O escritório não acabou, ele mudou de função

O home office decretou o fim dos escritórios? Os dados mostram que não.

Por Marcos Alves, CEO da RealtyCorp

O escritório não acabou, ele mudou de função

Marcos Alves, CEO da RealtyCorp


Durante a Expo InfraFM 2026, realizada neste mês em São Paulo, participei de discussões sobre infraestrutura, desenvolvimento urbano e mercado imobiliário. Entre os temas que mais despertaram interesse, esteve uma questão que parecia definida há poucos anos: afinal, o home office decretou o fim dos escritórios? Os dados mostram que não.

Quando a pandemia acelerou a adoção do trabalho remoto, muitas previsões apontavam para uma transformação permanente das relações de trabalho. Proprietários de edifícios corporativos temiam uma perda estrutural de demanda e, por consequência, uma desvalorização de seus ativos. O cenário era cercado de incertezas. Ninguém sabia ao certo qual seria o destino dos escritórios em um mundo cada vez mais digital.

Seis anos depois, o mercado oferece respostas mais concretas. O trabalho remoto não eliminou os escritórios. O que ocorreu foi uma redefinição de seu papel.

Hoje, a maior parte das empresas opera em modelos híbridos, enquanto algumas já retomaram a presença integral. Mais importante do que isso, as organizações compreenderam que o escritório vai muito além de um espaço físico destinado à execução de tarefas. Ele funciona como um ambiente de troca cultural, integração de equipes, formação de lideranças e construção de inovação.

As melhores ideias raramente surgem em reuniões agendadas. Muitas vezes, elas acontecem em conversas informais, durante um café ou em interações espontâneas entre profissionais de diferentes áreas. O escritório voltou a ser visto como um centro de convivência e produção de valor coletivo.

Essa mudança de percepção aparece claramente nos números do mercado paulistano. No primeiro trimestre de 2026, o estoque total de escritórios da cidade alcançou 12,4 milhões de metros quadrados, dos quais 10,5 milhões já estão ocupados. A taxa de vacância caiu para 15,28%, abaixo dos 15,94% registrados no trimestre anterior, enquanto a absorção líquida positiva chegou a 107 mil metros quadrados.

O movimento é ainda mais evidente nos edifícios de alto padrão. Os ativos classe A+ registraram vacância de 12,87%, enquanto os empreendimentos classe A ficaram em 14,12%. Trata-se de uma recuperação firme e consistente, especialmente quando observamos os principais polos corporativos da cidade.

Na Nova Faria Lima e na região da Avenida Juscelino Kubitschek, a escassez de espaços disponíveis se tornou um fator determinante. Nos edifícios corporativos A e A+, a vacância está em apenas 6,56%, índice considerado extremamente baixo para o mercado. Como consequência, os preços de locação avançaram de forma significativa.

Em 2020, o preço médio de locação do metro quadrado na Nova Faria Lima era de R$ 150. Atualmente, esse número alcança R$ 310. Enquanto a inflação acumulada pelo IPCA no período foi de aproximadamente 43%, a valorização nominal dos aluguéis ultrapassou 100%. O mercado, portanto, não apenas acompanhou a inflação: superou-a com ampla margem.

Entretanto, essa valorização também gera novos desafios. Muitas empresas encontram dificuldades para localizar grandes lajes corporativas nas regiões mais disputadas da cidade. O resultado é uma busca crescente por alternativas capazes de combinar localização estratégica, qualidade construtiva e custos mais competitivos.

Nesse contexto, regiões como a Chucri Zaidan ganham protagonismo. Com estoque corporativo robusto, disponibilidade de grandes áreas e infraestrutura cada vez mais consolidada, a região se posiciona como uma alternativa natural para empresas que desejam manter padrões elevados de ocupação sem absorver os custos da Nova Faria Lima.

Os números ajudam a explicar esse movimento. Enquanto o metro quadrado para locação na Chucri Zaidan custa, em média, R$ 110, na Nova Faria Lima ele já alcança R$ 310. Trata-se de uma diferença próxima de 65%. Além disso, empreendimentos como o Alto das Nações e outros projetos em desenvolvimento reforçam o potencial de expansão da região e ampliam as opções para ocupantes corporativos.

O mercado corporativo caminha, portanto, para um cenário mais competitivo e altamente seletivo. Empresas seguem valorizando localização, experiência do colaborador e capacidade de atração de talentos, mas também buscam eficiência econômica e flexibilidade.

O grande aprendizado dos últimos anos é que o escritório não perdeu relevância. Pelo contrário. Em um mundo cada vez mais digital, os encontros presenciais se tornaram ainda mais valiosos. O futuro do trabalho não eliminou os escritórios. Apenas transformou sua função e sua importância estratégica.


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