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Prédio limpo, negócio forte!

Como a opinião do cliente final está moldando o futuro da limpeza profissional

Por Léa Lobo

Prédio limpo, negócio forte!

Foto: Divulgação

A ISSA | The Worldwide Cleaning Organization, maior associação global do setor de limpeza profissional, publicou seu relatório anual com as principais tendências para 2024-2025. O documento destaca o crescimento da demanda por soluções sustentáveis, automação e uso de dados em tempo real como fatores determinantes para o sucesso das operações de limpeza nos próximos anos.

O relatório também alerta para a escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de capacitação contínua, além de enfatizar o papel estratégico da limpeza na saúde ocupacional, especialmente em ambientes híbridos e de alta rotatividade.

A crescente demanda por soluções sustentáveis e tecnológicas é uma realidade no Brasil. Sabemos que limpeza não é mais bastidor — é palco principal da experiência no workplace. O relatório da ISSA confirma o que o mercado já sente na prática: quem investir em tecnologia, ESG e capacitação terá vantagem competitiva real. Agora é a hora de abandonar a visão de limpeza como despesa e reconhecê-la como investimento em saúde, produtividade e reputação. Facility Management que se preze sabe: prédio limpo, negócio forte.

A escassez de profissionais qualificados é um desafio significativo também no Brasil. Segundo a Federação Brasileira das Empresas Prestadoras de Serviços de Facilities (Febraf), empresas enfrentam dificuldades para contratar profissionais em áreas como limpeza, manutenção predial e apoio administrativo, impactando diretamente a qualidade dos serviços prestados.

Do outro lado, a percepção da limpeza como um investimento estratégico está ganhando força. A indústria brasileira tem apresentado novas tecnologias para atender à crescente demanda no mercado de limpeza profissional, permitindo acompanhar as tendências globais e se manter atualizado sobre temas importantes, incluindo ESG.

O cenário brasileiro reflete as tendências globais apontadas pela ISSA, com ênfase em sustentabilidade, tecnologia, escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de capacitação contínua. A limpeza profissional está se consolidando como um pilar estratégico nas operações, contribuindo para a saúde ocupacional e a reputação das organizações.

A limpeza sempre foi parte vital da operação de qualquer edifício corporativo — mas, nos últimos anos, ela ultrapassou o status de “atividade de suporte” para se tornar um fator decisivo na reputação e nos resultados de empresas. E um dos principais catalisadores dessa transformação tem nome e peso: a percepção do consumidor.

Estudos recentes conduzidos por entidades como ISSA, Market Insights e Mintel revelam que 92% dos consumidores consideram a limpeza um fator determinante para voltar ou não a um local — seja ele uma loja, um escritório, um hotel ou um hospital. E, em tempos de redes sociais, uma má impressão não fica entre quatro paredes: ela vira post, review e, muitas vezes, crise.

Mais do que limpar é necessário comunicar segurança, valores e propósito

A nova geração de consumidores e usuários corporativos está mais atenta a questões como segurança química, sustentabilidade, transparência de fórmulas e responsabilidade social. Produtos agressivos, com cheiro forte ou rótulos pouco claros têm sido substituídos por soluções verdes, com certificações reconhecidas e comunicação transparente.

Além da performance, o que se vende agora é confiança. “Hoje, as empresas precisam de produtos que não apenas limpem, mas também transmitam a mensagem certa para seus usuários: cuidado, compromisso e consciência”, afirma o relatório da Market Insights. Isso tem levado fabricantes a reformular embalagens, rever fórmulas e até buscar
selos de certificação ambiental
para manter competitividade e aceitação no mercado.

Reputação e o reflexo da limpeza no espelho do cliente

Se antes a limpeza era percebida como um detalhe técnico, hoje ela está no centro da experiência do cliente. Ambientes sujos ou malcheirosos não são apenas desconfortáveis — são interpretados como falta de cuidado, desleixo e despreparo, minando a imagem da empresa como um todo.

E o oposto também é verdadeiro: ambientes limpos, bem-cuidados e higienizados com produtos seguros e eficientes aumentam a percepção de valor, transmitem profissionalismo e impulsionam a fidelidade do público.

O uso da tecnologia para captar e reagir ao sentimento do cliente

Empresas inovadoras do setor de limpeza já utilizam ferramentas de análise de sentimento para mapear menções em redes sociais, comentários em sites de avaliação e formulários internos de clientes corporativos. Essas análises orientam ajustes finos na operação: troca de fragrâncias, reposição de produtos com menor impacto ambiental ou reformulação de protocolos de higienização em áreas críticas.

Na hotelaria, por exemplo, esse tipo de inteligência tem sido usado para priorizar ações corretivas com base nas reclamações mais recorrentes — como “odor de banheiro” ou “limpeza do carpete” — impactando diretamente o volume de reviews positivos.

Por fim, o cenário atual revela uma mudança estrutural no setor: não basta mais entregar um bom serviço. É preciso alinhar esse serviço aos valores que os consumidores prezam. E isso envolve desde o tipo de produto utilizado até ações de engajamento social. Marcas que se posicionam a favor da sustentabilidade, da inclusão e da saúde pública ganham pontos preciosos na percepção — e, consequentemente, nos contratos.

Para mim, a limpeza profissional atravessa um dos seus momentos mais estratégicos. Não se trata mais apenas de remover sujeira, mas de construir reputação, transmitir valores e fortalecer vínculos com clientes, colaboradores e comunidades. Facility Managers e empresas fornecedoras de serviços precisam entender que a percepção do usuário final é, cada vez mais, um termômetro de sucesso e permanência nos contratos. Afinal, quem ouve o cliente, limpa melhor. E cresce mais rápido.


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