Planejar com visão sistêmica começa com um check-up pessoal e do mundo

Geopolítica, cuidado com a liderança, experiência no trabalho e transformação tecnológica se conectam nos debates do JLL Real Estate 360 e mostram por que decisões imobiliárias exigem uma leitura integrada de pessoas, negócios e infraestrutura.

Foto: Divulgação

Antes de planejar o futuro de uma organização, é preciso avaliar o mundo em que ela opera e as condições de quem conduz suas decisões. Essa conexão entre o olhar para fora e o olhar para dentro oferece um fio condutor para as principais mensagens do JLL Real Estate 360, realizada no ano em que a empresa completa 30 anos de atuação no Brasil.

Com mediação da jornalista Débora Freitas, o encontro reuniu discussões sobre geopolítica, liderança, futuro do trabalho, gestão imobiliária, inteligência artificial e data centers. A aproximação entre esses temas mostrou que uma decisão sobre um edifício, um escritório ou uma operação depende de fatores que ultrapassam os limites do imóvel.

Nesse contexto, a ideia de um check-up ganha um sentido mais amplo. Além de cuidar da saúde e dos relacionamentos, quem lidera precisa revisar suas referências, acompanhar mudanças externas e verificar se os espaços e os serviços sob sua responsabilidade continuam respondendo às necessidades do negócio.

Na abertura, Washington Botelho, CEO da JLL, destacou que, mesmo em um mundo em profunda transformação, as pessoas permanecem no centro dos negócios. Ao abordar a convivência de diferentes gerações nas organizações, ressaltou a importância da ética, dos relacionamentos e do respeito às distintas visões de mundo. Para o executivo, a integração entre inteligência humana e artificial pode ampliar a capacidade de realização das empresas, mas deve estar acompanhada da responsabilidade de quem lidera: reconhecer que suas decisões impactam profissionais, famílias e comunidades e usar essa influência para contribuir com uma sociedade melhor.

A geopolítica entra no planejamento imobiliário

No painel com Daniel Sousa e Tanguy Baghdadi, especialistas do Petit Journal, a reorganização da economia mundial foi apresentada como uma variável concreta para o mercado imobiliário. Em um ambiente mais fragmentado, decisões sobre onde produzir, armazenar e distribuir passam a considerar segurança de abastecimento, proximidade dos consumidores e relações entre países.

O deslocamento de cadeias produtivas para mercados próximos ou aliados altera a demanda por instalações industriais e logísticas. Para as organizações, isso exige reavaliar localização, fornecedores, custos e exposição a interrupções. O endereço de uma operação passa a integrar uma análise mais ampla de riscos e oportunidades.

Os debatedores também destacaram atributos do Brasil, como seu mercado interno, recursos naturais e presença de fontes renováveis na matriz elétrica. Na avaliação apresentada, essas características oferecem oportunidades em meio às mudanças globais, inclusive para a infraestrutura digital. Aproveitá-las, porém, requer atenção às condições econômicas e à capacidade de viabilizar os investimentos.

O cuidado com quem decide

Ao abordar os três Cs da liderança corporativa, Washington Botelho, CEO da JLL, trouxe o debate para corpo, coração e cabeça. Sua reflexão relacionou saúde física, vínculos pessoais e clareza mental à capacidade de liderar e sustentar uma trajetória profissional.

A agenda executiva pode ocupar o tempo que deveria ser dedicado ao cuidado pessoal, à família e aos amigos. A mensagem foi olhar para essas dimensões antes que o desgaste comprometa a pessoa e sua atuação. O check-up, nesse caso, envolve tanto acompanhar a saúde quanto reconhecer o que vem sendo adiado na vida.

O aprendizado contínuo completa essa avaliação. Em um cenário de amplo acesso à informação e expansão da inteligência artificial, Botelho destacou a importância de compreender contextos, construir cenários e gerar confiança para decidir. A qualidade da liderança depende também da disposição para rever certezas e ampliar repertórios.

O escritório precisa fazer sentido para as pessoas

No painel sobre o futuro do trabalho, Alessandra Arnone e Alessandra Osiro, da JLL, e Hilton Rejman, da BGRE, discutiram como o retorno presencial vem acompanhado de novas expectativas. Atrair as pessoas ao escritório exige considerar o deslocamento, a qualidade dos ambientes e os serviços disponíveis no empreendimento e no entorno.

A proximidade do transporte público e a possibilidade de resolver necessidades cotidianas ganham peso na escolha dos espaços. Dentro deles, conforto acústico, iluminação, temperatura e ambientes adequados para concentração e colaboração influenciam a experiência de quem trabalha.

A hospitalidade apareceu como uma referência para essa transformação. O empreendimento passa a ser avaliado pelo conjunto da experiência que oferece, enquanto a área de Recursos Humanos ganha relevância nas decisões imobiliárias. Para Facility e Property Management, isso amplia a necessidade de integrar infraestrutura, serviços e políticas de pessoas.

Também foram discutidos o retrofit e a mudança de uso de edifícios. Reavaliar um ativo existente pode revelar alternativas de reposicionamento, desde que a análise considere sua estrutura, as adaptações necessárias e a demanda que se pretende atender.

O valor aparece na operação cotidiana

O painel sobre oportunidades para investidores e ocupantes aproximou a valorização imobiliária da qualidade da gestão. Com representantes da Kinea (José Farias Junior), da JLL e da General Motors, a discussão mostrou como manutenção, eficiência no uso de recursos e atendimento aos usuários influenciam a competitividade dos imóveis e das empresas.

Fátima Bottameli, da JLL, abordou o desafio de melhorar a experiência em um contexto de pressão sobre os orçamentos. Entre os caminhos discutidos estão o uso de dados de ocupação para ajustar serviços, a manutenção preventiva e a avaliação do custo total das soluções. Conhecer como o espaço é utilizado permite direcionar recursos com maior precisão.

Ricardo Pioltini, da General Motors, levou essa leitura ao ambiente industrial. Transporte, alimentação, condições dos espaços e utilidades também participam da atração e retenção de profissionais e da eficiência do negócio. O cuidado com a experiência das pessoas alcança operações em que a presença física já faz parte da natureza do trabalho.

Modernização de climatização, gestão de água e destinação de resíduos foram outros exemplos apresentados. São decisões que conectam desempenho ambiental, custos operacionais e qualidade do ativo, reforçando a importância de planejar investimentos com base no diagnóstico da operação.

A inteligência artificial exige olhar para a infraestrutura

No debate com Eduardo Sodero, da Takoda Data Centers, Gustavo Gierun, do Distrito, e Ricardo Hirata e Vinícius Santos, da JLL, a inteligência artificial foi tratada tanto como ferramenta de gestão quanto como indutora de demanda imobiliária.

Sua aplicação nas empresas exige avançar dos testes para soluções que produzam resultados mensuráveis. Qualidade dos dados, custo de implantação, manutenção e segurança da informação precisam entrar na avaliação. A tecnologia agrega valor quando responde a um problema definido e encontra condições para funcionar na rotina.

Ao mesmo tempo, o crescimento do processamento de dados depende de infraestrutura física. Energia disponível, conexão, sistemas de resfriamento e condições de implantação influenciam a localização e a viabilidade dos data centers. A discussão ressaltou que os atributos brasileiros precisam ser acompanhados de capacidade efetiva de atender essas demandas.

Um diagnóstico que conecta as decisões

Lidos em conjunto, os debates do Real Estate 360 apontam para um planejamento que acompanha as relações entre as mudanças externas, as pessoas e a operação. Uma nova localização afeta o deslocamento dos profissionais; um serviço exige capacidade operacional; uma aplicação de IA depende de dados e infraestrutura; uma economia imediata pode ampliar custos futuros.

Para os gestores de Real Estate, Facility, Property e Workplace, esse check-up integrado ajuda a identificar o que precisa ser preservado, corrigido ou transformado. A visão sistêmica começa pela capacidade de perceber essas conexões e levá-las às decisões, com atenção ao negócio e às pessoas que fazem a operação acontecer.





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