Tragédia do Museu Nacional

Arquitetos pedem um "basta" e propõem fundo para o Patrimônio

Foto: Museu Nacional | Roberto da Silva

"Os valores que nos identificam como sociedade não podem virar cinzas como o Museu Nacional. A destruição o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, não pode passar em branco. Essa tragédia deve servir como um grito de basta contra o abandono, negligência e destruição da memória nacional", afirma em nota oficial o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.  

"O basta! deve vir de toda sociedade. Dos estudantes ao Presidente da República", conclama o CAU/BR, acrescentando que "os valores que nos identificam como sociedade não podem virar cinzas como o Museu Nacional". 

O Conselho recomenda a elaboração urgente de um plano plurianual nacional, vinculado a um fundo próprio, que privilegie a eliminação de riscos de incêndios, desabamentos e alagamentos, garantindo o funcionamento e o usufruto público do Patrimônio. 

No mesmo sentido, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) sugeriu a criação de um fundo permanente que garanta a manutenção dos museus nacionais e a preservação do nosso patrimônio cultural, a ser gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Ambas entidades divulgaram recentemente "Carta-Aberta aos Candidatos nas Eleições de 2018" tratando das questões urbanas do país, inclusive a preservação e valorização do Patrimônio nacional. 

Íntegra da nota do CAU/BR

"Basta!

A destruição o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, não pode passar em branco. Essa tragédia deve servir como um grito de basta contra o abandono, negligência e destruição da memória nacional. A realidade, lamentavelmente, é que a situação do Museu Nacional não é única. Outras tragédias iguais podem ocorrer.  

Os valores que nos identificam como sociedade não podem virar cinzas como o Museu Nacional. Conclamamos o Estado, os arquitetos e urbanistas, as universidades, os intelectuais, as entidades de classe, enfim, a sociedade brasileira a se mobilizar. 

O basta! deve vir de toda sociedade. Dos estudantes ao Presidente da República.

De imediato é necessário levantar outros bens em perigo - inclusive cidades históricas -  e prover meios para sua recuperação e manutenção. Nesse sentido é preciso agir em duas frentes: recursos financeiros e humanos. 

Os recursos do Tesouro e financiamentos públicos e privados existentes para o setor cultural, frutos de leis de incentivo, são insuficientes, as prioridades raramente incluem o Patrimônio e não passam de ações pontuais. É preciso avançar, elaborando um plano plurianual nacional, vinculado a um fundo próprio, que privilegie a eliminação de riscos de incêndios, desabamentos e alagamentos, garantindo o funcionamento e o usufruto público do Patrimônio. 

São necessários também profissionais capacitados. Há anos assistimos, por exemplo, o definhamento do quadro técnico de órgãos como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), questão apenas recentemente encaminhada.

Cumprindo o compromisso histórico dos arquitetos e urbanistas com a preservação do Patrimônio, em 'Carta Aberta dos Arquitetos e Urbanistas aos Candidatos nas Eleições de 2018', divulgada em julho, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) apresentaram propostas que, a médio prazo, garantiriam a sustentabilidade da política pública para o setor. Todos estamos indignados, todos devemos colaborar". 

Sobre o Museu

Museu Nacional, atingido por um incêndio na noite do último domingo (2 de setembro), é a mais antiga instituição científica do Brasil e um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. Localiza-se no interior do parque da Quinta da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro, estando instalado no Palácio de São Cristóvão. O palácio serviu de residência à família real portuguesa de 1808 a 1821, abrigou a família imperial brasileira de 1822 a 1889 e sediou a primeira Assembléia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938. Guardava em seu acervo mais de 20 milhões de itens.

A tragédia reforça a importância da valorização e do cuidado com o patrimônio imobiliário, histórico, científico e social por meio das manutenções preventiva, corretiva e preditiva necessárias. Com certeza uma grande e irreparável perda para o Brasil!

Líderes de audiência

Mercado

Woba lança agentes de IA para gestão imobiliária corporativa e aposta em nova fase do workplace

Plataforma apresentada durante a Expo InfraFM promete apoiar decisões ligadas a custos, operação e experiência dos colaboradores por meio de inteligência artificial aplicada ao real estate corporativo

Mercado

Congresso InfraFM 2026 começa com imersões em operações de referência

Primeiro dia do Congresso InfraFM foi marcado por visitas técnicas em empresas e operações de diferentes segmentos, proporcionando aos participantes uma visão prática sobre gestão de infraestrutura, manutenção, tecnologia, segurança, sustentabilidade e eficiência operacional

AstraZeneca traduz crescimento, bem-estar e brasilidade em novo escritório em São Paulo

Com 2.300 m² na Torre Jatobá, o novo escritório da AstraZeneca em São Paulo foi projetado para apoiar o modelo híbrido, priorizando colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar dos colaboradores, com elementos de brasilidade e gestão por

Operações

Perder o prazo do LEED pode adiar certificações estratégicas até 2027

Cronograma do GBCI mostra que projetos que buscam certificação antes da Greenbuild ou até o fim do ano precisam antecipar documentação, pagamento e análise técnica

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea