Por Léa Lobo

| Virgílio Pimenta, executivo cormecial na Noremat. |
O manejo de vegetação em grandes áreas verdes deixou de ser apenas uma atividade de conservação paisagística. Em rodovias, mineradoras, aeroportos, condomínios logísticos, plantas industriais e grandes sites corporativos, roçada, poda e trituração impactam segurança operacional, continuidade dos serviços, produtividade das equipes e conservação do ambiente construído.
Em entrevista à InfraFM, Virgílio Pimenta, executivo comercial da Noremat, apresentou soluções mecanizadas, autopropulsadas e robotizadas voltadas à manutenção de áreas extensas e terrenos de difícil acesso. A empresa francesa está presente em mais de 50 países e mantém no Brasil há pouco mais de 10 anos uma operação sediada em Araraquara/SP, onde concentra equipe técnica, estoque, manutenção e almoxarifado para atendimento nacional.
Manejo de vegetação como operação crítica

Vegetação alta, taludes sem manutenção, acostamentos com baixa visibilidade, áreas com animais peçonhentos e obstáculos ocultos podem gerar riscos à integridade das equipes, à circulação de veículos, à segurança patrimonial e à continuidade operacional.
Segundo Pimenta, o foco das soluções da Noremat está em otimizar recursos, ampliar produtividade e reduzir riscos em operações de campo, especialmente em grandes áreas operacionais. A empresa atende clientes diretos e prestadoras de serviços, incluindo companhias de multisserviços responsáveis por limpeza, manutenção e conservação de áreas verdes.
Esse movimento responde a uma demanda crescente do mercado de Facilities, executando serviços com maior previsibilidade, menor exposição ao risco e melhor controle da qualidade da entrega.
Robotização reduz exposição do operador

Entre as diversas soluções apresentadas temos o Attila, que é um mini trator 4x4 voltado à manutenção de áreas verdes, inclusive em terrenos inclinados. Com chassi reforçado, pneus antifuro, sensores de segurança e capacidade de trabalhar em inclinações de até 30 graus, pode ser aplicado em rodovias, plantas industriais, áreas urbanas e grandes complexos com gramados extensos.
Para áreas de maior risco, a Noremat destaca o Panther, robô controlado remotamente e capaz de operar em inclinações de até 55 graus. O principal diferencial é retirar o profissional da área de risco. Em vez de executar a roçada diretamente em taludes, vegetação densa ou locais com animais peçonhentos, o operador comanda o equipamento à distância.
Também robotizado, o iCut é uma solução de maior porte, comparável ao tamanho de um veículo utilitário. Com triturador frontal articulado e possibilidade de receber outros implementos, foi desenvolvido para operações mais pesadas, com vegetação alta, valas, taludes e áreas de difícil acesso.
Segurança, mão de obra e continuidade
A automação no manejo de vegetação responde a uma dor concreta do mercado, que é a dificuldade de contratar, treinar e reter mão de obra especializada para atividades de campo. Em operações tradicionais, a roçada pode exigir várias pessoas expostas simultaneamente a riscos físicos, climáticos, biológicos e ergonômicos. Com equipamentos robotizados ou autopropulsados, parte dessa exposição é reduzida. Em alguns casos, atividades antes realizadas por equipes maiores podem ser reorganizadas com menos profissionais, maior mecanização e melhor previsibilidade.
Para Facilities Management, esse ponto é estratégico. A contratação de serviços terceirizados de jardinagem, conservação de áreas externas e manutenção predial precisa considerar não apenas custo, mas também segurança, produtividade, absenteísmo, qualificação técnica, disponibilidade operacional e continuidade do contrato.
Outro aspecto relevante é o tratamento da vegetação cortada. Ao triturar a matéria orgânica e mantê-la no próprio local, os equipamentos reduzem etapas de recolhimento, transporte e descarte. A prática pode contribuir para proteção do solo, retenção de umidade e reaproveitamento natural dos resíduos vegetais, desde que aplicada com planejamento técnico adequado. Em grandes áreas verdes, a atividade deixa de ser apenas “cortar o mato” e passa a envolver conservação do terreno, redução de passivos, menor circulação de veículos de apoio e planejamento de ciclos de manutenção.
Para o gestor de Facilities, a robotização do manejo de vegetação muda a forma de avaliar contratos, equipamentos e indicadores de desempenho em áreas externas. A decisão deixa de estar restrita ao preço por equipe ou por metro quadrado e passa a envolver produtividade real, redução de riscos, disponibilidade dos ativos, manutenção preventiva e segurança dos operadores.
Em plantas industriais, condomínios logísticos, aeroportos, mineradoras, universidades, hospitais com grandes áreas e parques corporativos, essas soluções podem apoiar uma gestão mais madura da infraestrutura. Isso significa mapear áreas críticas, classificar riscos por tipo de terreno, definir frequências de intervenção, avaliar mecanização possível e exigir das prestadoras capacidade técnica compatível com a operação.
Uma nova agenda do FM para áreas verdes
O avanço de soluções robotizadas não elimina a necessidade de planejamento, capacitação e governança. Pelo contrário, exige que gestores de Facilities, empresas terceirizadas e áreas de compras compreendam melhor os requisitos técnicos de cada operação.
Inclinação do terreno, tipo de vegetação, frequência de corte, acesso ao local, logística de transporte, manutenção preventiva, disponibilidade de peças e treinamento do operador passam a ser fatores decisivos para o sucesso da solução.
A tendência é que o manejo de vegetação em grandes áreas seja cada vez menos dependente de força manual intensiva e mais orientado por tecnologia, segurança e eficiência operacional. Para Facilities, isso representa uma oportunidade de reposicionar a conservação de áreas verdes como parte estratégica da gestão predial, da infraestrutura corporativa e da experiência das pessoas no ambiente construído.