Ar refrigerado: herói e vilão

Como evitar que os sistemas de climatização passem de conforto a transtorno ao atacar o meio ambiente, a saúde das pessoas e o caixa das empresas

No interminável verão brasileiro, que atualmente pode durar até meio ano com temperaturas oscilando entre trinta e quarenta graus, ambientes climatizados deixaram de ser opção. Empreendimentos comerciais, industriais e governamentais, com grande fluxo de pessoas, incorporam o sistema de ar refrigerado desde o seu projeto inicial. Entretanto, o principal responsável pelo bem-estar nos meses mais quentes do ano pode se transformar no vilão que ataca o meio ambiente, a saúde das pessoas e o caixa das empresas se não tiver a manutenção adequada.

As providências para minimizar o impacto negativo da operação de sistemas de refrigeração deve começar no projeto de qualquer empreendimento. Não levar em conta o dimensionamento e as especificações adequadas do sistema significa alto consumo de energia elétrica e, consequentemente, um custo fixo permanentemente alto, além da sobrecarga da rede elétrica e suas desastrosas consequências como os apagões.

Ainda na fase inicial dos projetos, empreendedores e projetistas devem estar atentos à escolha dos equipamentos mais eficientes e cálculo de carga térmica exato, sempre especificando revestimento térmico de boa qualidade em telhados e alvenaria, brises externos, luminárias LED e piso frio, entre outros itens que contribuam para a eficiência energética do empreendimento.

Após o início da operação dos sistemas de ar condicionado, é necessário um plano de manutenção preditiva cuja finalidade é exatamente predizer falhas e detectar mudanças no estado físico que exijam serviços de manutenção, com antecedência necessária para evitar quebras dos equipamentos. Esta providência é fundamental para evitar custos e o desconforto causado pela parada ou mau funcionamento do sistema de refrigeração.

Para cada tipo de equipamento/fabricante existem rotinas particulares de manutenção que devem ser seguidas. "As rotinas de manutenção, devem ser programadas de acordo com a especificada pelo fabricante e também pelas normas brasileiras (ABNT) e legislações. As instalações acima de 5 TR (tonelada de refrigeração) deverão ter um plano de operação, manutenção e controle (PMOC) específicos, onde são previstas as manutenções preventivas mensais, trimestrais, semestrais e anuais, análise da qualidade do ar ambiente, limpeza de dutos, entre outros", explica Marcelo Korff, diretor operacional da Álamo Engenharia.

Sem parar. Ambientes com sistemas de climatização constante, como hospitais, aeroportos e hotéis, por exemplo, devem ter um cuidado especial com as rotinas preventivas de filtros dos sistemas de refrigeração. Filtros sujos bloqueiam a passagem do ar, consequentemente, diminuindo a vazão insuflada no ambiente, ocasionando ineficiência do sistema de ar condicionado. O esforço extra do sistema aumenta o consumo de energia elétrica, causa desconforto térmico às pessoas, em função do aumento da temperatura, e ainda problemas de saúde - de menor e maior gravidade - gerados pelas impurezas propagadas pelo ar.

Ainda no que diz respeito à saúde, o equipamento de ar condicionado cujo controle de temperatura, por exemplo, nao está funcionando corretamente pode causar problemas aos usuários, principalmente em locais de trabalho, afetando a produtividade. Ambientes muito frios ou quentes demandam adaptações severas ao organismo, à temperatura externa. Este esforço diminui a energia reservada a outras funções, afetando principalmente as ligadas ao sistema nervoso como a concentração e o equilíbrio emocional, entre outras.

A legislação prevê normas e leis para o dimensionamento correto dos sistemas de ar refrigerado, manutenção preventiva, assim como tratamento da qualidade do ar interior. Já com relação à eficiência energética, o Selo Procel, por exemplo, indica os equipamentos mais econômicos de acordo com a eficiência medida pelo Coeficiente de Eficiência Energética - CEE.

De qualquer modo, deve prevalecer a responsabilidade dos administradores e das empresas de manutenção e o respeito à saúde das pessoas e ao meio ambiente. E neste caso, esse exercício de cidadania resulta também em otimização de recursos para empreendimentos e empresas, e ainda, tranquilidade para os administradores.

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