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Protagonismo e identidade de marca movimentam o Fórum Deskbee 2025

"Tem horas na vida em que a gente precisa sair da ilha para enxergar a própria ilha"

Por Léa Lobo

Protagonismo e identidade de marca movimentam o Fórum Deskbee 2025

Foto: Divulgação


O Fórum Deskbee, ocorrido em 28/11/2025, reuniu profissionais de Facilities, Workplace e tecnologia para discutir um tema que vem impulsionando as operações modernas: o protagonismo em Facilities como motor da inteligência operacional. O encontro, conduzido pela dupla Zamir Rodrigues e Felipe Augusto Rios, ambos da Deskbee, foi realizado na sede da IPG Media Brands, apresentada ao público pelo facility manager André Rosa. A agência, uma potência multinacional da área de comunicação, reforçou desde o início a ideia de especialização profunda como estratégia: times dedicados a dados, tecnologia, criação, conteúdo, mídia, performance e CRM trabalham de forma integrada, mas cada um com excelência técnica, algo que dialoga diretamente com a maturidade que o setor de Facilities vem construindo.

O ponto alto da manhã foi a palestra de Gian Franco Rocchiccioli, sócio e head de estratégia da PANDI, uma das principais consultorias de marca da América Latina. Com humor afiado, Gian começou se apresentando como “o filho de engenheiro que virou bicho criativo”, explicando como essa mistura improvável o levou a mergulhar no universo das marcas, da cultura e da identidade organizacional. E logo deixou claro: marca não é comunicação é o valor que uma organização entrega ao mundo, expressa em quem ela é, no que acredita e nas escolhas que faz.

Ao conectar filosofia, design e gestão, Gian provocou a plateia a repensarem a forma como navegam nesse mundo hipercomplexo. Segundo ele, vivemos uma era de permacrise, em que mudanças profundas já não são exceção, mas regra. Nesse cenário, as organizações precisam agir como sistemas vivos, capazes de se adaptar, cooperar, quebrar padrões e, sobretudo, criar valor real para as pessoas. “A única certeza é a mudança”, reforçou, lembrando que prosperar no futuro exige compreender que dados explicam o passado, mas imaginação e criatividade desenham o que ainda não existe.

Pensamento do Design

Gian apresentou o “modelo de pensamento do design”, defendendo que design não é estética, mas sim a capacidade de ler desafios e projetar soluções, seja um produto, uma experiência, uma cultura ou uma estratégia de negócio. Ele explicou que essa abordagem funciona como uma bússola para atravessar ambientes complexos, onde o significado das coisas importa tanto quanto a sua materialidade. A partir de Aristóteles, Bergson, Platão e Kant, o palestrante costurou uma narrativa brilhante sobre tempo, percepção e consciência, mostrando por que as empresas precisam revisitar sua identidade para definir seus futuros possíveis.

Um dos momentos mais marcantes foi a demonstração prática sobre valor. Usando uma pedra aparentemente sem importância, Gian conduziu o público por uma jornada sensorial e emocional para mostrar como significado, verdade e contexto moldam a percepção humana. A mensagem foi que o valor não está no objeto, mas no sentido que ele desperta nas pessoas e organizações que entendem essa lógica conseguem criar marcas mais fortes, culturas mais conscientes e estratégias mais robustas.

Ao falar de transformação, Gian reforçou que ela só acontece quando chega ao “nível 7”: quando intenção se torna ação, comportamento, hábito, prática e, por fim, identidade. E lembrou que muitas ideias não fracassam por falta de potência, mas por falta de execução cultural. Cultura, para ele, é o motor que transforma estratégia em realidade  e por isso precisa ser alinhada, cuidada e ativada continuamente.
Encerrando sua fala, o estrategista retomou um provérbio que sintetiza seu recado aos profissionais de Facilities e Workplace presentes: “Tem horas na vida em que a gente precisa sair da ilha para enxergar a própria ilha.” Em outras palavras, compreender a identidade, seja da empresa, seja de si mesmo, exige distanciamento, reflexão e coragem para revisar crenças, práticas e caminhos.

COP-30 X FM

Após a fala de Gian, Léa Lobo da InfraFM falou sobre a intersecção do que ocorreu na COP-30 com a função de FM. Ela destacou que 79% da agenda climática global depende diretamente de infraestrutura. Isso significa que sem Facility Management eficaz, não há transição climática possível. Seu trabalho deixou de ser operacional para se tornar estratégico e urgente. “A cada décimo de grau na temperatura global, não derretemos apenas geleiras, derretemos orçamentos, comprometemos operações e colocamos em risco a continuidade dos Negócios”, enfatizou.

Cuidando da Carreira

 Protagonismo e identidade de marca movimentam o Fórum Deskbee 2025

Foto: Divulgação


Na sequência Gustavo Gracitelli (CXO da Deskbee) mediou uma painel sobre carreira com os experientes Lucas Pedro (Bloomberg) e André Rosa (IPG Media Brands). O fio condutor do bate-papo entre eles, que mostraram como deixar de ser “executor de chamados” para se tornar peça estratégica do negócio. Lucas explicou que protagonismo não é cargo, é assumir a responsabilidade pela própria carreira: questionar o porquê das demandas, usar dados e benchmarks para provar limites e resultados, comunicar conquistas e se antecipar às necessidades das áreas. André relembrou sua migração das finanças para Facilities em laboratório farmacêutico e depois publicidade, usando visão de números e processos para organizar operações complexas, reduzir acidentes e custos, aproximar-se das áreas de negócio e transformar Facilities em sinônimo de acolhimento e confiança. Ambos reforçaram a mesma mensagem: protagonismo é ir aonde o FM não é “oficialmente” convidado, entender o que gera valor para o outro, adaptar-se a contextos totalmente diferentes e conectar operação, cultura e experiência das pessoas.

O Fórum Deskbee cumpriu o papel de inspirar e desafiar. Ao conectar protagonismo, identidade, cultura e design estratégico, a manhã deixou claro que o FM moderno não é apenas operacional: ele é agente fundamental de transformação organizacional. Um setor que, cada vez mais, precisa olhar para além das linhas do dia a dia e perceber também o espaço entre elas, aquele território onde nascem o significado, a inovação e o verdadeiro valor.




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