é um grande limitador para investimentos próprios destas famílias visando expansão e crescimento orgânicos.

Além disso, constatamos ainda o reduzido número de empresas ou grupos econômicos que faturam acima de R$ 1 bilhão/ano no setor de serviços, portanto estão fora do radar dos investidores e/ou grandes grupos internacionais que poderiam aportar não somente recursos financeiros, mas também tecnologia, modelos mais maduros de gestão, governança e compliance, elementos fundamentais para trilhar o caminho de consolidações setoriais de forma sustentável.

Podemos ainda comparar o Brasil em relação aos mercados mais maduros como os Estados Unidos, cujas empresas de grande porte no setor de serviços são geridas por fundos de pensão ou investimentos há pelo menos 15 anos, muitas delas já estão na terceira geração de fundos de investimentos no comando das operações, gerando lucros para investidores financeiros, ou seja, com grande capacidade de geração de margens interessantes no médio e longo prazo.

Acreditamos ainda que a nova Legislação Trabalhista aliada às reformas governamentais que visam modernizar e descomplicar a gestão pública, vide MP 915, que visa aprimorar os procedimentos de gestão e alienação dos imóveis da União, gerando grande potencial para alavancar ainda mais o crescimento e o amadurecimento do setor público, estimulando todo o mercado para elevar ainda mais o nível da régua de qualidade também no setor público.

Movimentos internacionais de padronização dos serviços visando uma melhor performance neste setor também vêm acontecendo no Brasil através da tradução da série de Normas Isso 41000 – Facility Management através do CEE-267 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), formada por renomados profissionais, entidades de classe e empresas do setor de serviços.

Assim, voltamos à pergunta inicial da matéria: “Chegou mesmo a hora da consolidação dos serviços especializados no Brasil?”

É chegada a hora da consolidação setorial no Brasil, só não sabemos ainda precisar quando, como e com quem, no entanto teremos com certeza movimentos acontecendo nesse sentido e isso será muito importante para valorizar ainda mais essa atividade, que emprega milhares de pessoas no País. É sabido que o mercado mundial de FM é estimado em US$ 1.3 trilhão/ano, com expectativa de ultrapassar US$ 2 trilhões até 2025, de acordo com o relatório Global Market Insights de 2019, com um crescimento de 8% a.a. Segundo o Global FM, este segmento representa de 2% a 4% do PIB de um país.

*Marcelo Nakamura é Sócio-diretor da Facility Partners – [email protected].

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