Brasil recicla 2% e quer chegar a 48%

As empresas são peças-chave para atingir as metas de reciclagem

​Somente 2% dos 82,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) são reciclados por ano no Brasil. Dados do Panorama Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais mostram que apenas uma pequena parcela de todos os resíduos produzidos em solo nacional passam pelo processo de reciclagem e, de acordo com a entidade, a projeção é chegar a 120 milhões em 2050.

"Esse número baixo de recuperação de resíduos é um problema, pois sobrecarrega os aterros sanitários, aumenta as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e exige que mais matéria-prima seja retirada da natureza", destaca Gabriel Barros, diretor do Grupo Ambiensys, empresa especializada na gestão global de resíduos e projetos técnicos ambientais ligados aos princípios ESG (práticas Ambientais, Sociais e de Governança, na sigla em inglês). "Por exemplo, 1 tonelada de alumínio reciclado evita a extração de 5 toneladas de minério", alerta Barros. 

No Brasil, o principal componente dos RSU são os orgânicos, como sobras e perdas de alimentos, resíduos verdes e madeiras. Esse tipo de RSU representa 45,3% do total; mas apenas 0,2% dessa parcela é recuperada de alguma forma. Os recicláveis secos somam 33,6% da massa total, o que inclui plásticos, papel e papelão, vidros, metais e embalagens multicamadas, em que somente 2% desses RSU secos têm algum tipo de reaproveitamento. Somando tudo, pouco mais de 2% dos resíduos gerados é reciclável.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), com decreto de regulamentação editado em abril de 2022 pelo Governo Federal, prevê mudar a realidade e valorizar cada vez mais os RSU. Entre alguns dos desafios para o país, o Planares define a meta de reciclar ou recuperar 48,1% da massa total de resíduos sólidos urbanos até 2040. Uma meta ambiciosa para ser atingida nos próximos 18 anos. O caminho para isso ser atingido deve ser atingido com a ajuda de: 20% por meio de recuperação de materiais recicláveis, 13,5% com a massa total destinada para tratamento biológico e 14,6% correspondente à recuperação energética.

Como as empresas devem atuar na economia circular

O trajeto para isso ser atingido não depende somente da sociedade civil. As empresas têm um papel fundamental nesse processo, com o cumprimento das leis e a implementação da gestão de resíduos, que é o processo operacional de logística de coleta, transporte, destinação e controle do resíduo. 

"Os grandes geradores de resíduos precisam assumir sua responsabilidade. Eles contribuem para a diminuição da pressão sobre o sistema público de tratamento dos resíduos sólidos urbanos", afirma Barros, citando um caso do Grupo Ambiensys, que em 2021 gerenciou mais de 60 mil toneladas de resíduos de seus clientes em todo o Brasil. "A nossa busca é fornecer soluções de destinação de resíduos, garantindo que o que foi descartado por nossos clientes seja devidamente coletado e destinado". 

O diretor do Grupo Ambiensys defende que a responsabilidade empresarial precisa ir além da gestão dos resíduos, destacando que o desafio é diminuir ao máximo o descarte para aterro sanitário. Um caminho para isso é promover a economia circular, fazendo que o resíduo volte para a cadeia produtiva. 

"Um exemplo de processo que faz parte do funcionamento de uma economia circular é a logística reversa. Neste caso, a indústria recicladora garante que o material pós-consumo foi destinado para a reciclagem. A reciclagem, por sua vez, é o processo dentro da economia circular que garante que um produto se transforme em outro a partir de um processo físico-químico", analisa. 

O resultado: menos emissões de gases-estufa

Os resíduos sólidos são, por natureza, fontes de emissão de gases de efeito estufa (GEE), muito pela relação com a produção e o consumo. Além disso, quando colocados em solo, sejam lixões ou aterros sanitários, a sua decomposição gera gás metano, que é um potente GEE.

Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) mostram que o setor de resíduos respondeu por 4% do total de emissões de gases de efeito estufa no Brasil. isso corresponde a 96 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente emitidas. O mesmo estudo indica que os meios de disposição final em solo são responsáveis por dois terços de emissões de todo o setor de resíduos. 

"Atendo a esse cenário, o Grupo Ambiensys oferece a seus clientes diversas soluções de valorização do resíduo, que ainda reduzem as emissões de carbono e contribuem para outros aspectos da agenda ESG", finaliza Barros.

Foto: Divulgação



Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.
Estúdios Globo anunciam nova estrutura

Desenho estimula sinergia, eficiência, novos formatos e narrativas e traz área dedicada à diversidade nos conteúdos e nos times do Entretenimento

Líderes de audiência

Data Center

BNDES amplia aposta em data centers nacionais com novo projeto de arquitetura modular

Financiamento de R$ 10,18 milhões para a ALGcom busca desenvolver uma solução brasileira capaz de reduzir em até 50% o tempo de implantação de data centers, em um momento de expansão da infraestrutura digital no país

Workplace

Licença-paternidade ampliada: o que essa mudança revela sobre os ambientes de trabalho?

A ampliação da licença-paternidade coloca um tema tradicionalmente tratado pelo RH dentro de uma discussão mais ampla sobre ocupação, experiência do colaborador e adaptação dos ambientes corporativos às novas formas de trabalho

Operações

CVM revê exigência para relatórios ESG e desloca discussão para a governança corporativa

Mudança na regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários retira a obrigatoriedade da divulgação de informações de sustentabilidade a partir de 2026, mas pressão de investidores, financiadores e cadeias globais de valor tende a manter a agenda ESG no centro das estratégias empresariais

Workplace

Itaú amplia trabalho presencial para três dias. O híbrido está entrando em uma nova fase?

Nova política amplia a presença física para parte dos colaboradores e reforça uma tendência observada em grandes empresas: a discussão sobre trabalho híbrido começa a migrar da quantidade de dias no escritório para a gestão da cultura, da colaboração e da experiência dos times

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea