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Quebrando o estereótipo das residências estudantis

Profissionalizar a estrutura e aumentar o modelo podem ser saídas inteligentes para alavancar setor no Brasil

Nos EUA e muitos países da Europa, o setor de habitação estudantil (student housing) se desenvolveu muito, modernizou-se e procura cada vez mais profissionalizar a estrutura e aumentar o modelo, à medida que o número de estudantes aumenta. A nova e moderna moradia estudantil não é nada parecida com as ideias preconcebidas que possam existir na mente das pessoas, e que muitas vezes é retratada no cinema, de forma caótica e desproporcional. Na verdade, a maioria das habitações para estudantes construídas com esse propósito é feita para resolver alguns dos problemas comuns associados aos estudantes.

Um grande edifício apenas para estudantes beneficia a todos, já que o público a que se destina recebe uma acomodação de qualidade, com serviços inclusos e segurança. E os pais, por sua vez, ficam mais tranquilos, pois sabem que existe uma estrutura de apoio aos filhos.

As instalações mais modernas construídas especialmente para habitação estudantil em países como EUA e Austrália, são grandes edifícios que contam com espaços comuns bem planejados, como salão de jogos, academia, salas de estudo, áreas de convivência internas e externas, com espaços que permitem aos estudantes se integrar, estudar e também relaxar.

Todos saem ganhando com a construção desses empreendimentos, e os benefícios para o estudante são muitos, pois além de ter a oportunidade de morar em um local com todas as facilidades que ele precisa, irá conviver com estudantes de outras universidades e outros cursos, o que pode tornar sua experiência universitária muito mais interessante. Juntamente com a integração entre moradores, há ainda a troca de ideias e quem sabe, em breve, esses modelos poderão ser celeiros de startups, já que ali pulsa a inovação com empreendedorismo.

Enem impulsiona modelo por aqui

O Brasil é um país enorme, e as políticas educacionais governamentais implantadas há mais de dez anos, possibilitaram que o ensino superior saísse da roda de poucos e fosse agregado à realidade de muitos. Com o ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - criado em 1998 para avaliar o desempenho do estudante para melhorar a qualidade do ensino, que a partir de 2009, passou a servir como seleção para o ingresso no ensino superior, oportunidades aumentaram e encerraram as fronteiras do vestibular. Isso porque em qualquer parte do Brasil, os jovens podem pleitear vagas de qualquer universidade nacional. É a democratização do Ensino Superior. Com essa facilidade para ingresso em universidades, surgiu um novo nicho de atuação para empresas - o das moradias estudantis

Nesse cenário, há a necessidade urgente de se criar modelos de residências estudantis semelhantes aos empreendimentos em operação nos EUA, Europa e Austrália, e que atendam a essa demanda que cresce a cada ano, em busca de ensino de qualidade e distante da cidade de origem ou da casa dos pais.

Para tangebilizar essa realidade e trazer à tona a discussão, entre 2010 e 2011, o número de estudantes paulistas matriculados em universidades de outros Estados cresceu quase 71%. Muitos estudantes paulistas migram para Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde estão localizadas algumas das mais importantes universidades mantidas pela União. Neste período, segundo o Ministério da Educação (MEC), 4 em cada 10 estudantes paulistas conseguiram entrar em uma universidade federal fora de São Paulo, graças ao ENEM. Mesmo para os pais desses universitários migrantes, a opção de estudar fora é mais barata do que pagar uma universidade privada. Mas a opção poderia ficar menos desgastante se houvesse residências especializadas em acolher os universitários durante o período do curso.

*Juliano Antunes, CEO da ULIVING Brasil. www.uliving.com.br/

Fotos: Uliving Brasil Bela Vista, em São Paulo.


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