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A Covid-19 será responsável pela morte da Realidade Virtual?

É possível dizer que a Covid-19 será responsável pela morte da Realidade Virtual?

A atual pandemia vem influenciando de forma inequívoca a adoção de novas tecnologias, acelerando a digitalização bem mais que qualquer um dos outros fatores de indução. No mercado de engenharia e construção, a repercussão ocorre em todas as fases. Vemos novos métodos de venda, reuniões de projeto por videoconferência e gestores de obra se reinventando, isso sem falar em todos os impactos no uso e na operação. 

Algumas tecnologias, como videoconferência e assinatura digital, foram claramente incentivadas por motivos óbvios, porém nem todas as tecnologias têm esta relação direta tão óbvia. Vamos analisar a Realidade Virtual. Como ela ficará? As soluções que têm como premissa a utilização de óculos compartilhados por diversas pessoas terão futuro? Dá para dizer que a Covid-19 será responsável pela morte da Realidade Virtual?

O nosso palpite é que não. É certo que soluções que usam óculos em estandes de vendas de imóveis, por exemplo, e eram compartilhados por clientes devem acabar, pelo menos até se resolver, de uma forma ou de outra, a questão da insegurança trazida pela doença. Se este dispositivo já enfrentava resistências em função de uma possível transmissão de conjuntivite, por exemplo, imagina no atual cenário. Por outro lado, as soluções baseadas em dispositivos móveis devem aflorar, pois também serão "empurradas" pelas aplicações para a tecnologia 5G.

Quando falamos em análises de projetos, lá fora as soluções de Realidade Virtual estão migrando para a colaboração. Esta deve ser a tendência a partir da realização sofisticada de videoconferências com "passeios virtuais" pelo modelo, em conjunto e de modo síncrono, gerando registros para alimentar o workflow de análises críticas ou integração entre obra e projeto. A utilização dos óculos, que passarão a ser um acessório pessoal vinculado ao computador, assim como se tem o mouse e o monitor, é um detalhe.

Enquanto o distanciamento social se mantém, as revisões de projetos podem ser exploradas utilizando a Realidade Virtual colaborativa, que permite a profissionais de diversas áreas interagirem para a validação do andamento das obras, que envolve estrutura, geotécnica, mecânica, tubulações, elétrica e automação, entre outras. O processo on-line acelera as rotinas sem a insegurança do contato.

E quando avançamos para as revisões de projetos utilizando a Realidade Virtual dentro do modelo BIM (Building Information Modeling), é possível otimizar o tempo e o custo das áreas envolvidas, tornando o processo mais colaborativo e ágil. Isso permitirá que o segmento de engenharia e construção consiga evoluir na concepção e entrega de seus empreendimentos mesmo diante da crise.

Os óculos, neste caso, são os grandes agregadores de valor da Realidade Virtual, pois com eles conseguimos ter a real dimensão do que está sendo projetado ou construído, empoderando os profissionais a partir de uma visão tridimensional que apenas poucos engenheiros ou arquitetos possuem.

Marcus Granadeiro, engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP e presidente do Construtivo

​Foto: Divulgação


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