Quem decide primeiro, investe de forma mais inteligente
 

Mondelēz adota biometano em fábrica com fornecimento gradual

Da origem do combustível às condições de uso na fábrica da Mondelēz em Pernambuco, o caso abre uma discussão sobre como metas climáticas chegam à rotina das utilidades

Mondelēz adota biometano em fábrica com fornecimento gradual

Foto: https://depositphotos.com/br/photo/617510054


A Mondelēz Brasil firmou um contrato de três anos para abastecer sua fábrica de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, com biometano produzido a partir do biogás de um aterro sanitário em Igarassu. A expectativa das empresas é evitar cerca de 6 mil toneladas de CO₂ equivalente ao longo do acordo.

O fornecimento, no entanto, não começa no volume máximo. A previsão é iniciar com cerca de 50 mil metros cúbicos mensais e avançar gradualmente até 100 mil metros cúbicos. Segundo Eduardo Lima, diretor comercial da Gás Verde, essa evolução será necessária para testar e adequar os equipamentos fabris à nova fonte de energia.

“Devemos oferecer cerca de 50 mil metros cúbicos por mês ao início do contrato, evoluindo gradualmente para 100 mil metros cúbicos por mês”, afirmou Lima. O cronograma mostra que a substituição de combustível não se resume à contratação de uma fonte renovável. Ela depende de como o gás se comporta na infraestrutura que já sustenta a produção.

O biometano é obtido pela purificação do biogás gerado na decomposição de resíduos orgânicos. No caso do contrato da Mondelēz, a origem será o aterro sanitário de Igarassu, a cerca de 60 quilômetros da fábrica. Após o tratamento, o combustível pode ser utilizado nas mesmas aplicações do gás natural, desde que atenda às especificações exigidas para o uso industrial.

Essa condição é central. A Resolução ANP nº 1.006, de 2026 estabelece as especificações do biometano destinado a instalações industriais, comerciais e residenciais, além das regras de controle de qualidade para os agentes que o comercializam. A norma determina que o produtor garanta a qualidade do produto e emita certificado com os resultados das análises físico-químicas.

Na prática, parâmetros como teor de metano, dióxido de carbono, oxigênio, sulfeto de hidrogênio, ponto de orvalho e poder calorífico deixam de ser apenas informações técnicas do fornecedor. Eles definem se o combustível pode entrar na operação com segurança e desempenho compatíveis com o processo industrial. A regulamentação prevê análises diárias, por amostragem e análise em linha, a partir do início do fornecimento.

A adoção gradual também reduz o risco de tratar a troca como uma simples equivalência entre combustíveis. O biometano pode ser intercambiável com o gás natural quando atende à especificação aplicável, mas cada planta tem equipamentos, consumo, controles e condições de operação próprios. O período de testes mencionado pela Gás Verde é justamente a etapa em que essa compatibilidade deixa de ser uma previsão e passa a ser verificada na rotina.

A meta climática do contrato também depende dessa execução. As 6 mil toneladas de CO₂ equivalente representam uma estimativa para os três anos de fornecimento, não uma redução já realizada. Para que o número possa ser acompanhado ao longo do acordo, importa definir qual combustível está sendo substituído, qual é a linha de base de consumo, qual volume de biometano foi efetivamente entregue e qual metodologia será usada no inventário de emissões.

O caso da Mondelēz é relevante porque conecta descarbonização, utilidades e contrato em uma mesma decisão. A fábrica será a primeira unidade da companhia na América Latina a incorporar biometano à matriz energética, mas o aspecto mais concreto da iniciativa está no fornecimento progressivo. A transição só avança à medida que combustível, infraestrutura e produção conseguem operar juntos.

Como construímos este material
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Exame, da ABEGÁS e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

O que muda quando diferenças culturais entram no projeto de um escritório

Na implantação da sede brasileira da Yuwell, Henrique Tso, gerente de Recursos Humanos para a América Latina, precisou conciliar referências da matriz chinesa com custos, fornecedores, prazos e formas de trabalho locais

Mercado

De Itaú a Amazon: quem ocupa os maiores escritórios de São Paulo

Itaú lidera a lista com 91,4 mil m² no Esther Towers. O ranking mostra onde estão as grandes empresas e por que áreas corporativas extensas se tornaram mais disputadas

Operações

Seu prédio usa água potável onde não precisa?

Nova resolução nacional define critérios para o reúso não potável e recoloca em debate onde essa água pode ser usada nos edifícios

Operações

Mercado Livre terá a maior locação de galpão do Brasil. Como manter 464 mil m²?

O novo complexo próximo a Viracopos ajuda a explicar por que, em ativos logísticos de grande escala, manutenção deixa de ser uma lista de ordens de serviço e passa a ser gestão de risco operacional

Mercado

Itaú ocupa 91 mil m² e recoloca o longo prazo no centro da estratégia imobiliária

A maior locação corporativa já registrada no segmento especulativo no Brasil ocorre quando políticas híbridas amadurecem e grandes áreas de alto padrão ficam mais escassas em São Paulo

Operações

Microsoft trata água no próprio campus e reduz dependência da rede pública

Projeto em Mountain View integra reúso, águas pluviais e operação predial e mostra como a resiliência hídrica começa a entrar no desenho dos grandes campus corporativos

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea