Falhas de compatibilização das disciplinas elevam custos e comprometem prazos nas instalações prediais

Para André Henrique, CEO da WM3 Engenharia, a integração tardia entre as disciplinas dos projetos ainda provoca retrabalho, desperdícios e riscos operacionais.

Por Léa Lobo

André Henrique, CEO da WM3 Engenharia

André Henrique, CEO da WM3 Engenharia


O avanço tecnológico e a crescente complexidade das operações estão ampliando os desafios relacionados às instalações elétricas, ao cabeamento estruturado, ar condicionado e à automação. Para André Henrique, CEO da WM3 Engenharia, muitos problemas poderiam ser evitados se as diferentes disciplinas fossem integradas de forma coesa desde o início dos projetos.

Com uma trajetória de relacionamento de 25 anos na construção civil antes de assumir o comando da WM3, o executivo identifica uma deficiência importante na compatibilização dos projetos elétricos, de climatização, segurança, automação e arquitetura. “As disciplinas muitas vezes não se conversam. Os problemas acabam sendo identificados nos 10% finais do cronograma, quando as consequências podem ser muito negativas em relação aos custos e aos prazos”, afirma.

Segundo Henrique, como climatização, segurança e automação dependem da infraestrutura elétrica, reunir antecipadamente os responsáveis pelas diferentes áreas ajuda a identificar incompatibilidades e evitar retrabalho. 
Já nos edifícios existentes, o desafio pode ser ainda maior. Muitas construções foram projetadas para uma realidade diferente e apresentam limitações físicas para receber novos sistemas de climatização, conectividade e automação. 
“A tecnologia avança rapidamente, mas temos um volume significativo de edifícios antigos. Modernizar esses ativos é um grande desafio, porque nem todos possuem infraestrutura preparada para receber os novos sistemas”, observa.

Nesse contexto, o gestor de Facilities deve avaliar não apenas a substituição de equipamentos, mas todos os impactos da solução sobre a operação, a distribuição elétrica, os espaços técnicos e a continuidade do negócio. Entre as tecnologias mencionadas pelo executivo está o LaserWay, da Furukawa, solução baseada em fibra óptica que pode substituir parte da infraestrutura tradicional de cabeamento estruturado. O sistema reduz o volume de cabos, equipamentos e espaços técnicos necessários para atender às demandas de conectividade dos edifícios.

Para Henrique, a análise não deve se limitar ao preço do cabeamento. Também precisa considerar os investimentos em instalações elétricas, climatização, servidores e equipamentos ativos. Segundo ele, quando todos esses componentes são avaliados conjuntamente, o LaserWay pode proporcionar economia de aproximadamente 35%, dependendo das características do projeto. “É uma solução que utiliza menos material, reduz a infraestrutura necessária e traz benefícios importantes do ponto de vista da sustentabilidade”, destaca.

O executivo reconhece, entretanto, que a adoção ainda enfrenta resistência, especialmente em grandes empresas que possuem padrões de tecnologia e fornecedores já estabelecidos. A migração dos centros de processamento de dados corporativos para data centers especializados, contudo, pode favorecer a utilização de redes ópticas nos edifícios.

Outro ponto de atenção é a escolha de fornecedores baseada predominantemente no preço. Na avaliação do executivo, a contratação deve considerar a capacidade de engenharia, a qualificação das equipes e o suporte durante a execução. “O custo pesa muito na decisão. Porém, é importante compreender o que está incluído em cada proposta. A engenharia embarcada e a visão multidisciplinar podem evitar retrabalho, atrasos e despesas não previstas”, afirma. Para os gestores de Facilities, a análise deve considerar o custo total da solução e seus impactos ao longo da implantação e da operação.

A falta de mão de obra técnica qualificada é apontada como outro desafio relevante. “Em algum momento, essa situação pode comprometer a capacidade de entrega das empresas”, alerta Henrique. Como resposta, a WM3 mantém uma estrutura interna de capacitação, com treinamentos multidisciplinares e apoio à formação profissional. Iniciada em sua configuração atual em março de 2023, a empresa alcançou, segundo o executivo, faturamento anual próximo de R$ 10 milhões. “Acreditamos que a empresa cresce quando os profissionais também crescem. Quando investimos em formação técnica, desempenho e desenvolvimento pessoal, os resultados aparecem naturalmente”, conclui.



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