De espaço ocioso a ativo estratégico, com um olhar que transforma imóveis em oportunidades com a Fundadora da JC Capital

 Jennifer Chen estrutura negócios e conecta proprietários de ativos, incorporadores, marcas, operadores, especialistas e capital para transformar oportunidades imobiliárias em projetos viáveis.

Por Léa Lobo

De espaço ocioso a ativo estratégico, com um olhar que transforma imóveis em oportunidades com a Fundadora da JC Capital

Jennifer Chen, fundadora da JC Capital


Áreas industriais desativadas, galpões que perderam sua função, edifícios envelhecidos, terrenos sem utilização e espaços corporativos incompatíveis com os novos modelos de trabalho fazem parte da realidade de muitas organizações. Embora representem custos de manutenção e conservação, esses ativos também podem esconder oportunidades de geração de valor.

Essa é uma das frentes de atuação de Jennifer Chen, fundadora da JC Capital, empresa dedicada à conexão entre projetos empresariais, fontes de financiamento e investidores nacionais e internacionais.

Para Jennifer, o Brasil reúne inúmeras oportunidades, mas ainda enfrenta dificuldades para estruturar projetos e apresentá-los adequadamente ao mercado financeiro. Não basta ter uma boa ideia, é preciso demonstrar histórico, garantias, viabilidade econômica e capacidade de execução.

“Existem muitos projetos interessantes, mas os empresários nem sempre sabem como chegar aos fundos, bancos e instituições financeiras. Também é preciso ter alguém de confiança para construir essa conexão com transparência e segurança”, afirma.


Uma trajetória construída pelo relacionamento

Antes de ingressar no mercado financeiro, Jennifer desenvolveu uma trajetória profissional diversa. Começou a trabalhar ainda jovem como modelo, viveu por mais de dez anos nos Estados Unidos e estudou Administração de Empresas e Gestão de Moda.

De volta ao Brasil, tornou-se empresária do varejo e abriu uma loja no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. A experiência permitiu que conhecesse de perto os desafios enfrentados por quem empreende no País, da gestão cotidiana às dificuldades para financiar o crescimento.

Posteriormente, passou a atuar em uma empresa especializada na aproximação entre projetos e capital. A experiência ajudou-a a compreender como os investidores avaliam oportunidades e quais informações são necessárias para que uma proposta avance.

Há oito anos, fundou a JC Capital, que representa fundos privados e instituições financeiras internacionais e realiza uma análise preliminar dos projetos antes de encaminhá-los a potenciais investidores.

“Nosso trabalho é entender quem está por trás do projeto, o que essa empresa já realizou, quais garantias pode oferecer e se existe consistência para buscar o recurso. É preciso estruturar a oportunidade para que ela seja compreendida pelo investidor”, explica.


O ativo que a empresa ainda não enxerga

Ao conversar com a InfraFM, Jennifer identificou uma questão diretamente relacionada à atuação dos profissionais de Facility, Property e Workplace Management, pois muitas organizações desconhecem o valor e o potencial de utilização de seus próprios ativos imobiliários.

Uma indústria pode ter galpões que deixaram de atender ao modelo de produção. Uma mineradora pode possuir grandes áreas sem uso próximas às suas operações. Empresas e órgãos públicos mantêm edifícios antigos ou parcialmente ocupados, enquanto continuam arcando com despesas e acompanhando sua deterioração.

Em outros casos, o imóvel pode admitir retrofit, mudança de uso, locação, venda, parceria imobiliária ou a implantação de uma nova atividade econômica. Essas possibilidades, entretanto, dificilmente avançam sem uma avaliação do ativo e de sua relação com o mercado, o território e a estratégia da organização.

“Há empresários que não sabem quanto vale o patrimônio que possuem ou se ele está sendo bem utilizado. Quanto mais tempo o imóvel permanece ocioso, mais ele se deteriora e perde valor”, observa Jennifer.

Essa análise deve considerar não apenas as características físicas da propriedade, mas também o entorno, a infraestrutura disponível, as demandas econômicas da região, as restrições legais e as possíveis vocações do ativo.


O gestor de FM como identificador de oportunidades

O gestor de Facilities ocupa uma posição privilegiada nesse processo. Por acompanhar a operação, conhece a ocupação real dos espaços, as condições dos edifícios, os custos de manutenção, as áreas que perderam sua finalidade e as necessidades futuras da organização.

Esse conhecimento pode ajudá-lo a identificar ativos subutilizados e levar o tema para a alta liderança. O profissional não precisa dominar sozinho todas as etapas de uma operação imobiliária ou financeira, mas deve reconhecer a oportunidade e reunir os especialistas necessários.

A viabilização de um projeto pode envolver empresas de avaliação patrimonial, arquitetura, engenharia, mercado imobiliário, direito, finanças, licenciamento e desenvolvimento urbano.“Quando conseguimos conectar pessoas sérias, com especialidades complementares, aumentamos a possibilidade de viabilizar bons projetos com segurança”, afirma a executiva.


Conexões que aceleram projetos

Além da atuação direta da JC Capital, Jennifer organiza fóruns e rodadas de negócios que aproximam empresários, investidores, bancos, representantes do poder público, advogados e especialistas de diferentes mercados.

Já foram realizadas oito edições desses encontros, com a participação de instituições financeiras, escritórios jurídicos e organizações setoriais. A proposta é permitir que os investidores apresentem o que procuram e que os responsáveis pelos projetos compreendam os critérios necessários para acessar capital.

Jennifer também vem ampliando sua atuação em setores como real estate, hospitalidade e agronegócio. Essa diversidade permite identificar oportunidades que surgem justamente na interseção entre diferentes mercados.

Para ela, o País continua sendo um “oceano de oportunidades”, especialmente quando ativos existentes podem ser renovados, reposicionados ou conectados a novas demandas. O desafio está em transformar potencial em projetos bem estruturados, capazes de atrair parceiros e investimentos.

Nesse contexto, o Facilities Manager deixa de ser apenas o profissional que conserva o patrimônio. Passa também a contribuir para que a organização compreenda quanto seus ativos valem, como estão sendo utilizados e que novas possibilidades podem gerar para o negócio.


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