O governo Lula promete concentrar esforços na aprovação da redução da jornada de trabalho 6x1 neste ano eleitoral de 2026

Quais as vantagens para economia e trabalhadores, e lacunas apresentadas por empresários nos projetos que já existem no Congresso

Por Leandro Bocchi de Moraes

O governo Lula promete concentrar esforços na aprovação da redução da jornada de trabalho 6x1 neste ano eleitoral de 2026


Inicialmente, é importante lembrar que no Brasil, a jornada máxima deve ser, em regra, de 8 horas diárias, para que não seja ultrapassado o limite permitido pela Constituição Federal. À vista disso, em nosso país, o que é mais comum é o trabalhador laborar 8 horas de segunda a sexta e aos sábados mais 4 horas, de sorte que ao final da semana o labor será de 44 horas semanais. Por esta razão é que se fala em escala 6x1, em que pese do ponto de vista jurídico, não exista esta escala, mas tão somente o limite de duração do trabalho.

Nesse sentido, quando falamos em fim da escala 6x1, isto refere-se à redução da carga horária de trabalho, de sorte que o compromisso do governo federal é que, não obstante tenha esta redução da jornada, o salário não será reduzido.

Dito isso, de acordo com uma pesquisa realizada , que ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 11 e 14 de dezembro de 2025, 72% das pessoas entrevistadas são a favor do fim da escala 6x1, conquanto 24% é contra e 4% não sabe ou não respondeu a pesquisa.

De um lado, é possível que em razão da redução da jornada, se fará necessário a contratação de novas pessoas, o que a princípio poderia ser um custo para a empresa. Lado outro, considerando que o trabalhador teria uma melhor qualidade de vida, isto poderia refletir no aumento da produtividade, com um maior consumo da população, fomentando a economia bem como reduziria os custos decorrentes dos afastamentos médicos por adoecimento físico e mental.

Indubitavelmente, as jornadas excessivas de trabalho, associadas à chegada dos novos meios de tecnologia, têm causado preocupação a toda a sociedade, em razão do impacto na saúde dos trabalhadores, contribuindo para a exaustão, esgotamento profissional, estresse, entre outros fatores negativos.

Para além disso, essa discussão sobre a possibilidade de mais tempo livre para uma melhoria da qualidade de vida, também se aplicaria ao empregador, que dispõe do seu tempo precioso para o gerenciamento de toda a atividade empresarial.

Frise-se que a discussão da temática já é antiga no Congresso. A PEC nº 148, de 2015, se encontra pronta para deliberação do plenário no Senado. A proposta visa alterar a Constituição Federal para reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas. A mudança será gradual, começando com uma redução para 40 horas na primeira fase e diminuindo uma hora por ano até atingir o limite de 36 horas semanais.

De outro norte, a PEC 221/2019 em trâmite na Câmara dos Deputados está aguardando designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Este projeto Altera o art. 7º inciso XII da constituição Federal, reduzindo a jornada de trabalho a 36 horas semanais em 10 anos.

Já o Projeto de Lei n° 1.105, de 2023 se encontra na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Este projeto prevê a pretende a viabilidade de redução das horas trabalhadas diárias ou semanais, mediante acordo ou convenção coletiva, sem perda na remuneração.

Noutro giro a PEC 8/2025, que dá nova redação ao inciso XIII, do artigo 7° da Constituição Federal para dispor sobre a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana no Brasil está aguardando despacho da Presidência da Câmara dos Deputados.

Em final conclusão, pode-se dizer que é totalmente praticável a redução da duração da jornada semanal de trabalho no Brasil, desde que, as empresas consigam também adequar as suas atividades empresariais. Contudo, é preciso o aprofundamento sobre a temática para a melhoria da condição social dos trabalhadores e do meio ambiente laboral, afinal, um dos bens mais valiosos que existe, sem dúvidas, é o tempo.

Dr. Leandro Bocchi assina como Advogado Trabalhista no Calcini Advogado.


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.
O cérebro que conecta real estate, facilities e financeiro em escala

Na unidade de São Bernardo do Campo, a Accenture opera um "centro de operação, inteligência e inovação" que integra BPO, gestão imobiliária, obras, manutenção, licenciamento e analytics, com automação pesada, inspeções digitais (app e 360º), drones e esteiras de pagamento

Líderes de audiência

Mercado

Woba lança agentes de IA para gestão imobiliária corporativa e aposta em nova fase do workplace

Plataforma apresentada durante a Expo InfraFM promete apoiar decisões ligadas a custos, operação e experiência dos colaboradores por meio de inteligência artificial aplicada ao real estate corporativo

Mercado

Congresso InfraFM 2026 começa com imersões em operações de referência

Primeiro dia do Congresso InfraFM foi marcado por visitas técnicas em empresas e operações de diferentes segmentos, proporcionando aos participantes uma visão prática sobre gestão de infraestrutura, manutenção, tecnologia, segurança, sustentabilidade e eficiência operacional

AstraZeneca traduz crescimento, bem-estar e brasilidade em novo escritório em São Paulo

Com 2.300 m² na Torre Jatobá, o novo escritório da AstraZeneca em São Paulo foi projetado para apoiar o modelo híbrido, priorizando colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar dos colaboradores, com elementos de brasilidade e gestão por

Operações

Perder o prazo do LEED pode adiar certificações estratégicas até 2027

Cronograma do GBCI mostra que projetos que buscam certificação antes da Greenbuild ou até o fim do ano precisam antecipar documentação, pagamento e análise técnica

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea