
| Lucas Muniz, Fundador e diretor da Hidrotub |
Quando uma tubulação apresenta vazamento, trinca ou ruptura, o roteiro tradicional costuma incluir quebra de pisos e paredes, escavação, retirada do trecho danificado e reconstrução de tudo o que foi aberto. Em ambientes que não podem parar, o impacto da obra pode custar mais do que o próprio reparo. A Hidrotub atua para mudar esse processo com diagnóstico de precisão e métodos não destrutivos de reabilitação de redes.
Fundador e diretor da empresa, Lucas Muniz levou para as instalações prediais uma tecnologia que conheceu em aplicações industriais de grandes diâmetros. A proposta foi adaptar os métodos a tubulações menores, comuns em condomínios, edifícios comerciais, shoppings, restaurantes e fábricas. Mesmo em empreendimentos de grande porte, explica, boa parte das redes internas utiliza dimensões semelhantes às encontradas em sistemas prediais.
O trabalho começa pela identificação da origem e da extensão do problema. A empresa utiliza vídeo inspeção e equipamentos específicos para redes de esgoto, águas pluviais e tubulações pressurizadas. Dependendo da ocorrência, também emprega câmeras termográficas e geofones eletrônicos para mapear a umidade e localizar vazamentos.
As inspeções são registradas em fotos e vídeos e dão origem a um relatório técnico. O documento informa o diâmetro da tubulação, o ramal acessado, o tipo de avaria e a distância entre o ponto de acesso e o defeito. Para o gestor de Facilities, essa evidência reduz a tentativa e erro e ajuda a comparar alternativas antes de autorizar qualquer abertura. “Tudo o que fazemos com o equipamento é gravado e fotografado. O relatório mostra onde está a avaria e a quantos metros do ponto de acesso ela foi localizada” explica.
Depois do diagnóstico, a técnica varia conforme o material da rede e a condição encontrada. Em tubulações de ferro fundido com desgaste ou oxidação, um revestimento interno pode recuperar a superfície e prolongar sua vida útil. Para trincas, furos e outras falhas localizadas, a empresa aplica um reparo pontual dentro do tubo, sem substituir todo o trecho. Segundo Muniz, a solução atende avarias de até 60 centímetros lineares e acrescenta reforço estrutural ao ponto tratado.
Quando a tubulação está integralmente condenada, entra em cena o CIPP, sigla em inglês para tubo curado no local. Uma manta flexível impregnada com resina é inserida na rede existente e moldada contra suas paredes. Após a cura, forma-se uma nova tubulação no interior da antiga. O acesso pode ser feito por caixas de inspeção ou outros pontos já disponíveis, o que reduz a necessidade de demolição e escavação.
A Hidrotub informa vida útil projetada de até 30 anos para determinados revestimentos e de até 50 anos para as soluções estruturais, conforme o material e o estado da rede. A empresa oferece garantia de dez anos para os serviços citados pelo executivo. A definição, contudo, depende do diagnóstico e das condições encontradas em cada instalação.
A redução do impacto civil é o principal ganho para operações críticas. Muniz compara uma substituição convencional, que poderia exigir três ou quatro semanas entre escavação, troca e recomposição, com intervenções que, em determinadas condições, podem ser concluídas em um dia. Além do prazo, o método reduz poeira, ruído, entulho, circulação de equipes e bloqueio de áreas. “Há casos em que conseguimos encurtar três ou quatro semanas de obra para um dia e resolver a dor do cliente sem desmontar a operação.”
Um determinado shopping é citado pelo fundador como exemplo. Segundo ele, a equipe realiza inspeções durante a madrugada, identifica o ponto de avaria e retorna no período noturno seguinte para executar o reparo internamente. Dessa forma, o serviço não interfere no fluxo de visitantes nem exige uma obra aberta durante o funcionamento do empreendimento.
A origem da Hidrotub está na experiência de Muniz em uma companhia que aplicava métodos não destrutivos apenas em linhas industriais de grande diâmetro. Ao perceber que edifícios enfrentavam problemas semelhantes, ele começou a estudar materiais, equipamentos e formas de adaptar o processo ao ambiente predial. A empresa passou então a combinar diagnóstico, laudo técnico e execução do reparo.
A abordagem atende um ponto sensível da manutenção hidráulica, que é trocar somente o que está danificado e preservar o restante da estrutura. Para condomínios, o registro técnico também pode apoiar decisões em assembleias e esclarecer a origem de ocorrências entre unidades. Em ativos corporativos, ajuda Facilities a planejar janelas de manutenção e avaliar o custo total, incluindo os efeitos de uma eventual paralisação.
Antes de autorizar a quebra, o gestor precisa saber se a rede realmente exige substituição completa. A vídeo inspeção pode revelar que o defeito é pontual ou que a tubulação ainda oferece estrutura para receber um revestimento. Também pode confirmar que a rede está comprometida e precisa de uma solução estrutural por toda a extensão.
Para Facilities, o valor do método está nessa sequência: localizar, documentar e somente então intervir. A tecnologia não elimina a necessidade de avaliar cada caso, mas amplia as alternativas disponíveis. Quando é possível reparar o tubo por dentro, a manutenção deixa de começar pela marreta e passa a começar pela evidência.