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De pessoas para pessoas

Um espaço com gestão sustentável de suas instalações pode ser atrativo, organizado, inovador e, se bem gerido, responsável por atrair e manter talentos.

De pessoas para pessoas

Foto: Divulgação

Por: Léa Lobo

A Volvo é um dos maiores fabricantes mundiais de caminhões, ônibus, equipamentos de construção e motores marítimos e industriais. Com mais de 100 mil funcionários, está presente em mais de 190 mercados, com fábricas em 19 países. A marca é altamente reconhecida por sua vocação inovadora, com a introdução de tecnologias de vanguarda em produtos e serviços que vêm transformando a indústria dos transportes e o mundo.

Com origem na Suécia, desde a sua fundação em 1927 a Volvo é reconhecida pelos seus valores fundamentais: Qualidade, Respeito ao Meio Ambiente e Segurança. Esses são os princípios que norteiam tudo o que a marca faz, do desenvolvimento de produtos e serviços, passando pela gestão interna de pessoas e processos, até o compromisso com toda a sociedade, por meio de soluções de transporte cada vez mais seguras, eficientes e sustentáveis.

No Brasil, a sede latino-americana da Volvo é em Curitiba/PR, onde está localizado um complexo industrial que produz caminhões, chassis de ônibus, motores, cabines e caixas de câmbio. No mesmo local estão também as sedes da Volvo Construction Equipment Latin America (divisão de equipamentos de construção), Volvo Financial Services South America (divisão financeira) e Volvo Penta South America (divisão de motores marítimos e industriais). Em Pederneiras, interior de São Paulo, está outra unidade fabril do grupo, que produz máquinas amarelas para construção e mineração.

E para cuidar das instalações temos Fernanda Favoretto, Head de Real Estate no Grupo Volvo América Latina. Nascida em Curitiba (PR) é engenheira ambiental graduada pela Universidade Tuiuti, com pós-graduação em Gestão Empresarial, Lean e Gestão de Real Estate pela PUC, FGV e FIA no Paraná e São Paulo. Atua no setor há 18 anos, tendo trabalhado em subsidiárias brasileiras de vários grupos industriais mundiais, nos setores de petróleo e gás, automotivo e prestação de serviços. Trabalha com ações e projetos de Real Estate desde o surgimento dessa área no Brasil. É uma apaixonada por este segmento e vem tendo uma carreira ascendente desde que começou a trabalhar. Desde o início, demonstrou um grande potencial para ser uma liderança de destaque nesta área, que cada vez mais ganhou importância e complexidade.

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Com passagens por várias empresas multinacionais e nacionais, ela tem larga experiência em operações em Facility Management, comandando vários projetos que culminaram em maior eficiência e agilidade nos processos. Além disso, participou ativamente de programas de gestão de serviços e contratos, planos de manutenção e ampliação e manutenção dos ativos em inúmeras situações. Tem também experiência internacional, tendo sido responsável pela concepção, construção e manutenção de uma unidade fabril na região hispânica da América Latina. Agora, o leitor pode acompanhar um pouco sobre a importância da atuação da executiva na condução de sua gestão:

O que mudou nos últimos 10 anos, quando falamos de valorização do FM?
Mudou muito. Há 10 anos, se resumia em asseio e conservação. Os fornecedores eram quem fazia a gestão do serviço. A tomadora de serviços normalmente ocupava-se de custos e contratos. A área era pulverizada e não era gerida por especialistas. Os contratos eram geridos por pessoas de grande boa vontade, porém nem sempre com conhecimento técnico do assunto. Era uma área que não existia.

Passou por um processo forte de profissionalização e ganhou muito espaço dentro das empresas. Iniciou no Brasil por intermédio de algumas multinacionais. Hoje FM é responsável por todos os serviços das organizações, como a infraestrutura, asseio e limpeza, manutenção predial, além de vir incorporando os refeitórios, a gestão de viagens, transporte, frotas de veículos, construção de prédios, venda e aluguel de edificações. Enfim, é uma gama muito ampla de responsabilidades. É um segmento que saiu dos bastidores e abarcou atribuições em benefícios, retenção de talentos e planejamento de demandas, tornando-se essencial em controle de gastos e nos investimentos das empresas. É também diretamente responsável pela satisfação dos empregados, pelo employee experience. Com a introdução de especialistas, passou para ser um protagonista nas organizações.

Especialmente no momento pós-pandemia, que mudou significativamente comportamentos de toda a sociedade, a gestão de facilities e das instalações físicas passou a ser vista como essencial no planejamento de demandas, serviços, controle de custos e, especialmente, na experiência do funcionário. Cada vez mais o espaço é valorizado. Um espaço atrativo, organizado, inovador e bem gerido é responsável por atrair e manter talentos.

Investimento na formação e capacitação de profissionais entram nesse processo?
Esse é outro ponto de suma importância. Alguns anos atrás não existiam cursos preparatórios, o benchmarking era restrito e somente multinacionais tinham uma área estruturada de gestão de serviços. Atualmente, temos KPIs, SLAs, métricas de satisfação e vasta literatura sobre os temas. A gestão de espaço era tão somente colocação de mobiliário em salas, não se pensava ainda no conceito de bioarquitetura que integra funcionalidade, conforto e estética às construções, respeitando o meio ambiente. Sustentabilidade era tão somente reciclagem de lixo. Hoje, é foco em grande parte das organizações e facilities tem necessariamente de estar conectada ao meio ambiente, visando sempre diminuição de consumo de água, energia, materiais, entre outros itens.

Como gerencia a América Latina, quais os desafios quando falamos em culturas distintas?
Somos uma companhia com responsabilidade comercial nos mercados de todo o continente e com muitas culturas e legislações diferentes. Temos que atender as diferentes legislações onde a companhia está presente e é fundamental mantermos boas relações e fazer conexões nos sites, com uma equipe local de apoio. As pessoas são o centro de tudo. A área é feita de pessoas para pessoas.

Como está estruturada a sua área dentro do negócio Volvo? 
Somos uma organização com mais de cinco mil funcionários, somente no Brasil. Temos um complexo fabril em Curitiba/PR, onde estão cinco fábricas: motores, cabines, caminhões pesados e semipesados, chassis de ônibus rodoviários e urbanos e caixas de câmbio. Temos ainda uma unidade fabril em Pederneiras, interior de São Paulo, onde são produzidas as chamadas máquinas amarelas. Nosso escopo abrange prestação de serviços, obras de infraestrutura, gestão de Real Estate, frotas, transporte de funcionários, limpeza, manutenção e jardinagem e controle de pragas, entre outras tarefas. Parte disso é feito internamente e parte é terceirizado.

Qual é o seu desafio na gestão?
Nosso desafio constante é manter um bom nível de qualidade na prestação de serviços, sempre de olho nos custos, prestando também muita atenção na adaptação do quadro de pessoal na rotina do pós-pandemia. O público mudou e está mais exigente com a flexibilidade do trabalho híbrido e de outras mudanças advindas da nova realidade. Os funcionários estão valorizando mais os espaços colaborativos, mais modernos e aconchegantes. Este é mais um desafio de nossa área: conseguir toda essa sinergia ao mesmo tempo com foco nos impactos financeiro e ambiental. Além disso, são diferentes faixas etárias – jovens em início de carreira e o público sênior, mais antigo na empresa. Tudo isso de se ser levado em conta.

No Real Estate, qual é a quantidade de unidades fabris e escritórios e como mantém a atualização imobiliária das unidades?
As unidades fabris da Volvo estão localizadas no Brasil (Curitiba/ PR e Pederneiras/SP). Temos ainda um grande centro de distribuição de peças em São José dos Pinhais/PR e sedes administrativas na Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Considerando também algumas concessionárias e outras instalações da marca, são cerca de 30 sites Volvo na América Latina. Temos serviços de parceiros que nos auxiliam na atualização imobiliária, revisando constantemente a metragem e os contratos, em caso de instalações alugadas.

Irão manter o formato híbrido de trabalho?
A avaliação do formato e da jornada do trabalho é de responsabilidade do RH. Nós apoiamos o RH nessa área. Houve uma mudança na cultura dos escritórios, que hoje são locais de interação e encontro, tendo atualmente que ser mais funcionais e atrativos, colaborativos e aconchegantes. Temos que otimizar o espaço que tínhamos anteriormente para armazenar documentos, entre outros itens, fazendo atualizações tecnológicas e outras alterações. 

Sua gestão é muito embasada nos princípios sustentáveis, certo? Comente:
Sim, muito. O Respeito ao Meio Ambiente é um valor fundamental da marca, ao lado da Segurança e da Qualidade. Nós somos muito rigorosos nesta área, com objetivos de ser zero emissões de carbono em todos os nossos produtos em anos futuros. Nossas instalações e processos também precisam ser voltados para a sustentabilidade. Precisamos nos certificar dos materiais que não podemos usar, a diminuição permanente do consumo de energia e de recursos naturais, entre outros processos.

Fale um pouco sobre a importância do EHS dentro de FM?
Somos interligados, pois estamos muito focados nisso, buscando soluções para reduzir o impacto ao meio ambiente, reaproveitar os resíduos, promover a gestão de recursos hídricos e energéticos. Também estamos conectados com a área de saúde da empresa, como por exemplo, no manejo do ar-condicionado, mantendo a qualidade em níveis adequados, dentro das especificações do setor e da vigilância sanitária. Outra correlação é contribuindo para a saúde mental no trabalho, com espaços adequados, aprazíveis, com verde, para que as pessoas se sintam bem, ajudando a controlar o estresse do dia a dia.

Como planeja o futuro da área? Quais novos projetos?
Estamos em constante evolução e com muitos projetos, alguns já em andamento. O nosso planejamento está sempre voltado para as pessoas e o meio ambiente. A sustentabilidade é um pilar em cada projeto, mas obviamente, sempre de olho nos custos. O futuro é cada vez mais trabalhar custos, reduzir impacto ao meio ambiente e mais atrativos para pessoas trabalharem e se sentirem bem no local de trabalho. 

Por fim, a área de Real Estate saiu do bastidor para se tornar estratégica, principalmente no pós-pandemia. Está indissoluvelmente relacionada com a experiência dos funcionários, desde o transporte, os banheiros e a alimentação, até o local de trabalho. Tudo está relacionado e agora os escritórios precisam ser muito votados para a manutenção e atração de talentos. A conectividade e a tecnologia são essenciais no trabalho, com a gestão de espaço mais modernos, com melhorias em áudio, som e vídeo, por exemplo. 

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