De Itaú a Amazon: quem ocupa os maiores escritórios de São Paulo

Itaú lidera a lista com 91,4 mil m² no Esther Towers. O ranking mostra onde estão as grandes empresas e por que áreas corporativas extensas se tornaram mais disputadas

Biosquare, em Pinheiros, abriga um dos endereços corporativos da Amazon na capital paulista. Foto: Divulgação/Kinea 


​O Itaú Unibanco contratou a integralidade do Esther Towers, complexo de duas torres na Chucri Zaidan, com aproximadamente 91,4 mil m² de área locável. O contrato, anunciado em setembro, supera com ampla margem as demais grandes locações recentes de escritórios em São Paulo e ajuda a revelar uma mudança no mercado: há espaços corporativos disponíveis, mas as alternativas diminuem rapidamente quando uma empresa precisa de muitos andares ou dezenas de milhares de metros quadrados em uma única operação.

As maiores locações recentes

1. Itaú Unibanco, 91,4 mil m²
Esther Towers, Chucri Zaidan. O banco contratou integralmente as duas torres do empreendimento. A primeira entrega está prevista para o fim de 2026, e a segunda, para 2027.

2. Nubank, 50 mil m²
Cyrela Oscar Freire Corporate e Capote 210, em Pinheiros. O número representa o total de áreas contratadas pela empresa nos dois empreendimentos e não uma única torre. As operações foram realizadas durante o desenvolvimento dos projetos.

3. Amazon, 39,2 mil m²
Biosquare, em Pinheiros. A pré-locação integral da torre corporativa foi assinada em março de 2025, antes da entrega do edifício. Relatório do fundo proprietário informou área de 39.229,18 m², enquanto a identificação da Amazon como ocupante foi apurada pela SiiLA.

4. Casas Bahia, 16,5 mil m²
Edifício Centenário, Berrini. A companhia ocupa integralmente o edifício, que passou a abrigar sua sede em São Paulo, segundo dados divulgados pela Buildings.

5. Bayer, 16 mil m²
Alto das Nações, Chácara Santo Antônio. A farmacêutica contratou seis andares do edifício para sua nova sede administrativa, com transição prevista para 2028.

6. Uber, 15,9 mil m²
JK Square, região JK. A operação foi a maior locação registrada no primeiro trimestre de 2026, segundo informações de mercado publicadas pela Buildings e pelo Metro Quadrado.

7. Wise, 14,1 mil m²
River South, Marginal Pinheiros. A contratação também apareceu entre as maiores operações do primeiro trimestre de 2026.

8. Braskem, 8,9 mil m²
Alto das Nações, Chucri Zaidan. A empresa deixou uma área menor em Pinheiros e contratou espaço maior no complexo corporativo, conforme informou o Metro Quadrado.

O tamanho excepcional do contrato do Itaú
Os 91,4 mil m² do Esther Towers representam quase o dobro do compromisso total atribuído ao Nubank nos dois edifícios de Pinheiros e mais que o dobro da pré-locação da Amazon no Biosquare. A escala ajuda a explicar por que a negociação teve impacto além do empreendimento.

Segundo levantamento da Binswanger Brazil publicado pela Exame, a área contratada pelo Itaú equivale a mais de quatro vezes a média das maiores locações recentes individuais da cidade. A consultoria também compara o volume à absorção líquida média trimestral do mercado paulistano, próxima de 90 mil m².

Isso não significa que uma única locação transforme automaticamente todo o mercado. O contrato foi firmado para um complexo excepcional, com duas torres inteiras e área contígua difícil de reproduzir. Mas ele revela como a busca por uma sede de grande porte é diferente da procura por conjuntos menores.

Por que grandes áreas voltaram a ser disputadas
As empresas do ranking não estão necessariamente ampliando escritórios pelo mesmo motivo. Uma operação pode envolver crescimento, consolidação de endereços, troca de prédio, mudança na política de presencialidade ou busca por infraestrutura mais atual. O dado comum é a procura por áreas grandes, em edifícios capazes de acomodar operações corporativas complexas.

Localização continua sendo relevante, mas a escolha reúne outros fatores: acesso por transporte público, tamanho das lajes, eficiência de layout, energia, geradores, climatização, elevadores, conectividade, segurança, certificações e experiência para os colaboradores. Em uma ocupação de grande porte, a infraestrutura do edifício influencia a futura operação tanto quanto o valor do aluguel.

Dados divulgados pelo Secovi-SP em parceria com a CBRE apontaram que a absorção líquida do mercado paulistano no primeiro trimestre de 2026 foi 35,2% superior à do mesmo período de 2025. A entidade também registrou queda de 2,8 pontos percentuais na vacância de edifícios triple A nos doze meses anteriores, influenciada por novo estoque limitado e absorção acima da média.

O contraste aparece na disponibilidade. Pode haver escritórios vagos em diferentes bairros, padrões e tamanhos, mas poucas alternativas para uma empresa que precisa reunir milhares de pessoas em áreas contíguas. Para esses ocupantes, iniciar a busca depois que a necessidade se torna urgente pode significar aceitar uma operação dividida entre edifícios ou aguardar a entrega de um novo projeto.

O que o ranking revela sobre São Paulo
O ranking não prova que o trabalho híbrido terminou, nem que todas as empresas voltarão a ocupar a mesma área que utilizavam antes da pandemia. Ele mostra outra dinâmica: parte das grandes companhias continua usando o escritório como instrumento de consolidação, crescimento, colaboração e atração de pessoas.

Há ainda uma mudança geográfica. Pinheiros, JK, Berrini e Chucri Zaidan aparecem repetidamente entre as operações. A concentração sugere que empresas com grande demanda já não analisam apenas os endereços mais tradicionais. Elas procuram os poucos pontos da cidade onde ainda encontram escala, acesso e edifícios compatíveis com uma operação de longo prazo.

O Itaú lidera um ranking de contratos de dimensões incomuns. A descoberta mais importante, porém, está abaixo do primeiro lugar: pode existir espaço corporativo disponível em São Paulo e, ao mesmo tempo, faltar o tipo de espaço que grandes empresas conseguem ocupar, adaptar e operar como uma única sede.

Como construímos este material
Esta matéria foi elaborada com fato relevante da Eztec e EZ Inc arquivado na CVM, dados do Secovi-SP e CBRE, informações publicadas por Buildings, SiiLA, Metro Quadrado, Binswanger Brazil e veículos de imprensa. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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