De ilustre professor e desenvolvedor de software a diretor sênior de manutenção e obras do Grupo Carrefour

Marcelo Poli alia engenharia, dados e desenvolvimento de equipes para ampliar a eficiência de uma operação varejista de missão crítica

Por Léa Lobo

De ilustre professor e desenvolvedor de software a diretor sênior de manutenção e obras do Grupo Carrefour

Marcelo Poli, Diretor Sênior de Manutenção e Obras no Grupo Carrefour Brasil

O Grupo Carrefour Brasil atua no varejo alimentar por meio de diferentes formatos e marcas, entre eles hipermercados Carrefour, lojas de proximidade Carrefour Express, unidades Atacadão e clubes de compras Sam's Club. Essa diversidade exige uma estrutura robusta de engenharia, obras e manutenção para assegurar disponibilidade operacional, segurança, eficiência e uma experiência consistente aos clientes.

À frente das áreas de manutenção e obras, Marcelo Poli construiu uma trajetória pouco convencional. Antes de chegar ao varejo, foi professor universitário, desenvolvedor de softwares para engenharia e executivo responsável pela expansão da infraestrutura de um dos maiores grupos educacionais do país. Hoje, reúne essas experiências para conduzir uma operação em que lojas, equipamentos e serviços precisam funcionar de domingo a domingo.

A engenharia começou no canteiro
O interesse pela engenharia nasceu ainda na infância. Neto de um pedreiro espanhol que passou a construir imóveis no Brasil, Poli preferia acompanhar o avô nas obras a ficar na loja de roupas da família. Mais tarde, cursou o colégio técnico e seguiu para a engenharia civil.

Na universidade, atuou como monitor de disciplinas como topografia e resistência dos materiais. Logo após se formar, começou a lecionar e foi contratado pela PUC para dar aulas de desenho a alunos de Engenharia da Computação. A experiência acadêmica se desenvolveu em paralelo a outro interesse, a programação.

Poli criou um coletor de dados para equipamentos de topografia, reduzindo erros de anotação e digitação, e depois desenvolveu programas capazes de integrar equipamentos importados a softwares nacionais. Também produziu uma solução que utilizava dados de GPS para calcular áreas agrícolas com mais rapidez. Um desses sistemas chegou a ser usado pelo Exército na Amazônia.

Da educação à expansão de grandes operações
A combinação entre conhecimento técnico, ensino e tecnologia abriu caminho para funções de gestão. Em uma faculdade de Jundiaí, Poli acumulou responsabilidades no laboratório de informática, nas aulas e nas obras de expansão. Com a criação da Anhanguera Educacional, foi convidado a estruturar um departamento de infraestrutura que reunia engenharia, manutenção, facilities, segurança, portaria e laboratórios.

Ao longo de quase 20 anos no setor educacional, participou da expansão de cerca de 70 faculdades em diferentes regiões do Brasil e assumiu posições executivas. O período também o colocou diante de sucessivas aquisições e fusões, experiência que reforçou sua percepção sobre o desafio de integrar processos e culturas organizacionais.

Em 2019, ingressou no Grupo BIG como diretor de manutenção. Poucos meses depois, a pandemia exigiu que a equipe administrasse a infraestrutura de uma atividade considerada essencial, mantendo as lojas em funcionamento e construindo relações de confiança a distância. Posteriormente, Poli assumiu obras e liderou conversões de hipermercados para formatos como Sam's Club e atacarejo.

Integração com o Carrefour
Com a integração do Grupo BIG ao Carrefour, em 2022, o executivo participou da conversão dos hipermercados BIG para as bandeiras Carrefour, além da transformação de algumas unidades em Sam's Club. O projeto exigiu velocidade, controle de orçamento e alinhamento constante com a operação.

Concluída essa etapa, Poli passou a responder também pela manutenção. Sob sua liderança estão aproximadamente 160 unidades de grande porte, entre hipermercados e Sam's Club, além de mais de uma centena de lojas Carrefour Express. O modelo combina um time interno enxuto, responsável pela inteligência da operação, com empresas terceirizadas para a execução dos serviços.

Dados para antecipar falhas e reduzir desperdícios
Para Poli, digitalizar processos não significa apenas substituir o papel. Significa criar rastreabilidade, comparar desempenhos e apoiar decisões. Na manutenção, os registros digitais permitem verificar quando o prestador chegou à loja, quando iniciou e terminou o atendimento e quais atividades foram realizadas, com evidências fotográficas.

Um dos principais focos é o frio alimentar. Cada hipermercado monitora centenas de variáveis relacionadas a temperatura, pressão e funcionamento dos equipamentos. A adoção de uma solução brasileira de inteligência artificial permitiu filtrar os alertas relevantes, antecipar falhas e medir a performance dos sistemas. Segundo o executivo, o projeto proporcionou economia de quase 10% na energia consumida pelo frio alimentar e reduziu em mais de 40% o número de chamados.

A equipe também utiliza dados de telemetria para comparar o consumo energético das lojas. Como o Brasil apresenta grandes diferenças climáticas, foi desenvolvido um modelo matemático que corrige os indicadores pela temperatura e torna a comparação mais equilibrada. As unidades passaram a acompanhar seu desempenho em relação às demais, favorecendo a redução de desperdícios sem comprometer climatização, conservação de alimentos ou conforto do cliente.

Tecnologia sem abrir mão do conhecimento técnico
Apesar do avanço da inteligência artificial, Poli defende que o gestor de infraestrutura não pode se afastar do conhecimento técnico. Para ele, a tecnologia acelera tarefas, organiza informações e amplia a capacidade de análise, mas não substitui o profissional que avalia a causa de uma falha, escolhe um equipamento ou projeta uma solução mais sustentável no longo prazo.

A mesma lógica se aplica à liderança. A experiência como professor contribuiu para uma comunicação capaz de dialogar com diferentes públicos, do canteiro de obras à alta direção. Mais do que concentrar decisões, o executivo procura desenvolver profissionais que possam assumir responsabilidades maiores. “Quando o time se torna protagonista do dia a dia, o gestor consegue atuar de forma mais estratégica”, afirma.

Prisma torna-se o ERP da manutenção
Nesse modelo de gestão, o Prisma, software da Aditiva Sisteplant, ocupa papel central. Poli o define como o “ERP da manutenção” do Grupo Carrefour, pois é uma plataforma que reúne chamados, preventivas, indicadores, avaliações de prestadores e integrações com sistemas de refrigeração, climatização e outras disciplinas de facilities.

A ferramenta permite medir o desempenho das empresas contratadas, acompanhar os níveis de serviço e realizar reuniões periódicas de cadência com base em dados. A rastreabilidade ajuda tanto o Carrefour quanto os próprios prestadores, que passam a enxergar com maior clareza o trabalho de suas equipes e os pontos que precisam ser corrigidos.

A aderência às necessidades da manutenção e o modelo sem cobrança por usuário estão entre os diferenciais. Para Poli, a plataforma melhora as preventivas, reduz as corretivas e eleva o nível de serviço. “Se você não mede, não controla. Não vejo como gerir a manutenção sem um software de controle”, conclui.



Líderes de audiência

Operações

Como avaliar o desempenho de um contrato de limpeza?

Edgar Britto Dias, Helena Serafim e equipe analisaram os dados por trás da limpeza profissional e encontraram uma diferença decisiva entre dimensionar um contrato e fazê-lo entregar resultado

Operações

Da abertura de chamados ao AI Service Management: como agentes inteligentes podem transformar as cen...

O avanço dos agentes autônomos de IA em operações de atendimento amplia o debate sobre uma nova geração de Service Desk, capaz de interpretar ocorrências, executar fluxos completos e integrar plataformas de gestão predial

Workplace

Google transforma prédio dos anos 1940 em centro de IA

Instalação para até 400 profissionais mostra como localização, infraestrutura existente e capacidade de adaptação podem pesar mais que a idade do ativo

Workplace

Um escritório do tamanho de uma cidade: as lições do novo campus do BNP Paribas

A concentração de 5.300 pessoas em um complexo de 38 mil m², em Lisboa, mostra por que grandes sedes corporativas passam a exigir serviços, indicadores e rotinas diferentes em cada zona de uso

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea