Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação
 

Guerra cibernética: os riscos dos baixos investimentos no Brasil

Não ter um bom plano de continuidade, backups e outros controles pode significar a indisponibilidade de diversos serviços em uma guerra cibernética, mesmo que o país não esteja participando diretamente

*Por Cristiano Bernardi Júnior

 

Quando ouvimos falar ou lemos alguma matéria sobre ataques cibernéticos, normalmente observamos que são ocorrências contra indivíduos ou empresas. Porém, podem existir ataques cibernéticos mais sofisticados, com objetivos estratégicos e, ou, geopolíticos. As consequências também podem romper a barreira tecnológica e trazer impactos físicos ou cinéticos, que são raros, porém mais temidos, porque geralmente estão associados à espionagem industrial e financeira.

Ao contrário de uma guerra convencional, a cibernética não tem fronteiras, ou seja, não se limita a determinado espaço geográfico, por isso os países não envolvidos diretamente na questão motivadora também podem ser afetados.

E como as empresas do setor privado poderiam ser afetadas em caso de um ataque cibernético? A título de exemplo, um ataque direcionado a um site que esteja armazenado em uma nuvem pode afetar também outros serviços que estejam utilizando o mesmo ambiente, como uma loja virtual ou até mesmo uma base de dados. Ou seja, quanto mais uma empresa se desenvolve e expande seu ambiente tecnológico, mais suscetível a ataques ela está.

Dessa forma, não ter um bom plano de continuidade, backups e outros controles pode significar a indisponibilidade de diversos serviços em uma guerra cibernética, mesmo que o país não esteja participando diretamente.

Outros fatores, como o crescimento econômico e a liderança de mercados, como a importação de proteína animal, podem fazer com que empresas e países se tornem cada vez mais alvos de ataques e espionagem. No Brasil, por exemplo, algumas das tentativas de ataque recentes foram identificadas em players do agronegócio e em órgãos governamentais.

Mesmo com o avanço da Segurança da Informação e da proteção de dados, o Brasil ainda aparece como um dos países com mais credenciais e dados vazados no último ano. Segundo um relatório da Netscout, empresa especializada em cibersegurança, o Brasil é segundo maior alvo mundial de ciberataques, atrás apenas dos Estados Unidos, que lidera o ranking. O baixo investimento frente ao cenário, a falta de conscientização e a elevada quantidade de sistemas legados utilizados são fatores que contribuem para esta marca.

É importante considerar que praticamente 100% dos colaboradores das empresas possuem dados pessoais armazenados em sistemas públicos, e essas informações podem, sim, serem utilizadas para ataques direcionados ao setor privado. Outro ponto importante também é a consolidação das organizações criminosas, que utilizam o cibercrime como um negócio, com estratégias, metas definidas e até mesmo plano de carreira para seus integrantes, além de um alto retorno financeiro.

Em um cenário cujo aumento do interesse de cibercriminosos no Brasil é uma tendência, será necessária a disseminação de informação em todas as esferas populacionais, assim como um desenvolvimento de segurança em camadas para todas as empresas, especialmente as do setor público, que têm uma responsabilidade ainda maior em relação à proteção das informações pessoais.

É essencial que as lideranças dos setores privado e público estejam atentas e dispostas a aperfeiçoarem a sua postura de Segurança da Informação dado que o setor de atuação e a relevância de suas informações sob custódia, entre outros fatores, podem ser motivadores para uma tentativa de ataque cibercriminoso.

 

Cristiano Bernardi Júnior é consultor de Cyber Security & Data Privacy da ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Foto: Divulgação.
 
CONFIRA AQUI A VERSÃO DIGITAL DESTA EDIÇÃO.

Veja também

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

Refeições compartilhadas é indicador global de conexão e bem-estar

World Happiness Report 2025 reforça que conexões humanas, confiança e atos de cuidado têm impacto direto no bem-estar

Carreira

A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Operações

Compostagem acelerada ganha protagonismo como solução estratégica para resíduos orgânicos e eco...

Estudos internacionais apontam que tecnologias avançadas de compostagem podem transformar resíduos orgânicos em ativo ambiental

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Mercado

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking